A terceira temporada de Blue Lock continua sem data de estreia. Anunciada em setembro de 2025, a nova fase do anime já tem título oficial, Neo Egoist League, mas ainda não foi revelado quando chegam os novos episódios. A espera promete ser longa, mais ficam já de seguida 10 animes que tal como Blue Lock misturam ambição individual, pressão constante e crescimento através do fracasso.
10Aoashi
Ashito Aoi é o melhor jogador de uma equipa pouco competitiva de Ehime e chega ao Tokyo City Esperion, a equipa de formação de um clube da J-League, convencido de que o seu valor se mede em golos. É exatamente a mentalidade que Ego Jinpachi tenta incutir em Isagi, e é aí que Aoashi se torna uma boa comparação.
O treinador Tatsuya Fukuda percebe depressa que o instinto de finalizador não é o maior talento de Ashito. Em vez de o deixar a jogar como avançado, passa-o para lateral esquerdo, onde o jovem tem de aprender a servir os colegas, a ler o jogo e a pensar na equipa como um todo. A série transforma essa mudança numa lição sobre visão de jogo e responsabilidade coletiva.
Para quem gosta da vertente tática de Blue Lock, Aoashi vai mais longe na análise do futebol de formação. O anime foi produzido pelo estúdio Production I.G e estreou em abril de 2022, com base no mangá de Yugo Kobayashi publicado desde 2015 na Big Comic Spirits.
9Days
Em Days, Jin Kazama chega ao Seiseki High como o tipo de talento que Blue Lock trata como condição de entrada: rápido, técnico e aparentemente nascido para o futebol. Tsukushi Tsukamoto é o oposto. Não tem experiência, não tem qualidades evidentes e só dispõe de uma ferramenta, a recusa em desistir.
A série contraria a ideia de que o talento decide tudo. Tsukushi vai ganhando o seu lugar a partir do esforço e da obstinação, num percurso que mostra como a persistência pode ser tão importante como o dom natural. É uma abordagem quase simétrica à de Blue Lock, onde o esforço é muitas vezes tratado como o caminho mais lento para o mesmo destino.
A diferença está no tom. Em vez de colocar os dois rapazes em rota de colisão, Days mantém-nos na mesma equipa, o que dá à história uma energia mais calorosa e menos hostil. O anime foi adaptado pelo estúdio MAPPA.
8Kengan Ashura
Kengan Ashura passa-se num mundo em que as grandes empresas resolvem disputas através de combates entre gladiadores, os chamados combates Kengan. Ohma Tokita, conhecido por Ashura, é o lutador contratado pelo Nogi Group, depois de o presidente Hideki Nogi o ter visto vencer um adversário numa luta de rua.
A semelhança com Blue Lock está na lógica de recrutamento. Tal como Ego Jinpachi ignora os caminhos tradicionais para construir uma seleção de avançados, Hideki Nogi vai buscar Ohma fora dos circuitos habituais, porque quer uma vitória dominante e está disposto a financiá-la. O talento individual vale mais do que qualquer processo de formação.
Aqui, o trabalho de equipa quase desaparece. Cada combate coloca um lutador frente a outro, com o apoio de figuras como Kazuo Yamashita, o funcionário do Nogi Group destacado para acompanhar Ohma, mas sem partilha de responsabilidade. A série chegou à Netflix em 2019 e a sua segunda parte estreou em 2024.
7Baki
Baki Hanma vive para derrotar o pai. Yujiro Hanma é o lutador mais forte do mundo, o nome pelo qual todos os outros se medem, e Baki treina de forma obsessiva, não para o substituir, mas para o conseguir vencer. Essa fixação num único adversário lembra a relação de Isagi com Rin Itoshi, tratado mais como um alvo a superar do que como um simples rival.
Tal como em Blue Lock, a evolução em Baki é tanto psicológica como física. Cada combate exige uma solução nova, e os golpes repetidos não chegam para o aproximar de Yujiro. Essa capacidade de se adaptar sob pressão é o mesmo traço que Ego Jinpachi tenta fabricar nos treinos do Blue Lock.
A série, baseada no mangá de Keisuke Itagaki, está disponível na Netflix, plataforma que também lançou, em junho de 2024, o filme Baki Hanma vs. Kengan Ashura, uma ligação direta com a sugestão anterior.
6Hajime no Ippo
Ippo Makunouchi é um estudante vítima de bullying que descobre o boxe depois de ser levado por Takamura para o ginásio Kamogawa. Começa sem técnica nem experiência, mas com uma resistência invulgar à dor, a única característica que os outros pugilistas não querem desenvolver.
O treinador Kamogawa testa-o muito para lá do ponto em que a maioria desistiria, e a série constrói a identidade de Ippo a partir de derrotas, falhanços e sacrifícios. É a mesma ideia que Blue Lock aplica aos seus avançados, a de que o talento só se revela depois de submetido a uma pressão extrema.
