
Há um pormenor que a Samsung enterrou nas notas de rodapé do seu próprio site e que muda tudo o que se pensa saber sobre este smartphone, o Galaxy Z Fold8 não é o sucessor do Galaxy Z Fold7. Esse papel ficou para o Galaxy Z Fold8 Ultra. O Fold8 “normal” é, na prática, um produto novo, com um formato que a Samsung nunca tinha experimentado em série, pensado para quem olha para um dobrável tradicional e pensa que é demasiado alto, demasiado incómodo e demasiado caro. A pergunta que interessa não é se este é um bom sucessor do Fold7, porque não é suposto ser. É se este novo formato mais baixo e mais largo é, de facto, a versão de um dobrável que mais pessoas conseguem justificar comprar.
Antes de mais: o que é realmente o Galaxy Z Fold8
Durante anos, a família Z Fold da Samsung teve uma lógica simples, um modelo por ano, sempre no mesmo formato, sempre mais fino e mais leve do que o anterior. Esse ciclo quebrou-se em 2026. A Samsung dividiu a gama em três produtos distintos: o Galaxy Z Flip8, o mais compacto; o Galaxy Z Fold8 Ultra, que herda diretamente o ADN do Fold7, com ecrã de 8 polegadas, câmara teleobjetiva e o posicionamento de topo de gama absoluto; e o Galaxy Z Fold8, um dispositivo novo, com um formato mais baixo e largo, semelhante a um passaporte quando fechado.
Isto significa que comparar o Fold8 com o Fold7 não é uma comparação direta entre gerações, é uma comparação entre duas filosofias de produto diferentes que a Samsung decidiu vender ao mesmo tempo. Ao longo desta review isso fica claro, em várias áreas, sobretudo câmaras e ecrã, o Fold7 continua a ser tecnicamente superior. Mas o Fold8 não está a tentar bater o Fold7 nesses parâmetros. Está a tentar ser mais fácil de usar, mais leve e mais barato do que qualquer Fold “grande” alguma vez foi.

Design e construção
O Galaxy Z Fold8 pesa 201 gramas e mede 4,5 mm de espessura aberto e 9,7 mm fechado, com dimensões de 161,4 x 123,9 mm abertas e 81,9 x 123,9 mm fechado. É o Fold mais leve que a Samsung já produziu, e a diferença sente-se de facto no uso diário, não apenas na ficha técnica. Comparado com o Fold7, que pesava 215 gramas, a redução não parece grande no papel, mas ao segurar o aparelho numa mão durante uma chamada ou ao lê-lo na cama a diferença é percetível. O telefone deixa de se sentir como um bloco denso e passa a comportar-se mais como um smartphone topo de gama comum.
A grande mudança não está tanto no peso, mas sim na forma. Fechado, o Galaxy Z Fold8 não é alto e estreito como os Fold anteriores. É baixo e largo, com uma proporção de ecrã exterior de 10:16 que lembra mais um cartão ou um passaporte do que um telemóvel clássico. Isto tem consequências práticas, o ecrã exterior é mais fácil de alcançar com o polegar por inteiro, o teclado nesse ecrã é mais largo e confortável para escrever com as duas mãos.

A construção segue os padrões que a Samsung já tinha estabelecido, vidro Gorilla Glass Victus Ceramic 3 à frente quando fechado, Gorilla Glass Victus 2 na traseira, moldura em alumínio Advanced Armor e uma nova camada dupla de titânio, a que a Samsung chama Flex Titanium, sob o ecrã principal, para reforçar a resistência a impactos e reduzir a marca da dobra. A certificação de resistência é IP48, ou seja, proteção total contra objetos superiores a 1 mm e resistência à imersão até 1,5 metros durante 30 minutos. É a mesma protecção que o Fold7 oferecia, e continua a ficar atrás da certificação IP68 que a Google oferece no Pixel 10 Pro Fold, que garante resistência à poeira mais fina, como areia.
A dobradiça foi redesenhada para permitir uma abertura mais suave e uma moldura interior menos visível na zona da charneira. A diferença mais notada é a ausência quase total de resistência ao abrir o telefone, algo que em modelos mais antigos exigia normalmente um gesto mais forçado.

