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10 animes perfeitos para quem só vê séries live-action

Cada vez mais pessoas que nunca tinham dado grande atenção à animação japonesa estão a ficar curiosas pelo género, arrastadas pelo sucesso mundial que o anime tem vindo a conquistar. Mas quem chega de fora, vindo de séries e filmes live-action, depara-se muitas vezes com um choque, os códigos visuais, o ritmo e até o tom de muitos animes pouco têm a ver com o que estão habituados a ver.

10
Legend of the Galactic Heroes

Legend of the Galactic Heroes manga vol 1 cover (1)

Poucas space operas conseguem ser, ao mesmo tempo, tão respeitadas e tão intimidantes como Legend of the Galactic Heroes. Só o número de episódios, 110, distribuídos por quatro temporadas de OVA lançadas entre 1988 e 1997, já assusta quem está a começar. Mas quem avança além desse obstáculo inicial encontra uma das narrativas mais bem construídas de sempre em torno de um conflito bélico.

A série acompanha uma guerra prolongada entre dois impérios com visões de mundo opostas, e recusa-se sistematicamente a simplificar esse confronto em heróis e vilões. Em vez disso, dedica-se a explorar a lógica interna de cada regime político, a psicologia de quem toma as decisões e as consequências reais de liderar um conflito à escala galáctica.

É essa vontade de tratar a ficção científica com o mesmo rigor de um bom drama histórico que torna Legend of the Galactic Heroes tão recomendável a quem vem do live-action. Não há atalhos fantasiosos nem soluções fáceis, apenas estratégia, política e as consequências humanas de ambas.

9
Cowboy Bebop

Numa escala bem mais contida, Cowboy Bebop resolve o mesmo problema de forma completamente diferente. Em pouco mais de duas dezenas de episódios, a série conta a história de uma tripulação de caçadores de recompensas à deriva pelo espaço, misturando jazz, ação, humor e um fundo de melancolia que raramente se vê junto num só lugar.

Grande parte dos episódios funciona de forma independente, o que facilita bastante a entrada de quem nunca viu anime nenhum. Ainda assim, é o fio condutor mais discreto, a história pessoal de Spike Spiegel e do seu passado por resolver, que acaba por conquistar tanto veteranos como recém-chegados.

O que torna Cowboy Bebop especialmente indicado para fãs de live-action é a forma como trata temas universais, solidão, arrependimento, a dificuldade em deixar o passado para trás, sem nunca se apoiar em clichés do género. Podia perfeitamente passar por uma série noir ambientada no espaço.

8
Ashita no Joe

Ashita no Joe (1980)

O anime desportivo tem fama de ser tudo menos realista. Basta pensar em séries recentes como Blue Lock, onde as capacidades dos jogadores roçam o sobrenatural. Ashita no Joe, de 1970, é a prova de que o género nem sempre foi assim.

A série acompanha Joe Yabuki, um jovem sem rumo e propenso à violência, que encontra no boxe uma forma de dar sentido à própria vida. Não há aqui poderes especiais nem golpes impossíveis, apenas um retrato cru do desporto e de quem o pratica por pura necessidade de sobrevivência.

É precisamente essa aspereza, aliada a uma construção de personagens que privilegia o desenvolvimento lento e doloroso em vez de vitórias fáceis, que aproxima Ashita no Joe dos grandes dramas desportivos do cinema ocidental.

7
Showa Genroku Rakugo Shinju

Shouwa Genroku vai ter 2ª temporada

Poucos fãs de anime, mesmo os mais experientes, sabem exatamente o que é o rakugo. Ainda assim, essa arte performativa japonesa serve de pano de fundo a uma das séries mais surpreendentes desta lista.

Showa Genroku Rakugo Shinju acompanha várias gerações de artistas de rakugo ao longo de décadas conturbadas da história do Japão do século XX, entrelaçando os grandes acontecimentos da época com o percurso pessoal de cada personagem.

A série lê-se quase como um drama histórico televisivo, com diálogos longos, silêncios pesados e uma atenção ao detalhe emocional que raramente se associa à animação. No final, mesmo quem nunca tinha ouvido falar de rakugo acaba a torcer para que essa tradição sobreviva.

6
March Comes in Like a Lion

O shogi, uma variante japonesa do xadrez, é apenas o pretexto para aquela que é, na verdade, uma das histórias mais sensíveis sobre saúde mental já contadas em anime. March Comes in Like a Lion segue Rei Kiriyama, um jovem prodígio do jogo que vive isolado, a braços com solidão e sintomas de depressão.

