
O Corpo de Bombeiros da cidade de Inazawa, na Prefeitura de Aichi, no Japão, anunciou a 10 de abril a suspensão de um sargento na casa dos 40 anos por um período de um mês. O motivo, ter coagido colegas a jogar jogos de tabuleiro que ele próprio criou, durante o horário de serviço, ao longo de seis meses.
Para além do sargento, foram emitidas repreensões escritas aos nove elementos que participaram nas sessões, incluindo, num detalhe que amplificou o interesse público, um comandante de categoria superior que também tomou parte nos jogos.
Dez jogos em papel e 35 horas de jogo
Os jogos em questão eram mais de dez, todos criados pelo próprio sargento em folhas de papel em branco, com regras inspiradas em mecânicas de cartas e de associação de palavras. As sessões decorreram entre julho de 2024 e janeiro de 2025, incluindo os períodos de descanso noturnos previstos no horário. Um dos elementos chegou a participar 14 vezes, acumulando um total de 35 horas.
Os colegas que recusaram jogar foram alvo de tratamento diferenciado por parte do sargento. Quando o caso foi denunciado por um trabalhador em janeiro de 2025, o sargento organizou um esforço conjunto para encobrir os acontecimentos e falsificar os registos de serviço. Questionado pelos investigadores, afirmou que as sessões tinham como objetivo fortalecer a coesão da equipa, e manifestou “profundo” arrependimento pelas suas ações.
Não houve troca de dinheiro em nenhuma das sessões, o que afasta qualquer enquadramento de jogo a dinheiro. Para as redes sociais japonesas, essa foi precisamente a informação que acendeu a curiosidade. Utilizadores no X começaram a especular que o sargento poderia ter estado a usar os colegas como testadores involuntários para jogos que pretendia desenvolver comercialmente. Outros, perante o encobrimento organizado, concluíram que os jogos deviam ser genuinamente divertidos e que todos estavam secretamente dispostos a jogar.
O facto de o próprio comandante, de escalão superior ao sargento, ter participado nas sessões e ter sido igualmente repreendido é o elemento que mais alimenta as teorias alternativas, e que torna este caso algo difícil de enquadrar apenas como uma situação típica de abuso hierárquico.