Dois ecrãs, duas experiências
Ecrã exterior
O ecrã exterior mede 5,5 polegadas na diagonal (5,4 polegadas considerando os cantos arredondados), com resolução de 1248 x 1972 píxeis, taxa de actualização adaptativa até 120 Hz e brilho de pico anunciado de 3000 nits. A proporção de 10:16 é o que realmente distingue este ecrã de todos os outros Fold já lançados, em vez de um retângulo alto e estreito, temos algo mais próximo de um cartão largo.
Na prática, isto resolve um dos maiores problemas dos Fold anteriores. Os ecrãs exteriores mais estreitos sempre obrigaram os teclados a espremerem-se numa faixa incómoda, o que tornava a escrita de mensagens mais longas frustrante. Aqui, o teclado tem espaço suficiente para ser genuinamente utilizável, e redes sociais como Instagram ou TikTok, feitas para ecrãs verticais convencionais, ganham mais respiração lateral. Em compensação, aplicações que não foram pensadas para esta proporção específica podem, por vezes, mostrar conteúdo cortado ou mal distribuído.

A resposta direta à pergunta que se impõe é sim, o ecrã exterior do Galaxy Z Fold8 é, finalmente, suficientemente confortável para ser usado como ecrã principal durante longos períodos, sem que se sinta necessidade constante de abrir o telefone. Isso já não acontecia com a mesma naturalidade nos Fold anteriores, cujo ecrã exterior servia sobretudo para tarefas rápidas.
Ecrã interior
O ecrã interior mantém as 7,6 polegadas, com tecnologia Dynamic AMOLED 2X LTPO, resolução de 2448 x 1848 píxeis, densidade de 403 ppi, taxa de actualização até 120 Hz, suporte para HDR10+ e o mesmo brilho de pico de 3000 nits. É ligeiramente mais pequeno do que as 8 polegadas do Fold7 e do novo Fold8 Ultra, mas a diferença mais relevante está na proporção: 4:3 em vez do formato mais quadrado dos Fold tradicionais.
Essa proporção 4:3 favorece claramente a leitura de documentos, mangá e livros, além de se comportar melhor com conteúdo de vídeo em formato widescreen do que o ecrã mais quadrado do Fold8 Ultra. A marca da dobra, graças à tecnologia Flex Titanium, é praticamente impercetível visualmente e só se nota ao toque, numa zona muito específica, quando se procura deliberadamente por ela. Isto representa uma melhoria genuína face ao Fold7, cuja dobra ainda era visível em determinados ângulos de luz.

A grande vantagem do formato Fold
A questão central de qualquer dobrável continua a ser esta, um ecrã maior é sempre melhor, ou só é útil em certos contextos?
No caso do Galaxy Z Fold8, a resposta é claramente contextual. Para consumo de vídeo, leitura de banda desenhada digital ou de documentos, o ecrã interior representa uma vantagem real e imediatamente sentida face a qualquer smartphone tradicional. A proporção 4:3, mais próxima da folha de um livro do que de um ecrã de cinema, favorece especificamente estes usos.
Para produtividade, a vantagem existe mas é mais condicional. O sistema de multitarefa permite agora usar até três aplicações em simultâneo, seja lado a lado na vertical, na horizontal, ou na disposição mais tradicional de uma aplicação a ocupar metade do ecrã e duas a dividirem a outra metade. Isto funciona bem para tarefas como comparar informação entre um e-mail e um documento, ou consultar redes sociais enquanto se assiste a um vídeo. Mas continua a ficar aquém do sistema de janelas mais livre que se encontra em tablets Android recentes, e claramente atrás do que o próprio Fold8 Ultra oferece, visto que a Samsung posiciona esse modelo, e não o Fold8, como a escolha pensada para trabalho intensivo.
Para jogos e edição de fotografia, o ecrã maior ajuda, mas não é decisivo, o que realmente importa nesses casos é o desempenho do processador, que se mantém excelente em ambos os modelos da gama. Ou seja, “mais ecrã” só se traduz em vantagem prática quando o conteúdo em causa foi pensado, ou se adapta bem, a um formato mais alargado. Em aplicações que ainda não foram otimizadas para este novo rácio, o ecrã grande pode até acabar por ser um luxo pouco aproveitado.

Desempenho e gaming
O Galaxy Z Fold8 é equipado com o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, fabricado num processo de 3 nanómetros, com GPU Adreno 840, o mesmo chip usado no Fold8 Ultra, o que garante que não há qualquer compromisso de desempenho por se tratar do modelo “mais pequeno” da gama. A memória RAM é de 12 GB nas versões de 256 GB e 512 GB, e sobe para 16 GB na versão de 1 TB.

