
A Kodansha, a editora japonesa responsável por séries como Attack on Titan, Tokyo Revengers e Blue Lock, lançou oficialmente o KMA Award: Mangaka Discovery, aquele que descreve como o seu maior concurso global de sempre para descobrir novos talentos. As candidaturas abriram a 20 de abril de 2026 e estão disponíveis a criadores de qualquer país e nível de experiência, sem custos de inscrição.
A iniciativa é lançada através da Kodansha Manga Academy, a plataforma digital da editora dedicada a aspirantes a mangaká.
Como funciona e o que se pode ganhar
Para participar, é necessário submeter um mangá original entre 8 e 60 páginas, escrito em inglês ou japonês. Todas as submissões serão avaliadas por editores dos sete departamentos de mangá da Kodansha, o que significa que mesmo um criador sem qualquer publicação anterior tem a possibilidade de colocar o seu trabalho diante das equipas responsáveis por algumas das maiores séries da indústria.
Os prémios estão estruturados da seguinte forma:
- Grande Prémio (até sete vencedores): ¥300.000 (cerca de 2.000 dólares), um editor dedicado da Kodansha, publicação nas plataformas digitais K MANGA e Comic Days, e convite para uma cerimónia em Tóquio com viagem e alojamento pagos
- Prémio de Encorajamento: atribuição de um editor dedicado da Kodansha
- Top 100 (primeiros classificados): feedback individualizado de um editor profissional da Kodansha
O prazo de candidatura termina a 22 de julho de 2026 às 23h59 (hora de Tóquio). A submissão é gratuita e pode ser feita em manga-academy.kodansha.com/award/mangaka-discovery.
Sem garantias, mas com honestidade
A Kodansha foi direta sobre o que o prémio representa, e o que não representa. No comunicado oficial, a editora escreveu: “Sejamos claros: ganhar este prémio não garante serialização. Se irás estrear como mangaká profissional depende da qualidade do trabalho que criares com o teu Henshusha (editor) depois de ganhar. Se estiveres pronto para dar tudo, a Kodansha vai corresponder a essa energia em cada passo do caminho”.
Esta transparência é pouco comum em concursos do género, mas faz sentido no contexto da indústria do mangá japonesa, mesmo os criadores que passam pelas editoras tradicionais costumam trabalhar durante anos com um editor antes de conseguirem uma serialização regular.
Uma mudança de postura da indústria
O concurso não surgiu do nada. A Kodansha tinha já anunciado, num painel em outubro de 2025, a intenção de lançar um prémio internacional “no início de 2026”. Na altura, os editores reconheceram que quase todos os concursos da indústria exigiam submissões em japonês, uma barreira que excluía a esmagadora maioria dos criadores fora do Japão.
A Kodansha não é a única editora a avançar nesta direção, a Shueisha abriu nos últimos anos uma plataforma de prémios mensais para criadores de língua inglesa e espanhola através do Manga Plus, e a Kadokawa realizou um concurso internacional de mangá sem palavras. A diferença agora é a escala e o comprometimento direto da maior editora de mangá do mundo.
Em paralelo ao concurso, a Kodansha lançou também um servidor oficial no Discord dedicado à comunidade KMA, onde os aspirantes a criadores podem interagir com editores da empresa e partilhar trabalho entre si.









