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Japão não desiste do Blu-ray e duas empresas querem salvá-lo

I-O Data e Verbatim Japan garantem fornecimento de Blu-ray no Japão após saída da Sony e outros fabricantes

Nos últimos meses, o mercado japonês de Blu-ray tem assistido a uma série de saídas que deixaram muitos utilizadores preocupados. A Sony encerrou a sua última fábrica doméstica de discos Blu-ray graváveis em Fevereiro de 2026, depois de já ter cortado o fornecimento ao consumidor meses antes. A LG tinha saído ainda mais cedo, em 2024, sem lançar qualquer produto novo desde 2018. A Pioneer abandonou o segmento de drives para PC no ano passado. A Buffalo anunciou em Fevereiro de 2026 que não haverá sucessores para os seus três modelos de drives USB externos, com produção a terminar em Julho. E a Elecom, em Março, publicou um aviso de descontinuação para a totalidade do seu portfólio de drives externos, com vendas a terminarem a 30 de Junho.

É neste contexto de retiradas sucessivas que a I-O Data e a Verbatim Japan fizeram um anúncio conjunto, as duas empresas vão reforçar a sua parceria para continuar a fornecer drives e discos Blu-ray no mercado doméstico japonês. As medidas concretas incluem a garantia dos componentes necessários, o ajuste dos sistemas de produção para assegurar um fornecimento contínuo e o desenvolvimento de novos produtos adaptados especificamente às necessidades dos utilizadores de Blu-ray.

A I-O Data é o único distribuidor doméstico da marca Verbatim no Japão. Esta não é a primeira vez que as duas empresas fazem uma declaração conjunta, em Fevereiro de 2025, após o anúncio da Sony de abandonar os discos graváveis, publicaram um comunicado focado nos suportes físicos. O anúncio agora é mais abrangente, estende o compromisso às próprias drives, algo significativo, dado que a Panasonic é actualmente o único fabricante japonês verticalmente integrado de gravadores de Blu-ray para televisão que permanece no mercado.

No comunicado oficial as duas empresas reconhecem a procura existente por drives e discos Blu-ray, seja para fins de backup, armazenamento ou uso profissional. Um dos produtos em destaque é o BD Reco, uma drive Blu-ray externa compatível com Windows lançada a 4 de Fevereiro, desenvolvida para acomodar a cultura japonesa de gravação de programas de televisão e anime. Segundo o anúncio, a resposta ao produto foi expressiva, e a I-O Data e a Verbatim Japan comprometem-se a continuar a melhorá-lo, bem como o restante catálogo Blu-ray.

A dimensão deste mercado ajuda a perceber porque é que a saída dos grandes pesa tanto. Segundo dados da JEITA (Japan Electronics and Information Technology Industries Association) os envios de gravadores Blu-ray no Japão situaram-se em cerca de 620.000 unidades em 2025, um declínio enorme face ao pico de mais de 6,3 milhões de unidades registado em 2011, mas ainda assim um mercado com utilizadores activos e necessidades reais.

O que mudou no mercado

O streaming e os serviços de armazenamento em cloud encarregaram-se de reduzir substancialmente a procura por suportes ópticos na maior parte dos contextos. Mas o Japão tem particularidades que prolongam a relevância do formato. A cultura de gravar anime e programas de televisão em Blu-ray para criar bibliotecas físicas pessoais está profundamente enraizada, e muitos utilizadores continuam a depender de gravadores externos ligados por USB porque os PCs modernos não incluem, por omissão, capacidade de leitura e gravação em Blu-ray.

Vale também referir que o Blu-ray enquanto suporte de distribuição de jogos não está em causa, a PlayStation 5 e a Xbox Series X|S continuam a usar discos Blu-ray para os jogos físicos, o que garante a sobrevivência do formato nesse segmento. A questão é o lado dos gravadores e drives domésticos, o segmento onde as saídas se têm acumulado.

Para os utilizadores japoneses que dependem deste ecossistema, o compromisso da I-O Data e da Verbatim Japan representa uma garantia concreta de continuidade num momento em que o mercado se contraiu de forma acentuada.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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