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Japão está farto: governo pede aos EUA que parem de usar Pokémon e Mario

Trump usou Naruto e Pokémon em publicações oficiais, e o Japão respondeu

Donald Trump como Naruto (1)

O governo japonês voltou a contactar as autoridades norte-americanas para pedir o fim do uso de personagens de franquias como Pokémon, Mario e Naruto em publicações oficiais do governo dos Estados Unidos. Segundo avança o jornal japonês mainichi.jp/articles/20260803/k00/00m/010/133000c, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão já levantou esta questão junto da embaixada norte-americana em Tóquio por diversas ocasiões, em abril, em junho e novamente em agosto.

A situação remonta a março, quando contas oficiais do governo dos EUA, incluindo a da Casa Branca, começaram a partilhar memes e vídeos que recorriam a personagens de várias franquias japonesas de grande popularidade para acompanhar mensagens políticas. Entre os exemplos mais visados estão um vídeo sobre imigração publicado pelo Departamento de Segurança Interna com referências a Pokémon, uma imagem inspirada em Pokopia com o slogan de campanha “Make America Great Again”, uma montagem com Mario associada à missão Artemis II da NASA, e um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra Donald Trump com a aparência de uma personagem de Naruto.

Pedidos repetidos por via diplomática

O Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês explicou a sua posição de forma direta: “mesmo as instituições públicas necessitam de autorização do criador para usar propriedade intelectual“. O jornal acrescenta ainda que o ministério “transmitiu a necessidade de considerar a possibilidade de violação de direitos de autor e de dano à imagem das obras“.

Este não foi um caso isolado. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já tinha alertado a embaixada dos EUA em abril e em junho deste ano, antes do novo pedido feito em agosto. O tema chegou também ao parlamento japonês, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, abordou o assunto numa sessão parlamentar em abril, referindo-se especificamente a um vídeo de teor bélico que usava imagens de Wii Sports, da Nintendo.

Já em junho, a ministra de Kimi Onoda voltou a comentar o tema numa conferência de imprensa, reforçando que obter autorização do titular dos direitos de autor é o princípio básico para qualquer uso de material protegido.

Empresas japonesas já se tinham distanciado dos conteúdos

Vários dos jogos usados nestas publicações já tinham gerado reações por parte das próprias empresas detentoras dos direitos. Depois do vídeo sobre imigração publicado pelo Departamento de Segurança Interna com elementos de Pokémon, a The Pokémon Company esclareceu não ter estado envolvida na criação ou distribuição do conteúdo, nem ter concedido qualquer autorização para o uso da sua propriedade intelectual.

Situação semelhante ocorreu com a conta oficial japonesa do anime Yu-Gi-Oh!, depois de imagens da série terem sido usadas num vídeo da Casa Branca relacionado com ação militar dos Estados Unidos. Segundo a resposta publicada nas redes sociais, nem os criadores originais nem a equipa responsável pelo anime estiveram envolvidos, e nenhuma autorização tinha sido dada para essa utilização.

Apesar dos vários alertas ao longo dos últimos meses, a prática por parte de contas oficiais do governo norte-americano não parece ter parado. Uma porta-voz da administração já tinha defendido publicamente esta estratégia de comunicação nas redes sociais, argumentando que este tipo de publicações virais ajuda a transmitir a mensagem do governo de forma mais eficaz junto do público.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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