
A NVIDIA apresentou a 25 de fevereiro os resultados financeiros do quarto trimestre do ano fiscal de 2026, e os números são de uma escala que seria difícil de imaginar há apenas cinco anos. A empresa registou receitas de 68,1 mil milhões de dólares no trimestre, um crescimento de 20% face ao trimestre anterior e de 73% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o comunicado oficial. Para o ano fiscal completo, a receita totalizou 215,9 mil milhões de dólares, uma subida de 65% face ao exercício anterior.
O motor por detrás destes números é inequívoco. O segmento de centros de dados gerou 62,3 mil milhões de dólares só no último trimestre, um recorde, mais 75% do que no mesmo período de 2025. Para o ano completo, as receitas dos centros de dados chegaram aos 193,7 mil milhões de dólares, um crescimento de 68%. Os centros de dados representam agora cerca de 90% da receita total da NVIDIA, um número que contrasta de forma marcante com o início desta década, quando o gaming era o principal motor de crescimento da empresa.
Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA, foi direto na declaração que acompanha os resultados: “A procura de computação está a crescer exponencialmente — o ponto de inflexão da IA agêntica chegou. A Grace Blackwell com NVLink é o rei da inferência hoje — oferecendo um custo por token uma ordem de magnitude inferior — e a Vera Rubin vai estender ainda mais essa liderança”.
A previsão para o primeiro trimestre do próximo ano fiscal também superou as expectativas de Wall Street: a NVIDIA projeta receitas de 78 mil milhões de dólares, o que supera em mais de 5 mil milhões de dólares as estimativas do consenso de analistas. A empresa também revelou que os seus compromissos relacionados com fornecimento quase duplicaram num único trimestre, de 50,3 para 95,2 mil milhões de dólares, um sinal de que a procura já está assegurada muito além dos próximos meses.
Apesar de tudo isto, a reação do mercado foi contraintuitiva. As ações da NVIDIA caíram 5,46% no dia seguinte à publicação dos resultados, apagando cerca de 260 mil milhões de dólares em capitalização bolsista numa só sessão. A explicação avançada por analistas, nomeadamente da Goldman Sachs, prende-se com a ausência de sinais claros sobre o crescimento para 2027 e com preocupações sobre a sustentabilidade dos gastos em infraestrutura de IA, Amazon, Google, Microsoft e Meta deverão superar 1,1 biliões de dólares em investimento em IA em 2026, mas a conversão desse investimento em lucros comerciais concretos ainda não está comprovada.
No segmento de gaming, os resultados foram positivos em termos anuais, 3,7 mil milhões de dólares no trimestre, 47% acima do mesmo período do ano anterior, mas registaram uma queda de 13% face ao trimestre anterior, atribuída à normalização de inventário após a época de festas. O segmento de gaming ficou 300 milhões abaixo das estimativas de analistas, num raro caso de desapontamento relativo numa apresentação que bateu expectativas praticamente em todos os outros indicadores.
O impacto desta dinâmica vai além dos resultados financeiros da NVIDIA. A concentração da produção de memória de alto desempenho nos centros de dados de IA continua a pressionar o mercado de hardware de consumo. A Gartner estimou recentemente que os preços de DRAM e SSD podem subir 130% até ao final de 2026, uma consequência direta da mesma corrida à infraestrutura de IA que está a alimentar os lucros da NVIDIA.








