Para surpresa de muitos de nós, a série Star Fox está de regresso. Embora não se trate de um título novo, este remake traz de volta o clássico Star Fox 64 (Lylat Wars na Europa) sob a forma de uma reimaginação moderna, sem se esquecer do carisma e da identidade que tornaram o original um dos títulos favoritos dos fãs da Nintendo.

Começando pela história, que se mantém fiel ao clássico, o Doutor Andross controla quase todos os planetas e os mercenários da Star Fox, a pedido do General Pepper, embarcam na missão de salvar o Sistema Lylat. As mudanças começam logo a notar-se quando percebemos que temos um lore mais enriquecido e um foco muito mais acentuado no desenvolvimento das personagens.

No modo online, podemos ligar a câmara e substituir o nosso rosto por avatares virtuais das personagens do jogo.

Isto é conseguido através de novos diálogos durante as missões e das várias sequências cinematográficas. Os quatro talentosos mercenários, Fox, Falco, Slippy e Peppy, vão constantemente comunicando entre si, o que acrescenta uma camada extra de interatividade aos combates e uma boa dose de humor que vai surgindo com naturalidade.

Mesmo quem jogou o original sentirá que está a jogar um jogo novo, devido aos seus visuais renovados.

A criação das novas animações foi uma excelente forma de trazer expressividade e uma vertente mais cinematográfica à experiência. A maioria das cutscenes acontece dentro da nave, onde vemos o grupo a interagir e a planear os próximos passos. Mesmo que esta adição já seja algo habitual de se ver nos jogos atuais, faz uma grande diferença para os jogadores que tiveram a oportunidade de voar na versão de 1997.

Ainda assim, gostaria de ter visto a equipa por detrás do remake a expandir mais os horizontes de Star Fox. Não senti o mesmo entusiasmo como quando joguei o original. Faltou o fator novidade no que toca à narrativa, uma expansão que trouxesse mais planetas, novos personagens e talvez vilões. Ok, entende-se que o estúdio quis ser fiel ao original, ressuscitando-o para a atualidade com uma nova roupagem gráfica, mas se tivessem acrescentado apenas uns detalhes extra, talvez a experiência de reviver este jogo tivesse sido completamente diferente.

No que diz respeito à jogabilidade, continuamos a jogar um shooter on-rails em 3D, ao bom e velho estilo das arcadas. Aos comandos da Arwing, do tanque Landmaster ou do submarino Blue Marine, passamos por obstáculos e disparamos contra vários tipos de inimigos até chegarmos ao bosse final de cada missão. Mesmo aqui, foram preservadas as suas bases, o ritmo de cada nível, os truques da Arwing e os próprios inimigos são iguais, embora tenham uma nova “pele” que faz parecer que estamos diante de um jogo novo.

Não falta variedade na jogabilidade.

Apesar da campanha ser relativamente curta, há uma boa variedade de planetas e de objetivos secundários que abrem caminhos para outros locais. Para aceder a eles, temos de cumprir requisitos específicos nas missões anteriores, o que nos leva a repetir os mesmos planetas para alcançarmos o rumo pretendido.

E é nesse ciclo de repetição que vamos aprendendo a dominar as nossas máquinas, principalmente a Arwing. A disparar no momento certo, a desviar melhor dos tiros com um Barrel Roll para manter a saúde da nave intacta ou até mesmo a encurralar os inimigos com o Somersault. Algo que podia estar melhor é a luta contra os bosses. O desafio mal se sente, a maioria é derrotada em poucos minutos quando não em segundos, bastando ter boa pontaria e bombas à disposição.

Esta aventura torna-se bastante mais cativante quando a partilhamos com um amigo, em que um fica com o papel de piloto e o outro assume a responsabilidade pela mira e pelos disparos com os joy-con 2 em modo rato. Isto dá azo a situações hilariantes e, pela primeira vez, senti que jogar com esta vertente de rato foi confortável, adequando-se perfeitamente a este jogo.

Um dos modos de Batalha.

Neste remake contamos ainda com dois novos modos, Desafio e Batalha. No primeiro, voltamos a visitar os mesmos locais do sistema Lylat, mas desta vez com várias metas que variam entre completar o nível com uma certa pontuação, salvar um companheiro ou derrotar inimigos com um tiro carregado. Pode ser particularmente interessante para quem quer passar mais tempo no universo de Star Fox e apreciar uma boa dose de dificuldade, já que nem todos os desafios são simples de completar.

No modo Batalha foi onde encontrei a maior parte da diversão quando decidi fazer uma pausa nas várias descobertas da campanha. Os confrontos de 4vs4 dividem-se entre a captura de zonas, recolha de energia e recuperação de mercadoria. Podem ser dinâmicas familiares para a maioria, mas que assentam que nem uma luva na jogabilidade de Star Fox. Há ainda a vantagem de podermos partilhar a experiência com amigos através do GameShare, o que é sempre positivo.

O elenco todo junto a preparar a sua próxima expedição.

Visualmente, temos nas mãos um título completamente renovado. Quando olhamos para o Star Fox da Nintendo 64, sabemos que para 1997 tinha um carisma indiscutível, mas temos de admitir que esta nova versão dada ao remake poderia ter sido menos realista. Não quero com isto dizer que desgoste do que foi feito pela Velan Studios, os modelos das personagens e os cenários dos planetas estão magníficos, carregados de detalhes e com um trabalho de iluminação que faz deste um dos títulos mais bonitos da Nintendo Switch 2. No entanto, preferia algo mais próximo do estilo anime, pois acho que encaixaria muito bem com a fantasia e os ambientes sci-fi deste universo.

Este remake inclui dobragem em vários idiomas, mas é pena que o português de Portugal tenha ficado de fora.

Outro aspecto digno de elogios é a banda sonora, sobretudo pela forma como consegue combinar muito bem com a temática espacial e trazer de volta as músicas icónicas de Star Fox 64. O voice acting em inglês e japonês é igualmente bem conseguido, proporcionando personalidade a cada um dos pilotos da Star Fox.

Regressar a Star Fox era algo que queria fazer há algum tempo, e este remake foi a forma indicada de o fazer. É divertido, acessível e ideal para receber novos jogadores na série. Obviamente que teria ficado melhor se tivessem arriscado um pouco mais, pois é uma proposta que soará demasiado familiar a quem já passou por esta aventura no passado. Ainda assim, fico feliz por ver a Nintendo agarrar nas suas pérolas e, quem sabe, ver os corajosos mercenários de volta numa aventura nova no futuro.

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