A pergunta que atravessa a obra, o que significa realmente ser forte, acompanha Ippo da mesma forma que a questão do ego acompanha Isagi. O mangá de George Morikawa começou a ser publicado em 1989 e continua a ser uma das referências do género.
5Food Wars!
Shokugeki no Souma (Food Wars) não é uma série de desporto, mas funciona com as mesmas regras de competição. Soma Yukihira entra no Totsuki Culinary Institute, uma escola de culinária onde só os melhores sobrevivem, e é desafiado a provar o seu valor em duelos chamados shokugeki, em que os alunos apostam o seu lugar na escola.
O ranking Elite Ten, que ordena publicamente os alunos pelo seu desempenho, funciona como a classificação em constante mudança do Blue Lock. Cada prato obriga Soma a definir a sua identidade como cozinheiro, da mesma forma que Isagi tem de definir a sua como avançado, e perder implica perder também o respeito dos colegas.
No arco final, Soma participa no BLUE, um torneio mundial de jovens cozinheiros, onde enfrenta adversários de vários países. A série, com cinco temporadas emitidas entre 2015 e 2020, mistura essa competição com humor exagerado e uma componente de fanservice bem presente.
4Eyeshield 21
Sena Kobayakawa é um estudante tímido, habituado a fazer recados para os colegas e dotado de uma velocidade fora do comum. Hiruma Yoichi, capitão e quarterback da equipa de futebol americano da escola, repara nessa qualidade e integra-o na equipa sem lhe pedir opinião.
O processo lembra a forma como Ego Jinpachi arrasta centenas de avançados para o Blue Lock sem grandes explicações. Sena passa a jogar como Eyeshield 21, com um capacete de viseira e um número que escondem a sua identidade, e a série sugere que o talento só se torna útil quando alguém implacável o transforma em arma.
Os métodos de Hiruma oscilam entre a crueldade e o treino eficaz, uma tensão que está também no centro da premissa de Blue Lock. A obra nasceu no mangá de Riichiro Inagaki e Yusuke Murata e é uma boa porta de entrada para o futebol americano, desporto raramente retratado em anime.
3Welcome to the Ballroom
Tatara Fujita é um aluno sem planos nem confiança, até ser salvo de um grupo de agressores por Kaname Sengoku, um dançarino profissional que o leva para um estúdio de dança. O ponto de partida é semelhante ao de Isagi, atirado para um ambiente que não escolheu e onde tem de provar que merece ficar.
A dança de salão, tal como o futebol de Blue Lock, é avaliada através de critérios técnicos visíveis e de competições em que cada desempenho conta. Rivais como Kiyoharu Hyodo tratam cada prova como um confronto sério, e Tatara cresce menos através de vitórias espetaculares do que de derrotas dolorosas e de muito trabalho.
A série, produzida pelo estúdio Production I.G e emitida em 2017 com 24 episódios, adapta o mangá de Tomo Takeuchi e mostra como a mesma lógica de ambição e superação funciona num contexto completamente diferente do futebol.
2Ace of Diamond
No Seidou High, existe apenas um lugar de lançador principal, e Eijun Sawamura passa a série a disputá-lo com Satoru Furuya. A competição é semelhante à de Blue Lock, onde só um avançado entra em campo e todos os outros ficam de fora, e o treinador Kataoka nunca atribui o papel por amizade ou antiguidade.
O desempenho é o único critério, e isso cria uma rivalidade entre colegas que precisam um do outro para melhorar. Kazuya Miyuki, o catcher da equipa, exige o máximo a ambos os lançadores e, tal como acontece em Blue Lock, a competição interna é encarada como motor de evolução e não como um problema a evitar.
É uma boa escolha para quem prefere uma história mais longa e centrada no crescimento de uma equipa, mas sem abdicar da tensão entre jogadores que disputam o mesmo espaço. O mangá de Yuji Terajima serviu de base à adaptação.
1Megalobox
Megalobox estreou em 2018, pelo estúdio TMS Entertainment, como homenagem ao 50.º aniversário do mangá de boxe Ashita no Joe. Num futuro próximo, os pugilistas combatem com o Gear, um equipamento que aumenta a velocidade e a força muito para lá do que o corpo humano consegue produzir.
Joe, conhecido inicialmente como Junk Dog, decide lutar sem esse equipamento e ganha a alcunha de Gearless Joe. A aposta é calculada, porque lhe permite subir rapidamente no ranking, e é idêntica à de Isagi quando confia na sua própria leitura do campo acima da opinião de um colega.
O objetivo é um só, regressar ao ringue para enfrentar Yuri no torneio Megalonia. Para o conseguir, o treinador Nanbu recorre a um bilhete de identidade forjado, e toda a competição se reduz à vontade de um único lutador. São apenas 13 episódios, o que torna a série numa opção curta para quem quer outra história de ambição individual.








