
A imunidade de Ellie é o motor de toda a narrativa de The Last of Us. É ela que justifica a viagem no primeiro jogo, a decisão de Joel no final, e o peso emocional que percorre a continuação da história no segundo jogo. Durante anos, a premissa foi clara, Ellie é única. Mas um testemunho recente de um ex-funcionário da Naughty Dog veio complicar essa certeza.
Em entrevista ao canal Kiwi Talkz no YouTube, Gabriel Betancourt, antigo artista de iluminação do estúdio, revelou detalhes de conversas que teve com Neil Druckmann, presidente e diretor da Naughty Dog, sobre o futuro da série. Segundo Betancourt, quando questionou Druckmann sobre a ideia de Ellie não ser a única imune, a resposta foi direta: “várias pessoas são imunes” e “há um lugar, há uma congregação inteira desse tipo de pessoas”.
Betancourt recordou ainda que Druckmann lhe disse querer contar “uma história mais sofisticada” com “múltiplas personagens” a partir dessa premissa.
O problema narrativo que isso levanta
O próprio Betancourt admitiu as implicações desta revelação, introduzir um grupo de sobreviventes imunes arrisca diminuir o peso emocional do final do primeiro jogo. É nesse momento que Joel mata os médicos dos Fireflies para salvar Ellie, uma decisão que só funciona narrativamente porque a menina parece ser a única hipótese de cura para a humanidade. Se existir uma colónia inteira de pessoas como ela, a escolha de Joel ganha uma leitura diferente, ainda que ele não soubesse disso na altura.
A biologia da imunidade de Ellie, aliás, torna a ideia plausível. A série sugere que a exposição ao fungo Cordyceps ainda no útero terá interrompido o processo normal de infeção, resultando na sua imunidade. Se esse for o mecanismo, é estatisticamente possível que outros tenham passado pelo mesmo, e que existam mais pessoas com a mesma condição algures no mundo pós-apocalíptico da série.
É importante perceber o contexto destas declarações. Betancourt saiu da Naughty Dog há cerca de sete anos, o que significa que esta conversa com Druckmann terá ocorrido em meados ou finais da década passada, durante ou após o desenvolvimento de The Last of Us Part II. Pode ter sido uma ideia explorada internamente que nunca passou disso. As prioridades criativas do estúdio podem ter mudado desde então.
Neil Druckmann não fez qualquer comentário oficial sobre o assunto.
The Last of Us Part 3: quando, e se alguma vez
A Naughty Dog não anunciou oficialmente um terceiro jogo da série principal. O próprio Druckmann tem dado sinais contraditórios ao longo dos anos, em março de 2025 sugeriu que os dois primeiros jogos poderiam ser tudo o que existe, mas no documentário Grounded II afirmou que “provavelmente há mais um capítulo nesta história”.
O que é certo é que o estúdio está neste momento concentrado em Intergalactic: The Heretic Prophet, nova IP da Naughty Dog com lançamento previsto para meados de 2027 segundo rumores. Há ainda especulações sobre um possível Uncharted 5. A acontecer, um terceiro The Last of Us ficará para mais tarde, provavelmente para daqui a vários anos.









