
Em pleno mês do Pride, os resultados de uma nova sondagem lançam luz sobre a dimensão da comunidade LGBTQ+ no Japão. O estudo, conduzido pela Dentsu Japan, inquiriu 46.658 pessoas com idades entre os 20 e os 59 anos, e concluiu que 10,6% se identificam como LGBTQ+. É a primeira vez que este valor ultrapassa os 10% nos inquéritos periódicos da empresa e representa uma subida face aos 9,7% registados na edição anterior, realizada em 2023.
Trata-se da sexta sondagem deste género levada a cabo pela Dentsu Japan, numa série que remonta a 2012, quando o valor se fixava em 5,2%. Desde então, a progressão tem sido constante: 7,6% em 2015, 8,9% em 2018 e 2020, 9,7% em 2023 e agora 10,6%. A Dentsu atribui este crescimento gradual ao aumento da consciência sobre diversidade sexual, que permite a um maior número de pessoas reconhecer e assumir a sua identidade.
Estes números situam o Japão dentro da média global. Um inquérito da Ipsos realizado em 2025 a vários países mostrou que muitos registam valores entre os 9% e os 14% de pessoas que se identificam como LGBTQ+, com os Estados Unidos, por exemplo, nos 11%. O mesmo inquérito da Ipsos colocou o Japão apenas nos 5%, mas o Time Out nota que a amostra usada pela Ipsos para o país foi de apenas mil pessoas, muito abaixo dos quase 47 mil inquiridos pela Dentsu, o que poderá explicar a diferença significativa.
O estudo deste ano incluiu uma segunda fase, com uma amostra de 6.240 participantes, centrada nas atitudes da sociedade japonesa face a questões de diversidade sexual. Os resultados mostram um apoio expressivo, 81,7% dos inquiridos consideram que a escola deveria ensinar sobre diversidade sexual e de género, apesar de apenas 9,8% terem recebido esse tipo de formação na sua própria educação. Já 67% declararam-se favoráveis à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Este último dado ganha particular relevância dado o atual contexto legal do país. O Japão é o único membro do G7 sem qualquer forma de reconhecimento legal para casais do mesmo sexo. Vários tribunais de primeira e segunda instância já declararam inconstitucional a proibição do casamento igualitário, com exceção do Tribunal Superior de Tóquio, que em novembro de 2025 foi na direção contrária, e o Supremo Tribunal japonês deverá pronunciar-se sobre a matéria, com uma decisão esperada para inícios de 2027.
A história do país com a diversidade sexual não é recente nem linear. Relações homossexuais entre samurais, por exemplo, eram socialmente toleradas no período feudal. Ainda assim, essa tradição de maior abertura histórica não se traduziu em reconhecimento legal para os dias de hoje.








