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Fullmetal Alchemist vs Daemons of the Shadow Realm: as diferenças explicadas pela própria criadora

Criadora de Fullmetal Alchemist explica porque quis fazer tudo ao contrário no seu novo mangá

Daemons of the Shadow Realm anime visual 2 (1)

Hiromu Arakawa já tinha uma fórmula testada e comprovada para criar um sucesso. Foi essa mesma fórmula, responsável pelo fenómeno Fullmetal Alchemist, que a autora decidiu deixar de lado ao desenvolver Daemons of the Shadow Realm, a sua obra mais recente, que continua a conquistar leitores e espectadores em todo o mundo.

A revelação foi feita numa entrevista dos bastidores incluída na série de vídeos Inside Square Enix, publicada pela própria editora. Nela, Arakawa explica que quis provar a si mesma que existiam outros caminhos possíveis para contar uma história de sucesso, mesmo tendo já um método que sabia funcionar.

“Suponho que tinha uma fórmula para o sucesso, mas quis ver se havia também outras abordagens possíveis”, afirmou a autora.

Menos respostas, mais mistério

Em Fullmetal Alchemist, elementos centrais da construção do mundo, como o funcionamento da alquimia ou as motivações dos irmãos protagonistas Edward e Alphonse Elric, ficavam claramente estabelecidos ainda antes do fim do primeiro volume. Em Daemons of the Shadow Realm, Arakawa optou pelo caminho inverso, mantendo o leitor tão às escuras quanto o próprio protagonista, Yuru, relativamente ao que realmente se está a passar.

“O protagonista está mergulhado numa situação que não compreende. E por isso quis colocar o leitor exatamente na mesma posição, sem perceber o que está a acontecer, o que são os Daemons, entre outras coisas. Quis colocá-los no lugar de Yuru, quer ele esteja a ser arrastado pelos acontecimentos, quer seja ele próprio a impulsioná-los. Foi essa a minha intenção logo no primeiro capítulo, e foi por isso que acabou por resultar assim”, explicou Arakawa.

Tanto Fullmetal Alchemist como Daemons of the Shadow Realm têm como protagonistas uma dupla de irmãos, mas as parecenças entre as duas obras terminam praticamente aí. Enquanto o primeiro mangá assentava num sistema de alquimia com bases quase científicas, Daemons of the Shadow Realm bebe fortemente do ocultismo e dos yokai da tradição japonesa, aproximando-se muito mais da dark fantasy.

Esta escolha reflete um interesse antigo da própria Arakawa por estes temas, que a autora aproveitou para construir uma história nova a partir de referências que já lhe eram familiares, em vez de partir totalmente do zero.

A mudança de direção não travou a receção da obra. Em julho de 2026, o mangá ultrapassou os 7,5 milhões de cópias em circulação com o lançamento do volume 13.

A adaptação anime pelo estúdio Bones, que estreou em abril de 2026, tem sido igualmente bem recebida pela crítica e pelo público, tendo entrado no top 10 das plataformas de streaming no Japão durante o primeiro semestre do ano.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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