
Brina Palencia, a atriz que dá voz a Minoru Mineta na versão inglesa de My Hero Academia, voltou a sair em defesa do personagem. Numa entrevista exclusiva à CBR, diz ter ficado surpreendida com a dimensão do ódio dirigido a Mineta e pede que se pense melhor na forma como se fala dele, sobretudo quando há jovens a ler.
Mineta é, há anos, uma das figuras mais polarizadoras da série. Estreou no anime em 2018 e ficou conhecido pelos comentários grosseiros sobre as colegas e pelo comportamento desconfortável, o que o transformou num alvo recorrente da comunidade. Uma sondagem com mais de 2000 votos, colocou-o em primeiro lugar entre as personagens mais detestadas de My Hero Academia.
Brina Palencia, que assume o papel em inglês, admite que esperava alguma polarização, mas não tanta violência verbal. Explica que o que a assusta não é o que possa ser dito sobre ela, já que ninguém foi alguma vez desagradável consigo, mas sim a hostilidade perante o facto de o personagem ter sentimentos e pensamentos que descreve como naturais.
Para a atriz, o debate perdeu a proporção. Compara a forma como falaram de Mineta à maneira como se fala de Harvey Weinstein e contrapõe que, para se ser Weinstein, é preciso ter poder, algo que o personagem não tinha: não era professor, não era adulto e nem sequer era o aluno mais forte. Resume-o assim: “Era apenas um miúdo a passar pela puberdade e a não o fazer com elegância”. Palencia acrescenta que ouviu pedidos pela morte da personagem, o que considera profundamente prejudicial.
A atriz faz questão de não absolver Mineta. Diz que não aprova algumas das suas ações, que acha positivo ele ter sido repreendido na série tantas vezes quanto foi, e que ninguém deve tocar noutra pessoa sem consentimento, sem exceções. O que contesta, esclarece, é a ideia de que um adolescente não possa ter pensamentos sexuais.
Defende ainda que não se pode olhar para a questão a preto e branco. Para ela, é preciso considerar quem é a pessoa, que poder tem, a idade e a experiência. Se Mineta fosse adulto, afirma, a conversa seria outra.
Um dos pontos que mais a intriga é a diferença de tratamento. A atriz nota que o anime está cheio de personagens adultos que expressam os mesmos sentimentos, muitas vezes fazem pior e acabam por ser homenageados, e pergunta porque é que o alvo do ataque é precisamente a criança. Sugere que a comunidade reflita sobre isso e sobre o efeito de falar de um personagem com tanto ódio quando há jovens a lerem esses comentários e, possivelmente, a aplicá-los a si mesmos.









