
A Meta estará a preparar uma ronda de despedimentos que poderá afetar cerca de 20% dos seus quase 79 mil trabalhadores, o equivalente a aproximadamente 16 mil postos de trabalho. A informação foi avançada pela Reuters, citando fontes familiarizadas com o assunto.
De acordo com a Reuters, os quadros superiores da empresa terão sido instruídos pelos seus pares de topo a começar a “planear como cortar”. Nem a data nem o número exato de saídas estão definidos, e uma porta-voz da Meta disse à Reuters que se trata de “relatos especulativos sobre abordagens teóricas”, uma não-negação que deixa em aberto se estas conversas estão de facto a decorrer internamente.
A confirmar-se, seria a maior reestruturação da empresa desde o chamado “ano da eficiência”, em 2022 e início de 2023, quando a Meta dispensou 11 mil trabalhadores em novembro desse ano, cerca de 13% da força laboral na altura, e outros 10 mil nos meses seguintes. Mais recentemente, no início deste ano, a empresa já tinha cortado cerca de mil postos de trabalho na divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual e metaverso, área que Zuckerberg parece estar a abandonar progressivamente.
Os números financeiros mais recentes da Meta ajudam a perceber o contexto. No último trimestre de 2025, a empresa registou receitas próximas dos 60 mil milhões de dólares, e mais de 200 mil milhões ao longo de todo o ano. Ainda assim, a pressão para reduzir custos operacionais cresce à medida que os investimentos em inteligência artificial se tornam cada vez mais pesados.
A Meta projeta despesas de capital até 135 mil milhões de dólares só em 2026, quase o dobro dos 72 mil milhões gastos em 2025. Nesse cenário, dispensar milhares de trabalhadores seria uma forma de equilibrar as contas enquanto a empresa aposta tudo na IA. Mark Zuckerberg disse em janeiro, numa chamada de resultados, que começava a ver “projetos que costumavam precisar de grandes equipas a ser realizados por uma única pessoa muito talentosa”, uma referência clara às eficiências trazidas pela automatização.
Essa aposta concretiza-se também em aquisições. A Meta comprou em dezembro a Manus, uma startup de agentes de IA focada em automação de tarefas, por dois mil milhões de dólares. Já no início de março, adquiriu a Moltbook, uma rede social pensada exclusivamente para agentes de IA, uma espécie de Reddit para bots, que tinha ganho atenção viral semanas antes. Os co-fundadores da Moltbook, Matt Schlicht e Ben Parr, integrarão os Meta Superintelligence Labs, a unidade de IA de elite da empresa liderada pelo ex-CEO da Scale AI, Alexandr Wang.
O padrão não é exclusivo da Meta. Outras grandes empresas tecnológicas têm seguido o mesmo caminho: a Amazon confirmou em janeiro o corte de cerca de 16 mil empregos, e a Block chegou a dispensar quase metade dos seus trabalhadores, com o CEO Jack Dorsey a apontar explicitamente para as capacidades crescentes das ferramentas de IA. Vozes como a de Sam Altman, CEO da OpenAI, levantaram porém dúvidas sobre se este tipo de cortes não constitui “AI-washing”, usar a IA como pretexto para resolver problemas que pouco têm a ver com tecnologia, como o excesso de contratações durante a pandemia.