O Galaxy Z Fold8 não tem qualquer problema em correr aplicações mais pesadas e jogos, sendo que aquece ligeiramente. Não é um problema que impeça o uso do telefone, mas é algo a monitorizar em sessões longas de jogos ou gravação de vídeo em 8K. Não é percetível uma degradação de desempenho, mas vão sentir o dispositivo mais quente nas vossas mãos.
Uma nota negativa para o som, quando aberto o Galaxy Z Fold8 fica com as suas duas colunas do lado esquerdo do ecrã, o que acaba por quebra a imersão ao consumir conteúdos, e é algo que definitivamente a Samsung terá de rever na próxima geração.

Câmaras
É aqui que o Galaxy Z Fold8 mais claramente “abdica” de terreno face ao Fold7 e ao Fold8 Ultra.
O sistema fotográfico do Fold8 é composto por uma câmara principal de 50 MP, sensor Samsung ISOCELL GN3 de 1/1,56 polegadas, abertura f/1.8, equivalente a 23 mm, com estabilização óptica e zoom óptico de 2x através de recorte no sensor, e uma câmara ultra angular também de 50 MP, com abertura f/1.9, equivalente a 13 mm. Não existe câmara teleobjetiva. As câmaras frontais são duas, uma no ecrã exterior e outra no interior, ambas com sensores de 10 MP e a mesma resolução, embora com distâncias focais diferentes: 23 mm na exterior e uma mais angular de 17 mm na interior.
Isto representa um recuo evidente face ao Fold7, que trazia uma câmara principal de 200 MP com o mesmo sensor usado no Galaxy S25 Ultra, uma ultra angular de 12 MP e uma teleobjetiva de 10 MP com zoom óptico de 3x e digital até 30x. Também fica atrás do novo Fold8 Ultra, que mantém a câmara principal de 200 MP, sobe a ultra angular para 50 MP e conserva a teleobjetiva de 10 MP com zoom de 3x.

Na prática, isso significa duas coisas. Primeiro, qualquer fotografia com zoom além do que o sensor consegue capturar opticamente perde qualidade de forma mais evidente do que no Fold7 ou no Fold8 Ultra. Segundo, em condições normais de luz, com o zoom principal ou grande angular, a qualidade é sólida, com cores mais naturais do que a Samsung costumava entregar em gerações anteriores, boa gestão de HDR e retratos competentes.
Em vídeo, o Galaxy Z Fold8 grava até 8K a 30 fps ou 4K a 60 fps, e traz a funcionalidade Super Steady com bloqueio horizontal, que estabiliza gravações em movimento à custa de alguma resolução, com resultados convincentes.
Respondendo diretamente à questão que este produto obriga a colocar, por este preço, o sistema fotográfico do Galaxy Z Fold8 não está ao nível dos melhores smartphones tradicionais da mesma gama de preço, nem do seu próprio irmão mais caro. É um sistema competente para o dia a dia, mas claramente inferior ao que a Samsung oferece no Galaxy S26 Ultra, sobretudo pela ausência de teleobjetiva. A vantagem do Galaxy Z Fold8 não é a câmara. É tudo o resto à volta dela.

Bateria e carregamento
A bateria do Galaxy Z Fold8 tem 4800 mAh, com tecnologia de silício-carbono, que permite maior densidade energética face às baterias de iões de lítio tradicionais. É uma subida face aos 4400 mAh do Fold7, apesar do corpo mais fino e mais leve, precisamente graças a esta mudança de química da bateria. O carregamento com fios sobe de 25W no Fold7 para 45W no Fold8, o carregamento sem fios mantém-se nos 20W, e existe também carregamento reverso sem fios de 4,5W.
Na nossa experiência, com um carregador compatível, o Galaxy Z Fold8 faz um carregamento total em aproximadamente 1 hora. Em utilização mista, com alternância entre os dois ecrãs, ecrã sempre ligado activado e sem carregar durante a noite, o smartphone dura tipicamente entre um dia e um dia e meio.
Comparada com o Fold7, a autonomia é claramente superior, ajudada pela combinação de bateria maior, processador mais eficiente e ecrãs mais pequenos. Ainda assim, continua a ficar atrás de concorrentes com baterias maiores. É uma melhoria real, mas não elimina por completo aquilo que ainda é o principal ponto fraco histórico da família Fold: a autonomia mais limitada face a smartphones tradicionais topo de gama.

