Setembro chegou e, com ele, a temporada de verão de 2026 está a aproximar-se do fim. Isto significa que a grande maioria dos anime previstos para este ano já passou pelos ecrãs, e já é possível olhar para trás e perceber o que realmente marcou a diferença.
5Frieren: Beyond Journey’s End Temporada 2
Há uma forma quase infalível de evitar episódios fracos, ter menos episódios. Foi essa a aposta da Madhouse na segunda temporada de Frieren: Beyond Journey’s End, que se resumiu a apenas 10 episódios, um número bem mais contido do que os 28 da primeira temporada. Em vez de diluir a história, essa escolha obrigou a produção a ser cirúrgica, concentrando-se apenas naquilo que realmente define a série.
O resultado é uma sucessão de pequenas histórias autónomas, muitas vezes duas por episódio, que continuam a explorar o luto, a passagem do tempo e as relações à volta de Frieren sem nunca se tornarem repetitivas. Há também espaço para momentos de ação mais intensos, que servem para equilibrar o ritmo mais contemplativo habitual da obra.
Entre os episódios mais comentados está o já famoso encontro amoroso entre Stark e Fern, um momento que resume bem a capacidade da série de misturar humor, ternura e desenvolvimento de personagens em poucos minutos. Apesar de mais curta, esta segunda temporada conseguiu manter o nível que tornou a obra um fenómeno, sem qualquer episódio a destoar do conjunto.
4Jujutsu Kaisen Temporada 3
Poucas estreias de 2026 geraram tanta expectativa como a terceira temporada de Jujutsu Kaisen, e o resultado esteve à altura do que se pedia. A produção retomou a história diretamente das consequências do Incidente de Shibuya, dedicando os primeiros episódios a fechar essa fase antes de avançar para o arranque do arco do Culling Game, um dos mais aguardados pelos leitores do mangá original.
Essa transição foi feita sem perder qualidade visual, em boa parte graças ao facto de os episódios iniciais aproveitarem produção ao nível de longa-metragem, herdada do filme lançado pouco antes da estreia da temporada. A partir daí, a narrativa nunca deixou de equilibrar informação, desenvolvimento de personagens e sequências de combate de peso, algo que nem sempre é fácil de gerir num arco tão extenso como este.
Maki foi a primeira a receber um momento de ação à altura do tom mais sombrio desta fase da história, mas não ficou sozinha: Yuji e Megumi também tiveram os seus destaques ao longo da temporada, culminando com Yuta a confirmar porque continua a ser uma das personagens mais populares da franquia. Para quem ainda não recuperou o atraso, esta é uma daquelas temporadas em que é fácil perder a noção do tempo a ver episódio atrás de episódio.
3Witch Hat Atelier
Depois de um inverno dominado por regressos, a primavera de 2026 trouxe estreias fortes, e Witch Hat Atelier foi, sem grande margem para dúvidas, a que mais elogios recolheu pela qualidade da sua produção. Como série de fantasia centrada em magia, consegue ir além do que normalmente se espera do género, construindo um mundo com regras próprias e uma sensação de autenticidade que raramente se vê em obras semelhantes.
O grande destaque está mesmo na animação, a cargo do estúdio Bug Films, responsável por transformar o traço extremamente detalhado do mangá original numa experiência visual à altura. Vários episódios atingem um nível de cuidado tão elevado que chegaram a ser publicamente elogiados por outros nomes da indústria, incluindo a autora de Gachiakuta, que descreveu esses momentos como aquilo que a magia pareceria se existisse mesmo.
Com apenas 13 episódios, Witch Hat Atelier tem a duração ideal para quem gosta de maratonar uma série de uma só vez, sem correr o risco de encontrar pelo caminho um episódio menos conseguido.
2Bleach: Thousand-Year Blood War
O regresso de Bleach através da adaptação de Thousand-Year Blood War era um pedido antigo dos fãs, e a sua parte final, estreada no verão sob o subtítulo The Calamity, está finalmente a encerrar uma história que arrancou há 22 anos. Este arco de despedida está a proporcionar um fecho de carreira que dificilmente qualquer outro shonen conseguirá igualar tão cedo.
Com apenas sete episódios divulgados até ao momento, a produção já revelou dois Bankai que se mantinham escondidos há anos, alterou de forma significativa um momento importante ligado a uma personagem central da série e preparou terreno para aquele que promete ser o confronto definitivo entre Yhwach e Ichigo. Há ainda espaço para pequenas alterações em relação ao mangá original, que têm surpreendido mesmo quem já conhece a história de cor.
Este ritmo de revelações, combinado com a intensidade crescente de cada confronto, está a tornar esta reta final de Bleach uma das mais bem conseguidas do ano, e vai ser difícil para qualquer outro shonen destronar a série tão cedo.
1Jaadugar: A Witch in Mongolia
Um dos grandes destaques do verão de 2026 foi precisamente a vaga de anime voltados para um público mais adulto, com títulos como Chainsmoker Cat e Smoking Behind the Supermarket with You a ajudar a alargar aquilo que este tipo de produção costuma oferecer. Ainda assim, é Jaadugar: A Witch in Mongolia, produzido pelo estúdio Science Saru, que mais se destaca pela maturidade exigida a quem assiste, sobretudo pela forma como aborda temas políticos e históricos ao longo da narrativa.
A série arranca com uma animação quase ingénua, quase infantil, que dá a entender tratar-se de uma simples fantasia mágica ambientada num contexto histórico. Essa impressão inicial, no entanto, dura pouco tempo, à medida que os episódios avançam, a história ganha camadas cada vez mais sombrias, com traições, jogos de poder e um pano de fundo histórico que a aproxima do tom de séries como Game of Thrones.
Com 10 episódios previstos e a maior parte já emitida, Jaadugar: A Witch in Mongolia acabou por se transformar numa história de vingança que continua a evoluir a cada capítulo, sem que, até agora, nenhum episódio tenha ficado abaixo do nível esperado.









