
O problema dos scalpers no mercado de cartas colecionáveis não é novidade, mas as soluções têm sido poucas e pouco eficazes. Uma loja de eletrónica no centro de Tóquio decidiu mudar isso com uma abordagem que, apesar de pouco convencional, parece estar a funcionar, um quiz obrigatório sobre Pokémon.
A Bic Camera, cadeia japonesa de eletrónica e entretenimento com uma das maiores lojas do país em Ikebukuro, implementou a medida na sua filial de Ikebukuro Nishiguchi para controlar a venda dos packs da expansão Ninja Spinner do Pokémon Trading Card Game. Lançada no Japão a 13 de março de 2026, a expansão tornou-se alvo imediato de revendedores, em grande parte devido à popularidade do Mega Greninja ex, a carta mais cobiçada do conjunto.
A regra é simples, quem não passar no teste não compra. Um cartaz afixado na secção de cartas colecionáveis da loja deixa claro que “as vendas estarão limitadas a compradores que respondam corretamente às perguntas do quiz”. Segundo informação partilhada no X pelo utilizador Ryo Saeba, o teste inclui 15 perguntas básicas sobre o universo Pokémon, como identificar espécies pelo aspeto, selecionadas aleatoriamente de um conjunto maior, o que dificulta a memorização prévia das respostas. Para além disso, o cartaz adverte que qualquer tentativa de fotografar as perguntas resultará na suspensão imediata das vendas. As perguntas são em japonês.
Vários revendedores já falharam o quiz e saíram da loja de mãos a abanar.
池袋西口のビックカメラでポケモンクイズに答えられた人だけがポケモンカード買えた。階段で必死に覚えるベトチャイたくさんいたけどクイズは15問くらいあってランダムの出題だから誰一人買えてなかった。次々に撃沈してあきらめて去っていくベトチャイの顔が忘れられない。全店舗でやってくれ!!! pic.twitter.com/gN567Od3rg
— くま (@kuma_kuma00000) April 27, 2026
O quiz é apenas uma das várias barreiras introduzidas pela Bic Camera. Para comprar os pacotes Ninja Spinner, os clientes têm também de apresentar um cartão de pontos da loja ou ter a aplicação instalada no telemóvel, o que permite ao pessoal verificar o histórico de compras e detetar padrões suspeitos. Acresce ainda um limite de uma caixa por cliente (cada caixa contém 30 packs), e o cartaz indica explicitamente que “a compra com o objetivo de revenda é estritamente proibida”. Por fim, como medida de último recurso, a loja remove o plástico de proteção e as secções perfuradas da embalagem no momento da venda, reduzindo o valor comercial do produto no mercado de revenda.
O problema que a Bic Camera tenta resolver não é novo. Em anos anteriores, a procura excessiva chegou a obrigar alguns retalhistas a deixar de vender cartas Pokémon, dada a pressão que os lançamentos geravam tanto nos funcionários como nos clientes. A lógica por trás do quiz é precisamente essa, os revendedores compram cartas pela sua rentabilidade no mercado secundário, não por interesse genuíno na franquia e um fã verdadeiro raramente terá dificuldade em identificar uma dúzia de Pokémon.
A reação da comunidade tem sido maioritariamente positiva, com muitos utilizadores nas redes sociais a desejar que os retalhistas nos seus países adotassem medidas semelhantes.