Mais do que as partidas em si, é o percurso de Rei a reconstruir laços, com uma família vizinha, com colegas, consigo próprio, que dá corpo à série. O ritmo é lento, mas cada pequeno avanço tem um peso emocional considerável.

Quem nunca jogou shogi na vida não precisa de se preocupar, a série explica o suficiente para acompanhar sem esforço, deixando o verdadeiro foco onde ele pertence, nas pessoas.

5
Attack on Titan

Attack on Titan

Difícil de acreditar, mas Attack on Titan continua a ser um dos animes mais recomendados a quem nunca viu nenhum, apesar de a premissa, gigantes nus que devoram seres humanos, soar exageradamente estranha à primeira vista.

O segredo está na forma como a série evolui. O que começa como uma história de sobrevivência contra criaturas monstruosas transforma-se, ao longo das temporadas, num drama de guerra denso, cheio de política, traição e moralidade cinzenta, sem nunca perder o ritmo frenético que a tornou popular.

Essa capacidade de ir esbatendo os elementos mais fantasiosos em favor de um conflito cada vez mais humano é o que faz de Attack on Titan uma escolha sólida para quem procura tensão e boa escrita, mesmo vindo de fora do género.

4
Vinland Saga

Vinland Saga vol 1 cover (1)

Ambientações históricas realistas são raras em anime, e mais raras ainda quando se afastam tanto da cultura japonesa como Vinland Saga, que se passa na Europa da era Viking. Essa distância cultural, aliás, é parte do que torna a série tão acessível a quem vem do live-action.

A história segue Thorfinn, um guerreiro consumido pela vingança, ao longo de uma jornada marcada por batalhas brutais, intrigas políticas e, sobretudo, uma evolução pessoal que raramente se vê tratada com tanto cuidado em animação.

A segunda temporada é particularmente notável por pegar num protagonista movido pela violência e transformá-lo, sem pressa, em alguém completamente desiludido com a guerra. É um dos arcos de personagem mais bem escritos dos últimos anos, dentro ou fora do anime.

3
Psycho-Pass

Psycho-Pass 2 visual HD

Distopias não faltam em nenhum meio, mas fazer uma que seja simultaneamente credível, original e envolvente é mais difícil do que parece. Psycho-Pass consegue-o ao imaginar um futuro onde um sistema informático, o Sibyl, decide o destino de cada cidadão antes mesmo de este cometer um crime.

A série junta thriller cyberpunk, investigação policial e reflexão filosófica sobre livre-arbítrio e justiça, tudo isto sem nunca se perder em explicações técnicas desnecessárias. É um dos raros casos em que a ficção científica serve mesmo para pensar sobre o presente.

Vale a pena um aviso, quem quiser experimentar deve ficar-se pela primeira temporada, que funciona como uma história perfeitamente fechada e evita as continuações mais irregulares que se seguiram.

2
91 Days

91 Days

Lançado em 2016, 91 Days tem muito mais em comum com os clássicos filmes de máfia norte-americanos do que com qualquer tendência recente do anime. A ação decorre nos Estados Unidos da era da Lei Seca e segue um homem infiltrado na máfia local, decidido a vingar a morte da própria família.

O enredo, em si, não reinventa nada, é um plano de vingança relativamente linear. O que distingue a série é a execução, a atmosfera sombria mas elegante, o cuidado visual na reconstituição da época e uma dinâmica entre personagens que raramente segue o caminho mais óbvio.

É precisamente por essa contenção, tão distante do exagero habitual do género, que 91 Days continua a ser uma recomendação recorrente entre quem procura anime com cara de cinema clássico.

1
Monster

Volume 6 de Monster capa devir

Se existe um anime pensado quase à medida de quem só vê thrillers em live-action, é Monster. A série segue um jogo do gato e do rato entre Johan Liebert, um assassino em série de inteligência perturbadora, e o Dr. Kenzo Tenma, o cirurgião que anos antes lhe salvou a vida sem saber no que se estava a meter.

O ritmo é deliberadamente lento, construído à base de tensão psicológica em vez de reviravoltas fáceis, e cada episódio acrescenta uma nova camada moral à pergunta que atravessa toda a série: até que ponto uma pessoa é responsável pelo mal que ajudou, sem querer, a criar.

Até visualmente, Monster se afasta do exagero típico da animação japonesa, optando por cores contidas e um desenho de personagens sóbrio que reforça, a cada episódio, a sensação de estar a ver um thriller policial e não propriamente um anime.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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