
A Electronic Arts voltou a dispensar funcionários. Desta vez, os cortes afetaram trabalhadores remotos nos EUA e parte do escritório de Hyderabad, na Índia, em áreas como recrutamento, apoio ao cliente, trust and safety e tecnologias de informação. O número exato de despedimentos não foi divulgado, mas o Kotaku confirmou a situação através de fontes internas e de uma dúzia de publicações públicas de trabalhadores afetados. Alguns dos funcionários dispensados do escritório de Hyderabad tinham mais de dez anos de casa.
Esta não é a primeira, nem a segunda, ronda de despedimentos na EA em 2026. Em março, a empresa tinha dispensado cerca de 300 trabalhadores das equipas associadas ao universo Battlefield, incluindo os estúdios DICE, Criterion, Ripple Effect e Motive, e isto apesar de Battlefield 6 ter sido o jogo premium mais vendido nos EUA em 2025.
Num e-mail enviado à equipa de Fan Care da EA, o departamento de apoio ao cliente, um responsável interno justificou as mudanças com a necessidade de “adaptar a forma como trabalhamos para melhor responder às necessidades em mudança dos fãs”. O mesmo documento acrescentava: “Como parte desta evolução, estamos a fazer ou a propor fazer alterações a algumas funções, a criar novas funções e a transferir determinados trabalhos para outras equipas, localizações ou parceiros de serviço”.
Por enquanto, as funções de desenvolvimento de jogos parecem não estar afetadas, mas, esta situação pode mudar à medida que o fecho da venda se aproxima.
A sombra da aquisição de 55 mil milhões
O pano de fundo de todos estes movimentos é a maior aquisição alavancada da história corporativa. A 29 de setembro de 2025, a EA anunciou um acordo de venda a um consórcio composto pelo Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, pela firma de private equity Silver Lake e pela Affinity Partners, empresa fundada por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. A transação foi avaliada em aproximadamente 55 mil milhões de dólares, com os acionistas a aprovarem o negócio em dezembro de 2025. O fecho está dependente de aprovações regulatórias, incluindo uma deadline da União Europeia marcada para 22 de julho.
Se concluída, a operação tornará o PIF proprietário de 93,4% da EA, mantendo a empresa com uma dívida de cerca de 20 mil milhões de dólares, montante financiado principalmente pelo JPMorgan Chase. A EA afirmou publicamente que manterá o controlo criativo sobre os seus jogos após a venda.
O peso dessa dívida é considerado por vários analistas como o verdadeiro motor por detrás dos cortes. Cortar custos de pessoal rapidamente é geralmente a forma mais rápida de servir uma dívida desta dimensão. Uma EA privada e endividada pode também tornar-se menos propensa a arriscar em novas propriedades intelectuais.
O negócio não passou sem críticas. No início do ano, mais de 40 congressistas democratas assinaram uma carta a pedir ao FTC que examinasse a aquisição, alegando riscos para os trabalhadores e para o mercado. Os senadores Richard Blumenthal e Elizabeth Warren expressaram igualmente preocupações sobre o impacto da operação na indústria. O interesse do PIF na EA está alinhado com a estratégia saudita Vision 2030, que aposta no entretenimento e nos videojogos como motores de diversificação económica.
A EA registou receitas líquidas de 7,5 mil milhões de dólares no ano fiscal que terminou em março de 2026, um crescimento de 1% face ao ano anterior.









