InícioAnimeTóquio começa a multar quem deitar lixo no chão e os turistas...

Tóquio começa a multar quem deitar lixo no chão e os turistas são o alvo principal

Viajar para o Japão em 2026: regras, multas e o que mudou em Shibuya para turistas

asmi screenshot japão japan Kimi ga Kureta Mono

Desde o passado dia 1 de junho, deitar lixo no chão em Shibuya passou a ter um custo imediato: 2.000 ienes, pouco mais de dez euros, cobrados na hora. A medida entrou em vigor no bairro de Shibuya, um dos mais movimentados de Tóquio e casa do icónico cruzamento de Shibuya, numa altura em que o Japão tenta gerir o impacto de um turismo que não para de crescer.

O sistema de fiscalização é simples, agentes patrulham a área, identificam as infrações e cobram a multa no local. Para facilitar o processo, são aceites pagamentos em dinheiro, cartão de crédito e QR code. A iniciativa abrange toda a Shibuya, o que significa que bairros como Harajuku, Ebisu e Yoyogi também estão incluídos, bem como espaços privados como centros comerciais e estações de metro dentro da mesma área administrativa.

Conscientes de que uma fatia considerável dos visitantes são estrangeiros, as autoridades destacaram agentes multilingues, com capacidade de comunicar em inglês, chinês e coreano. O presidente do bairro, Ken Hasebe, foi direto na justificação da medida: “Shibuya é uma cidade internacional visitada por muitas pessoas do Japão e de todo o mundo. Ao mesmo tempo que essa vivacidade é algo de que nos orgulhamos, temos também de cumprir a nossa responsabilidade de proteger o ambiente urbano”.

A escala do problema fica clara quando se olha para os números. O Japão recebeu um recorde de 42,7 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, um aumento de cerca de 16% face ao ano anterior, segundo dados da Japan National Tourism Organization. Shibuya, com uma população residente de cerca de 240.000 pessoas, vê regularmente esse número ser ultrapassado em mais de dez vezes só na afluência diária. O resultado tem sido um agravamento do lixo nas ruas, consumo de álcool em espaços públicos e uma pressão crescente sobre a infraestrutura do bairro.

A nova legislação vai além das multas aos transeuntes. Os estabelecimentos de restauração e bebidas nas zonas de Shibuya, Harajuku e Ebisu são agora obrigados a disponibilizar caixotes do lixo para os clientes. Quem não cumprir, depois de avisado formalmente, pode enfrentar coimas até 50.000 ienes (270 euros).

Há aqui uma contradição que não passa despercebida a quem visita o Japão pela primeira vez, o país é mundialmente reconhecido pela sua limpeza, mas os caixotes do lixo públicos são escassos nas cidades. A justificação histórica remonta aos ataques com gás sarin no metro de Tóquio, em 1995, após os quais as autoridades removeram grande parte dos contentores por questões de segurança. O hábito instalou-se, os japoneses guardam o lixo consigo até chegarem a casa ou encontrarem um ponto de recolha adequado. Para os turistas, menos habituados a esta lógica, a adaptação nem sempre é imediata.

A medida faz parte de um esforço mais amplo das autoridades japonesas para equilibrar os benefícios económicos do turismo com a qualidade de vida das comunidades locais. A tensão entre estes dois polos tem marcado o debate público no Japão nos últimos anos.

Noutras zonas turísticas de Tóquio, Shinjuku, Asakusa, Ueno, as regras antigas mantêm-se, o lixo continua a ser responsabilidade de quem o produz, sem multas à vista.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
- Publicidade -

Notícias

Populares