Um animador português acaba de dar um dos passos mais significativos que um profissional da área pode dar, João Moura foi contratado pelo estúdio anime Bones Film. A notícia foi revelada durante o painel do OtakuPT no IberAnime Santarém 2026, numa conversa conduzida por Helder Archer, podes ver o vídeo completo do painel aqui.
Quem é João Moura, o animador português que trabalhou em Jujutsu Kaisen, Dandadan, Solo Leveling e agora integra o estúdio Bones Film
Natural do Porto, João Moura formou-se na Escola Artística e Profissional Árvore, no curso de Animação 2D/3D. Em 2023 fez a sua estreia oficial na indústria japonesa de animação como animador de 2nd Key na segunda temporada de Jujutsu Kaisen, nessa altura já era um nome que a comunidade portuguesa de anime seguia, mas foi esse crédito numa das séries mais populares do momento que lhe deu visibilidade internacional.
Desde então, o currículo cresceu de forma consistente. Conforme partilhou no painel do IberAnime Santarém 2026, João Moura trabalhou em produções como Solo Leveling, Fate/Strange Fake, Dandadan, My Hero Academia: Vigilantes, Re:Zero, JoJo’s Bizarre Adventure Part 7, The Apothecary Diaries e Gachiakuta, este último, curiosamente, produzido precisamente pelo Bones Film.
O que representa o Bones Film
Para quem não está familiarizado com a indústria do anime, o peso desta contratação fica mais claro com um pouco de contexto. O estúdio Bones foi fundado em outubro de 1998 por Masahiko Minami, Hiroshi Osaka e Toshihiro Kawamoto, três animadores provenientes do estúdio Sunrise. Em pouco mais de duas décadas, o estúdio tornou-se um dos mais respeitados do Japão, responsável por séries como Fullmetal Alchemist: Brotherhood, frequentemente apontado como um dos melhores anime de sempre, Mob Psycho 100, Bungo Stray Dogs, Noragami, Soul Eater e My Hero Academia.
O Bones opera internamente através de sub-estúdios identificados por letras (A a F), cada um com a sua equipa e produtor. Em 2024, a divisão de produção foi separada numa subsidiária própria chamada Bones Film Inc., sob a qual passaram a ser creditadas todas as produções a partir de 2025, incluindo My Hero Academia: Vigilantes, que conta com o trabalho de João Moura.
A reputação do estúdio assenta não apenas na qualidade técnica das suas animações, mas também na forma como tende a atrair e reter talentos. Ser contratado como membro interno do Bones é qualitivamente diferente de trabalhar numa produção pontual como freelancer, representa uma integração numa estrutura onde os projetos são desenvolvidos com continuidade e identidade próprias.
Portugal no anime
A contratação de João Moura pelo Bones Film não é apenas uma conquista individual. Há alguns anos, a presença de animadores portugueses em produções japonesas era praticamente inexistente. Esse panorama tem vindo a mudar lentamente, com nomes portugueses a aparecer nos créditos de séries de grande visibilidade, e João Moura é atualmente o caso mais emblemático dessa tendência.
O IberAnime Santarém 2026 serviu assim de palco para uma das melhores notícias que a comunidade portuguesa de anime recebeu nos últimos tempos, revelada de forma direta e sem pompa num painel de conversa, o que, de certa forma, diz muito sobre como a indústria funciona para quem está dentro dela.








