
O presidente e CEO da MAGES., Makoto Asada, considera que a tradução feita por inteligência artificial ainda está longe de ser uma solução viável para as visual novels. A posição foi explicada numa entrevista ao Game*Spark.
Segundo Asada, localizar um jogo com tanto texto implica custos enormes, sobretudo na fase de tradução. E o trabalho não termina quando o texto está traduzido, é preciso ainda verificar com cuidado se cada nuance da escrita foi transmitida como pretendido. É neste ponto que o responsável considera que a IA ainda falha, e resume a situação assim: “A tradução por IA parece estar muito longe de ser prática“».
O exemplo escolhido foi o próprio Steins;Gate. Asada afirma que, se fosse pedido a uma IA para reproduzir as formas de falar características das personagens da série, esta não o conseguiria fazer. Na sua opinião, o resultado pode até soar parecido com o esperado, mas nunca capta a personagem na totalidade. “Para já, é um processo que, em última análise, exige um toque humano“, afirmou.
As declarações surgem numa altura em que a utilização de IA pela MAGES. tem estado debaixo de olho. O estúdio anunciou em setembro o Juggernaut, um jogo em primeira pessoa gratuito, inspirado nos shooters dos anos 90, que gerou polémica por ter sido criado quase por inteiro com recurso a IA. De acordo com a declaração de utilização de IA na página do jogo, o código é 100% gerado por IA, tal como os efeitos, enquanto os gráficos chegam aos 60% e o som aos 50%.
Também na tradução a empresa já recorreu a esta tecnologia. A MAGES. revelou ter usado IA de geração de texto na tradução de Maximum Pile-Up!, lançado em junho de 2026, para dez idiomas. Por isso, os comentários de Asada devem ser lidos como uma posição sobre as visual novels em concreto, e não como uma rejeição total da tradução automática por parte do estúdio.
Face aos custos da localização, a MAGES. optou por lançar a série Science Adventure, onde se inclui Steins;Gate, em simultâneo em vários idiomas. Nos restantes títulos do catálogo, a decisão de localizar depende do que as equipas de desenvolvimento acreditam que será bem recebido no estrangeiro.
Quanto ao futuro, Asada garantiu que pretende lançar com cuidado o próximo remake de Memories Off para o público anglófono.









