
Seis anos depois de ter eliminado por completo os períodos experimentais gratuitos, a Netflix está a testar o regresso desta funcionalidade em alguns mercados. A confirmação partiu da própria empresa, que garantiu estar atualmente a explorar a reintrodução de períodos gratuitos em países selecionados, fora dos Estados Unidos e do Reino Unido.
De acordo com a informação recolhida, a duração destes períodos experimentais pode variar consoante o mercado, e a oferta está limitada a quem nunca teve conta na plataforma. Questionada sobre o assunto, uma porta-voz da Netflix respondeu de forma direta: “Testamos regularmente promoções para ajudar os potenciais membros a experimentar o valor da Netflix”.
Vale recordar que o período experimental de 30 dias foi, durante anos, a porta de entrada mais comum para quem queria experimentar a plataforma antes de se comprometer com uma subscrição paga. A funcionalidade começou a ser retirada no Reino Unido ainda em 2019, alastrando depois a nível global ao longo de 2020. Nessa altura, um responsável da empresa justificou a decisão citando a intenção de “explorar diferentes promoções de marketing nos Estados Unidos para atrair novos membros e proporcionar-lhes uma boa experiência na Netflix”.
Como alternativa ao período experimental, a Netflix chegou a lançar em 2020 um portal chamado Watch Free, que disponibilizava sem qualquer registo uma seleção de filmes originais e os primeiros episódios de séries populares. Desde então, a empresa nunca deixou de testar novas formas de captar assinantes, ainda que por vias menos óbvias que o tradicional trial gratuito.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu este ano, quando a Netflix adquiriu os direitos do World Baseball Classic no Japão, uma jogada pensada para tirar partido de hábitos de consumo televisivo já enraizados na região e conquistar um público que normalmente não procuraria um serviço de streaming tradicional. A esse evento associou também um desconto no primeiro mês de subscrição para quem se inscrevesse no país.
A pergunta que se impõe é porque razão a Netflix está a voltar a testar este modelo precisamente agora. Depois de ultrapassar recentemente os 325 milhões de assinantes a nível global, a empresa já opera a uma escala enorme, mas continuar a crescer, tanto dentro como fora dos seus mercados tradicionais, implica convencer quem ainda nunca aderiu ao serviço. E para essas pessoas, pagar desde o primeiro dia pode continuar a ser um obstáculo relevante. Ao retirar temporariamente a barreira do pagamento, a Netflix dá a quem está indeciso a oportunidade de experimentar na prática aquilo que a plataforma tem para oferecer, desde um catálogo de filmes e séries que, na maioria dos mercados, varia entre 6 mil e 10 mil títulos, até às apostas mais recentes em videojogos, podcasts e conteúdos ao estilo YouTube, sem esquecer as experiências renovadas em telemóvel e televisão.
O objetivo deste teste passa por perceber se o período experimental continua a ser o melhor gancho para captar novos assinantes. Assim que este termina, os utilizadores podem transitar facilmente para qualquer um dos planos pagos da Netflix. Tal como acontece com outros testes A/B da empresa, entre os quais a recente reformulação do design do site, a Netflix vai analisar os dados recolhidos antes de decidir se alarga esta funcionalidade a mais mercados.









