Após o lançamento do mais recente jogo da série Atelier, Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land a 21 de Março de 2025, foi agora em Junho de 2026 lançada a edição para a Nintendo Switch 2, pelo que nós fomos convidados a experimentar e ver o que achamos.
Para quem não conhece a série, Atelier é uma longa franquia de JRPGs da Gust que se distingue pelos seus sistemas de alquimia e criação de itens. Enquanto muitos RPGs colocam o combate ou a narrativa em primeiro plano, Atelier sempre deu uma importância especial à recolha de materiais, à criação de equipamento e à gestão dos recursos do jogador.
Atelier Yumia mantém essa filosofia, ainda que a combine com uma estrutura muito mais focada na exploração de grandes áreas abertas do que alguns dos seus antepassados.

Na verdade, embora eu sempre tivesse um certo interesse, nunca joguei um jogo desta série, pelo que isto será uma boa oportunidade para o fazer.
Só que…
Porque é que a performance técnica deste jogo é tão má???
Eu jogo com a Switch 2 em modo handheld. Sempre o fiz. Se eu quiser jogar jogos na minha TV, tenho a minha PS5 para isso. E este é possivelmente o pior jogo em termos de performance que vi até agora.
O framerate está no lixo. Os gráficos estão super pixelizados e comprimidos. As animações são… medíocres. Estou a ver as cutscenes e a pensar como é que um jogo que saiu em 2025 tem um ar tão pouco polido e cuidado.
E atenção, eu não sou propriamente uma pessoa que liga muito a gráficos. Cresci a jogar JRPGs na PS2. Jogo regularmente coisas que já têm vinte anos. Mas aqui é difícil ignorar. Estou constantemente a reparar na resolução baixa, nas texturas estranhas e no aspecto geral da imagem. Não é uma questão de não ser um jogo bonito, porque é, os character designs e os ambientes são atrativos, só parece mesmo só que correu alguma coisa mal pelo caminho.

Mas, isto são relatos comuns de ouvir, ao pesquisar por fóruns como o Reddit, pelo que é possível que venha a sair um patch ou algo do género a corrigir alguns destes problemas.
Portanto vamos falar do jogo. Do enredo, das personagens, dos sistemas…
Atelier Yumia: The Alchemist of Memories & the Envisioned Land acompanha Yumia Liessfeldt, uma jovem alquimista que vive num mundo onde a alquimia passou de arte respeitada a uma prática taboo e vista com desconfiança.
A aventura leva-a a ela, e a nós, ao continente de Aladiss, uma civilização outrora poderosa que caiu em ruína, enquanto tenta descobrir mais sobre o passado daquele lugar e sobre a própria alquimia.
O enredo é… aceitável. Ainda não me capturou muito assim tanto, e eu já cheguei à segunda zona do jogo.

E isso preocupa-me um bocado, porque nesta altura já esperava ter encontrado alguma personagem ou mistério que me deixasse curiosa para ver o que acontece a seguir. Não é um enredo mau, embora às vezes esteja activamente aborrecida enquanto vejo as cutscenes. Só não tem assim nada que me chame e me mantenha investida.
O sistema de combate é um que também não me apela muito. Sempre fui fã de sistemas turn-based, pelo que este sistema em tempo real com cooldowns, reminiscente dos Xenoblade, não é um que eu tenha gostado assim tanto. Não ajuda também que eu nunca tenha sentido grande necessidade de aprender os sistemas a fundo. Na dificuldade normal, quase tudo morria sem grande esforço e nunca senti que o jogo me estivesse a desafiar particularmente. Portanto acabei por passar a maior parte do tempo a carregar nos botões que tinha disponíveis e a seguir em frente.

O sistema de criação de items, o grande ponto fulcral da série Atelier, também tenho de admitir que não me atraiu assim tanto. Não sei, se calhar só não sei mexer bem com aquilo, mas não foi um sistema com o qual eu me divertisse a criar itens ou a utilizar no geral.
E isto é um problema, porque nota-se claramente que o jogo espera que o jogador ache esta parte interessante. Há imensos materiais para apanhar, e montes de receitas para desbloquear e sistemas para explorar. Mas sempre que chegava a altura de abrir os menus e começar a fazer alquimia, a minha reacção era mais “pronto, lá vamos nós outra vez” do que propriamente entusiasmo.

Outra novidade é a possibilidade de construir pequenas bases em locais específicos do mapa. O sistema permite colocar edifícios, mobiliário e vários elementos decorativos para criar espaços personalizados.
Não é uma mecânica que tenha utilizado particularmente muito, mas acrescenta mais uma camada de personalização para os jogadores que gostem deste tipo de sistemas. Eu não é que tenha desgostado, mas achei um bocado clunky de usar, especialmente com os controlos da Switch 2.

A parte mais divertida para mim no jogo foi a parte da exploração no open-world, de andar pelo mundo a cumprir objetivos e a ver a percentagem de completação a aumentar.
Ao contrário de alguns jogos mais antigos da série, Atelier Yumia aposta fortemente na exploração. O mundo está dividido em várias regiões abertas, repletas de recursos para recolher, inimigos para combater, missões secundárias e objectivos de exploração que contribuem para a percentagem de conclusão de cada área.

Grande parte da progressão passa precisamente por percorrer estes mapas, recolher materiais e desbloquear novos pontos de interesse.
É aquele tipo de jogo que está constantemente a dar pequenas recompensas ao jogador. Mais um ponto de interesse descoberto, mais um tesouro encontrado, mais um objectivo concluído. Não é nada particularmente revolucionário, mas funciona. Como seria de esperar de um Atelier, existe um ciclo constante entre exploração e alquimia. O jogador passa uma boa parte do tempo a recolher materiais espalhados pelo mundo para depois os utilizar na criação de armas, equipamento, consumíveis e outros itens.
Mesmo para alguém como eu, que não ficou particularmente encantado com o sistema de síntese, percebe-se facilmente que esta continua a ser o ponto fulcral da experiência.
Quanto à música? Eu nem reparo nela.
E isso normalmente não é um bom sinal. Não quer dizer que seja má. Se fosse má, provavelmente reparava. Mas ao fim de várias horas de jogo, não consigo recordar uma única música específica. Está lá, e faz o seu trabalho, quando estou a jogar sem som noto que falta algo… mas é um bocado à volta disso.

Fundamentalmente, este jogo é tão profundamente medíocre que eu tenho uma certa dificuldade em encontrar algo para dizer sobre ele. Já joguei jogos muito piores, e jogos que embora não fossem maus, simplesmente não eram para mim. Jogos que me fizeram pousar o comando e nunca mais voltar.
Atelier Yumia não me provoca nenhuma dessas reacções.
O problema é que também não me provoca muitas reacções positivas.
É um jogo perfeitamente competente. Um sistema de combate que funciona. Um mundo agradável de explorar. Um sistema de alquimia que claramente tem profundidade para quem gostar dele. Mas até agora nada me deixou particularmente impressionado.
Talvez os fãs da série encontrem aqui algo que eu simplesmente não estou a ver (embora, pelo que tenho visto pelas internets, este jogo também não é particularmente adorado pelos fãs). Como alguém que está a entrar em Atelier pela primeira vez, a sensação com que fico é a de um jogo perfeitamente aceitável, mas também muito fácil de esquecer.
TL;DR: Eu juro que queria gostar deste jogo. É um JRPG colorido, com personagens com voice actors de renome e um art style bonito. Tinha tudo para ser um sucesso comigo.
Tudo, excepto conseguir efectivamente captar o meu interesse. Oh well. Acontece.










