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Capcom é o mais recente alvo da Arábia Saudita na indústria dos videojogos

A empresa saudita Electronic Gaming Development Company aumentou a sua participação na Capcom para 6,04%, numa jogada que faz parte de um padrão cada vez mais difícil de ignorar.

Nos últimos anos, os investimentos sauditas na indústria dos videojogos deixaram de ser uma curiosidade para se tornarem numa estratégia estruturada. A mais recente confirmação disso chegou através do portal japonês GameBiz, que revelou que a Electronic Gaming Development Company (EGDC) aumentou a sua participação na Capcom em mais de 1%, atingindo agora os 6,04% do capital da empresa japonesa.

Esta participação representa um investimento na ordem dos 617 milhões de dólares. De acordo com o relatório da Capcom, datado de 31 de dezembro de 2025, a EGDC ocupa agora o quarto lugar na lista de maiores acionistas da empresa, apenas atrás da Crossroad (gestora de ativos japonesa), da própria Capcom e da Ayar First Investment.

A EGDC é uma empresa fundada sob a alçada da MiSK Foundation, organização criada pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Não é a primeira vez que entra no setor, em 2022, adquiriu uma participação maioritária na SNK Corporation, passando a controlar 100% da produtora de Fatal Fury, The King of Fighters e Metal Slug.

Não é só a EGDC

O que torna este caso particularmente relevante é que a EGDC não está sozinha. A Ayar First Investment, outra empresa saudita sediada em Riade e ligada ao Fundo de Investimento Público (PIF) do país, já tinha garantido uma participação de 6,6% na Capcom em janeiro de 2026, substituindo a JP Morgan Chase na lista de grandes acionistas. A Ayar tem ainda posições significativas na Nintendo, na Nexon e na Bandai Namco.

Com ambas as empresas somadas, a Arábia Saudita detém agora mais de 10% do capital da Capcom, a criadora de Resident Evil, Street Fighter, Devil May Cry e Monster Hunter.

Um padrão que vai além da Capcom

Estes movimentos não surgem isolados. Em setembro de 2025, a Electronic Arts anunciou um acordo para ser adquirida por um consórcio privado no valor de 55 mil milhões de dólares, liderado pelo PIF saudita, pela Silver Lake e pela Affinity Partners de Jared Kushner. Os acionistas da EA aprovaram o negócio em dezembro de 2025, e o fecho da operação está previsto para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 da empresa (abril-junho de 2026), pendente de aprovação regulatória. Se concluído, seria a maior aquisição por private equity da história do setor dos videojogos.

Antes disso, o PIF já tinha garantido o controlo da Scopely, através da Savvy Games Group, operação que incluiu a compra do negócio de videojogos da Niantic, incluindo Pokémon GO, por 3,5 mil milhões de dólares.

A EGDC justificou a aquisição de ações da Capcom como “investimento puro”, focado em lucros com a valorização bolsista e dividendos. Mas quando se olha para o conjunto de movimentos, Capcom, Nintendo, Nexon, Bandai Namco, SNK, EA, fica claro que o interesse saudita nos videojogos vai muito além de uma simples carteira financeira diversificada.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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