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CEO da Xbox disse que Call of Duty é maior do que o Universo Cinematográfico Marvel e os números são mais próximos do que parece

Xbox tem mais de 12 adaptações em desenvolvimento: Gears of War, Sea of Thieves e mais

Numa grande reportagem da Entertainment Weekly publicada a 22 de junho, a propósito do 25.º aniversário da Xbox, Asha Sharma fez uma afirmação que não passou despercebida: Call of Duty é maior do que o Universo Cinematográfico Marvel. É o tipo de declaração que parece impossível à primeira vista até se começar a olhar para os números.

Quem é Asha Sharma e de onde veio esta entrevista

Sharma assumiu o cargo de CEO da Xbox a 23 de fevereiro de 2026, sucedendo a Phil Spencer após a sua reforma. Vinda da divisão CoreAI da Microsoft, sem historial profissional na indústria dos videojogos, recebeu desde o início uma atenção intensa e nem sempre benevolente.

O tema central da reportagem era o volume de adaptações em desenvolvimento, segundo a publicação, a Xbox tem atualmente mais de uma dúzia de projetos cinematográficos e televisivos em curso. Já se sabia de alguns, a terceira temporada de Fallout, a sequela de A Minecraft Movie, a série animada e o filme de Gears of War na Netflix. O que era novidade foi a confirmação de que Sea of Thieves vai ter um filme live-action, com Destin Daniel Cretton (realizador de Shang-Chi e Spider-Man: Brand New Day) como produtor. Um Call of Duty em formato de longa-metragem também está em desenvolvimento.

Matt Booty, vice-presidente executivo e diretor de conteúdo da Xbox, falou com evidente satisfação sobre o projeto de Gears of War na Netflix, e Todd Howard voltou a abordar a terceira temporada de Fallout, que vai explorar territórios nunca antes vistos nos jogos.

A frase que está a dar que falar

Foi no meio de toda esta conversa sobre adaptações que Sharma fez a afirmação mais comentada da entrevista:

“Se pensar bem, temos o segundo programa mais visto de sempre na Amazon (Fallout), Minecraft ficou no top 5 em 2025, Call of Duty é maior do que o Universo Cinematográfico Marvel. Por isso, tudo se mede. Há mais apetite para trabalhar connosco em títulos do que alguma vez houve”.

A declaração ficou assim, sem qualquer dado concreto a sustentá-la. Sharma não especificou em que métrica se baseava, receita, audiência, alcance cultural, o que deixa a afirmação num terreno ambíguo.

Mas os números são mesmo assim tão distantes?

A comparação direta entre as duas franquias é mais equilibrada do que pode parecer, embora dependa muito do que se coloca na balança.

Do lado do MCU, os filmes acumulam mais de 31,5 mil milhões de dólares em bilheteira mundial, um número extraordinário para qualquer padrão cinematográfico, e que não inclui merchandising, licenciamento, streaming nem receitas físicas.

Do lado de Call of Duty, a Activision confirmou em 2022 que a franquia tinha ultrapassado os 30 mil milhões de dólares em receita acumulada desde 2003, contando vendas de jogos, microtransações e conteúdo adicional. Estimativas mais recentes, baseadas em dados parciais de títulos posteriores como Black Ops 6, apontam para valores acima dos 35 mil milhões.

O problema é que as métricas não são equivalentes. A bilheteira do MCU é apenas uma parte do seu ecossistema financeiro, a Marvel gera receitas consideráveis adicionais em produtos licenciados, séries de streaming e parques temáticos. Call of Duty, por outro lado, gera receita sobretudo através de vendas diretas e de um modelo de live service com cosméticos e battle passes que se tornou numa das mais lucrativas máquinas de monetização do entretenimento moderno.

O que Sharma estava claramente a tentar comunicar é que a Xbox tem franquias com uma dimensão financeira comparável ao que a Marvel representa para o cinema, e, nesse ponto, os números não desmentem completamente a afirmação, mesmo que a formulação seja mais provocatória do que rigorosa.

Wolfenstein The New Order - visual PSN

Halo, Wolfenstein e a aposta na cultura pop

Para além das franquias mais óbvias, Booty abriu a porta a mais adaptações de Halo no futuro: “Halo é, antes de mais, uma das nossas maiores franquias. É icónico para a Xbox, e vamos certamente continuar a investir”.

A série original de Halo na Paramount+ foi cancelada em 2024 após duas temporadas com receção crítica muito dividida, pelo que qualquer regresso desta IP ao audiovisual seria visto como uma segunda tentativa.

Entre os projetos confirmados está também uma série televisiva de Wolfenstein na Amazon, que se junta ao universo em expansão que a Xbox está a construir fora dos ecrãs de jogo.

A estratégia não é nova, a Nintendo, a Sony e outras grandes do setor têm estado a apostar cada vez mais em adaptações. Mas a velocidade e o volume com que a Xbox está a avançar, mais de uma dúzia de projetos em simultâneo, é um sinal claro de que Sharma vê o entretenimento audiovisual como um pilar central da identidade da marca, e não apenas como um complemento.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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