
Quando a Sony adquiriu a Bungie em 2022 por 3,6 mil milhões de dólares, muitos não viram com bons olhos o negócio. A narrativa dominante era simples, a Sony entrou de rompante, pagou demasiado e depois geriu de forma desastrosa o que comnprou, primeiro ao deixar Destiny 2 perder vigor, depois ao apostar tudo num Marathon que não correspondeu às expectativas.
Mas essa versão da história pode estar incompleta. E quem veio desfazê-la foi Liana Ruppert, antiga community manager da Bungie.
“Esta luta já vinha de antes da Sony”
Tudo começou com um post de SamiKat no X, em que a criadora de conteúdos criticava o encerramento do suporte a Destiny 2 e argumentava que a Sony não dera ao jogo uma oportunidade justa. A publicação gerou polémica, e foi o suficiente para Ruppert entrar na conversa com informação que poucos esperavam ouvir.
“Esta luta já vinha de antes da Sony”, escreveu a antiga funcionária:
“A Bungie estava abaixo da linha vermelha antes da aquisição pela Sony. Se não tivesse sido adquirida naquele momento, o estúdio estava muito perto de fechar as portas, pelo menos no que diz respeito a Destiny. Foi uma aquisição de emergência”.
Ruppert, que foi despedida em outubro de 2023 numa das vagas de despedimentos que afetou a Bungie, não é novata nestas revelações. Em ocasiões anteriores, já tinha afirmado que “muito dinheiro não foi para Destiny” devido à “ganância” da liderança do estúdio. Desta vez, o alvo do seu depoimento foi mais amplo, os problemas da Bungie eram estruturais e anteriores à chegada da Sony.
O depoimento de Ruppert não tem documentação formal que o sustente, mas os relatórios financeiros da Sony não facilitam uma leitura mais favorável do negócio. Durante o ano fiscal encerrado a 31 de março de 2026, a Sony registou duas imparidades separadas sobre o valor dos ativos da Bungie, cerca de 201 milhões de dólares no segundo trimestre, ligados ao fraco desempenho de Destiny 2, e mais 565 milhões no quarto trimestre, após o lançamento de Marathon em março de 2026. No total, a Sony reconheceu formalmente que a Bungie vale agora aproximadamente 765 milhões de dólares menos do que o que pagou por ela.
A própria Bungie separou-se da Activision em 2019 para passar a publicar Destiny 2 por conta própria, uma decisão que lhe conferiu independência mas que também lhe colocou nas mãos todos os custos de manter um shooter de serviço contínuo. O jogo não foi um sucesso imediato, foi crescendo ao longo dos anos, mas a base de jogadores foi encolhendo, as polémicas com microtransações e preços multiplicaram-se, e os despedimentos internos foram acumulando sinais de um estúdio que procurava desesperadamente um porto de abrigo. A Sony comprou-o em 2022, o que, na leitura de Ruppert, chegou mesmo a ser o que evitou o colapso.
O fim de Destiny 2 e o que vem a seguir
A 9 de junho de 2026, Destiny 2 recebeu a sua última atualização de conteúdo, intitulada Monument of Triumph. O jogo continua acessível e jogável, mas sem novos conteúdos, expansões ou temporadas à vista. Não houve anúncio de Destiny 3. O único título mencionado pela Bungie como passo seguinte é Marathon, o extraction shooter lançado em março de 2026, que ficou aquém dos objetivos comerciais da Sony.
Sobre o futuro do estúdio, Ruppert preferiu não arriscar previsões. Mas foi clara numa coisa, a comunidade de Marathon tem recebido os desenvolvimentos do jogo de forma positiva, e quem ainda tem esperança na Bungie faria bem em apoiar os criadores diretamente, sem se perder na raiva por decisões empresariais que estão fora do seu controlo.
A Sony e a Bungie não responderam publicamente às declarações de Ruppert.