Software, One UI e Galaxy AI
O Galaxy Z Fold8 chega com Android 17 e One UI 9, com a Samsung a prometer, tal como no resto da gama Galaxy topo de gama, várias gerações de actualizações major, alinhando o Fold8 com o compromisso mais longo de suporte que a marca tem vindo a assumir nos seus dispositivos principais.
Entre as funcionalidades adaptadas especificamente para os dobráveis desta geração está o Now Nudge, que sugere de forma discreta abrir uma aplicação em ecrã dividido consoante o que está a ser mostrado no ecrã, e o Multi-Window com suporte para três aplicações simultâneas. Ambas funcionam de forma consistente, sem impacto negativo notável na fluidez do sistema.
Estão claro presentes as ferramentas de edição fotográfica com IA, incluindo remoção de objectos e ajustes automáticos, que continuam a ser das mais usadas no dia a dia por serem simples, rápidas e não dependerem de contexto específico.

Produtividade
Como ferramenta de produtividade, o Galaxy Z Fold8 posiciona-se deliberadamente um degrau abaixo do Fold8 Ultra, que a própria Samsung apresenta como a escolha para quem quer “trabalhar, jogar de forma envolvente e executar várias tarefas em simultâneo”. Ainda assim, o Fold8 continua a ser mais capaz nesta área do que qualquer smartphone tradicional.
Escrever documentos longos no Google Docs com o teclado aberto no ecrã interior permite ver quase o dobro das linhas de texto face ao uso na orientação normal, mantendo o teclado dividido para facilitar a digitação com os dois polegares. Copiar e colar entre aplicações, arrastar ficheiros entre janelas e alternar rapidamente entre e-mail, navegador e notas funciona de forma fluida graças ao Multi-Window.
O Galaxy Z Fold8 pode substituir parcialmente um tablet pequeno, sobretudo para leitura, consumo de conteúdo e tarefas de produtividade ligeira, mas não substitui um computador portátil nem sequer o próprio Fold8 Ultra para trabalho mais exigente.

Experiência de utilização
Depois de vários dias de uso, o Galaxy Z Fold8 revela-se confortável no bolso de uma forma que nenhum Fold anterior conseguiu ser. A combinação de peso reduzido, espessura contida e uma pegada mais larga mas mais baixa faz com que o smartphone deixe de se sentir como um objecto volumoso a incomodar durante o dia.
O ecrã exterior é suficientemente confortável para tarefas do dia a dia sem necessidade constante de abrir o telefone, algo que representa uma mudança real de comportamento face aos Fold anteriores, onde abrir o telefone dezenas de vezes por dia se tornava uma rotina quase obrigatória.
O ecrã interior muda genuinamente a forma como se consome conteúdo, especialmente vídeo em formato widescreen e leitura, mas não transforma de forma significativa a experiência de redes sociais, que continuam otimizadas para ecrãs verticais estreitos e por isso funcionam melhor no ecrã exterior deste modelo específico.
A dobradiça inspira confiança, com uma sensação de firmeza ao abrir e fechar que representa uma melhoria clara face a gerações anteriores. O vinco do ecrã interior deixou de ser um problema visual relevante, sendo praticamente impercetível a olho nu e só notado ao toque em condições muito específicas.
A grande questão que fica por responder de forma definitiva é se o formato dobrável, mesmo neste novo formato mais fácil de usar, justifica sempre as concessões que continua a implicar, uma câmara mais limitada, uma autonomia ainda atrás de smartphones tradicionais e um preço muito acima da média. Para quem valoriza sobretudo portabilidade e consumo de conteúdo, a resposta tende a ser sim. Para quem prioriza fotografia ou autonomia máxima acima de tudo, a resposta continua a ser não.

Preço e relação qualidade/preço
Em Portugal, o Galaxy Z Fold8 está disponível diretamente na Samsung a partir de 2069,90 € para a versão de 256 GB, subindo para 2269,90 € na versão de 512 GB e 2669,90 € na versão de 1 TB, sempre com 12 GB de RAM nas duas primeiras opções e 16 GB na versão de topo. É um preço de entrada inferior ao que o Fold7 teve no lançamento.
O que se está efetivamente a pagar com este preço é, sobretudo, a tecnologia de dobradiça e ecrã dobrável em si, um processador topo de gama sem qualquer compromisso, um ecrã interior de grande qualidade e uma bateria com tecnologia mais recente. O que não se está a pagar, ao contrário do que aconteceria com outro smartphone Samsung no mesmo intervalo de preço, é um sistema de câmaras topo de gama, por este valor, seria expectável encontrar pelo menos uma câmara teleobjetiva, que aqui está ausente.
O Galaxy Z Fold8 oferece valor suficiente para quem procura especificamente o novo formato mais compacto e não valoriza a fotografia como prioridade máxima. Para quem procura o melhor equilíbrio possível entre ecrã, câmara e bateria dentro da própria gama Samsung, o Fold8 Ultra continua a ser, apesar do custo adicional, a opção com melhor relação entre o que entrega e o que custa.

