
Há nomes que raramente aparecem nos títulos das notícias sobre mangá, mas que estão em todo o lado. Shihei Lin é um deles. Durante dezasseis anos na Shueisha, o editor passou pelos departamentos do Monthly Shonen Jump, Jump Square e Shonen Jump+, construindo um historial que inclui Chainsaw Man, Spy x Family, Dandadan e muitos outros títulos. A 17 de abril, Lin anunciou no X que a sua empresa, a Mix Green, abriu um novo departamento editorial e está a aceitar submissões de manuscritos de autores. A plataforma onde os títulos serão publicados ainda está em desenvolvimento e não tem nome confirmado.
Lin saiu da Shueisha em agosto de 2022, mas a partida não foi uma rutura abrupta. Continuou a trabalhar como editor freelancer, mantendo as suas funções editoriais na Shonen Jump+ e permanecendo como editor responsável pelos títulos que já acompanhava. A separação foi suficientemente discreta para passar quase despercebida durante dois anos.
Agora, com a Mix Green a lançar o seu próprio braço editorial, o projeto ganha uma dimensão diferente. Lin sublinhou que a nova plataforma não tem qualquer ligação à Shueisha ou à Jump+, deixando claro que se trata de uma iniciativa verdadeiramente independente.
O que está em aberto e o que a comunidade está a especular
Os detalhes sobre a nova publicação são escassos. O nome ainda não foi revelado, o modelo de distribuição não foi especificado, e não há indicação de quais os autores que poderão estar envolvidos. O que existe é um formulário de submissão aberto a novos autores e a promessa de mais informações quando a plataforma estiver pronta.
Inevitavelmente, o anúncio gerou especulação na comunidade sobre se Tatsuki Fujimoto, autor de Chainsaw Man e colaborador próximo de Lin ao longo de anos, poderá estar envolvido no projeto. Chainsaw Man terminou em março de 2026 com o capítulo 232, encerrando sete anos de serialização. Com o mangá concluído e o futuro de Fujimoto em aberto, a coincidência temporal não passou despercebida. Por agora, porém, não há qualquer confirmação nesse sentido, trata-se apenas de especulação dos fãs.
Porque é que isto importa para além do hype
Lin não é apenas mais um editor a lançar um projeto paralelo. O seu historial coloca-o entre os editores mais influentes da sua geração no Japão, alguém que ajudou a transformar a Shonen Jump+ numa das plataformas de referência para mangá original, com títulos que se tornaram fenómenos globais tanto na versão impressa como nas adaptações para anime.
Uma plataforma independente gerida por alguém com esse nível de credibilidade e rede de contactos na indústria é, no mínimo, algo a acompanhar de perto. Se Lin conseguir atrair autores com o mesmo potencial dos que acompanhou na Shueisha, o impacto pode ir muito além de mais um site de publicação de mangá.