Vale a pena comprar o Galaxy Z Fold8?
Voltando à pergunta central que motivou esta review, vale realmente a pena comprar um Galaxy Z Fold8 em vez de um smartphone topo de gama tradicional?
Para quem valoriza sobretudo consumo de vídeo, leitura e um formato mais fácil de usar com uma mão fechado, a resposta tende a ser sim, algo que nenhum smartphone tradicional consegue replicar. Para quem prioriza fotografia, autonomia máxima ou simplesmente quer o melhor desempenho possível pelo dinheiro investido, um smartphone topo de gama tradicional, como o Galaxy S26 Ultra, continua a ser a escolha mais racional, sem as concessões que qualquer dobrável ainda implica.
Para quem é realmente feito o Galaxy Z Fold8? Para quem já olhou para os Fold anteriores e achou o formato demasiado incómodo no dia a dia, mas continua fascinado pela ideia de ter um ecrã maior disponível quando necessário. Não é feito para fotógrafos exigentes, nem para quem procura a máxima autonomia possível, nem sequer para quem quer o Fold mais capaz que a Samsung produz, esse continua a ser o Fold8 Ultra.
Veredicto
Quem deve comprar o Galaxy Z Fold8? Quem quer experimentar um dobrável pela primeira vez sem se comprometer com o formato mais tradicional e mais incómodo dos Fold anteriores, e quem valoriza sobretudo portabilidade, vídeo e leitura acima de fotografia.
Quem não deve comprar o Galaxy Z Fold8? Quem prioriza câmaras acima de tudo, quem já possui um Fold8 Ultra ou equivalente, e quem tem um orçamento apertado, visto que continua a ser um investimento avultado.
Quem tem um Fold7 deve actualizar? Na generalidade dos casos, não. A troca implica perder câmara e área de ecrã em favor de ganhos de autonomia e desempenho que, por si só, raramente justificam o custo da mudança.
Quem tem um Fold6 ou modelo anterior deve actualizar? Aqui a resposta já é mais favorável, sobretudo para quem procura especificamente o novo formato e valoriza os ganhos acumulados em bateria, processador e software ao longo de várias gerações.
Quem vem de um smartphone tradicional deve comprar? Só se o formato dobrável, com as suas limitações actuais de câmara e autonomia, for genuinamente um factor de motivação, e não apenas curiosidade.
O Fold8 pode substituir um tablet? Parcialmente, sobretudo para leitura e consumo de conteúdo, mas não para trabalho mais exigente. Pode substituir parcialmente um portátil? Não de forma satisfatória, essa continua a ser uma tarefa mais adequada ao Fold8 Ultra, com o seu maior foco em produtividade.
É melhor do que os principais concorrentes? Não tem, para já, um concorrente directo no mesmo formato, o que torna essa comparação prematura. Face aos dobráveis tradicionais, perde em câmara e autonomia, mas ganha em portabilidade.
A maior vantagem do Galaxy Z Fold8 é, sem margem para dúvida, o equilíbrio entre um ecrã grande disponível quando necessário e um corpo fechado genuinamente confortável no dia a dia, algo que nenhum Fold anterior tinha conseguido atingir. A maior desvantagem é a ausência de câmara teleobjetiva a um preço que, historicamente, sempre incluiu esse tipo de equipamento nos smartphones topo de gama da Samsung.
O preço é justificável? Apenas para quem valoriza especificamente aquilo que este formato oferece. Para a maioria dos compradores, o Fold8 Ultra continua a fazer mais sentido financeiro, dado que a diferença de preço em Portugal é relativamente pequena face ao que se ganha em especificações.
O Galaxy Z Fold8 é um produto coerente e bem executado dentro daquilo que se propõe a ser, mas não daquilo que o seu nome sugere. Não é o sucessor do Fold7, é uma alternativa mais leve, mais compacta e mais acessível dentro da mesma família, com concessões claras ao nível da fotografia que qualquer comprador precisa de compreender antes de decidir.











