Depois do impacto que Solo Leveling teve junto do público, era inevitável que a indústria tentasse replicar essa receita. Reunimos cinco animes recentes que tentaram surfar essa onda e que, por diferentes motivos, não conseguiram convencer o público.
5The Strongest Tank’s Labyrinth Raids
Esta produção do estúdio Polon, exibida entre janeiro e março de 2024, apresenta Rud, um tanque injustamente expulso do grupo do herói depois de uma missão falhada. Sem nada a perder, parte à procura de um artefacto lendário capaz de curar a doença da irmã, formando pelo caminho a sua própria equipa para enfrentar as criaturas mais perigosas escondidas nas profundezas das masmorras.
A construção do mundo segue de perto os códigos RPG que Solo Leveling ajudou a popularizar, um sistema de patentes entre aventureiros, portais subterrâneos mortais e um protagonista visto como fraco que acaba por se revelar essencial nas situações mais complicadas. Esta escolha não é acidental, já que o objetivo era claramente atrair o mesmo tipo de público fiel a este género de narrativa.
Onde a série falha é precisamente naquilo que devia ser o seu ponto forte, a animação. Os cenários surgem planos e sem vida, e os designs de personagens raramente saem do genérico, o que retira força visual aos confrontos contra os monstros. O resultado é um anime que cumpre o essencial em termos de história, mas que dificilmente fica na memória de quem procura algo visualmente marcante.
4Failure Frame: I Became the Strongest and Annihilated Everything with Low-Level Spells
Com estreia em julho de 2024 e produção assinada pela Seven Arcs em conjunto com a SynergySP, este anime conta a história de Touka Mimori, um estudante transportado para outro mundo juntamente com os colegas de turma. Considerado inútil pela divindade responsável pela invocação, acaba abandonado numa masmorra onde descobre que as suas capacidades ligadas a estados alterados são muito mais poderosas do que qualquer um imaginava.
A história segue um caminho muito semelhante ao de Sung Jinwoo, um jovem desprezado que se transforma, através do sofrimento e da sobrevivência, num vingador implacável determinado a enfrentar quem o traiu. Essa evolução do fraco ao imbatível é exatamente o tipo de arco emocional que costuma conquistar o público deste género.
O maior obstáculo desta adaptação está na execução técnica das cenas de ação. O recurso a imagens tridimensionais de qualidade visivelmente inferior comprometeu momentos que deveriam ser tensos e impactantes, transformando combates decisivos em sequências desajeitadas. Não admira que grande parte das críticas ao anime se tenha concentrado precisamente nesse aspeto, com fãs a partilharem online comparações pouco lisonjeiras com outros animes do género.
3The Exiled Heavy Knight Knows How to Game the System
Animado pelo estúdio GoHands e estreado em julho de 2026, este anime segue Elymas Edvan, herdeiro de uma família de espadachins de renome que é exilado ao manifestar a classe de Cavaleiro Pesado, considerada praticamente inútil. O que torna a situação diferente é que Elymas reconhece este mundo, trata-se do mesmo jogo que costumava jogar na sua vida anterior, e sabe perfeitamente que essa classe esconde um potencial que ninguém mais consegue ver.
Esse conhecimento prévio permite-lhe explorar mecânicas escondidas, otimizar atributos e progredir a uma velocidade muito acima da média, algo que aproxima bastante esta série do público habituado a sistemas de progressão e estatísticas típicos do RPG. As janelas de estado que acompanham o protagonista em combate reforçam ainda mais essa ligação estética e narrativa.
Ainda assim, a série acaba prejudicada pelo excesso de explicações técnicas. Em vez de privilegiar coreografias fluidas e dinâmicas, a produção opta frequentemente por monólogos longos sobre distribuição de pontos e combinações de habilidades, o que transforma sequências que deviam ser eletrizantes em momentos quase didáticos, mais próximos de uma aula do que de uma batalha.
2The Most Notorious Talker Runs the World’s Greatest Clan
Produzido em conjunto pela Felix Film e pela Ga-Crew, com transmissão entre outubro e dezembro de 2024, este anime apresenta Noel Stollen, um jovem cuja classe de suporte não lhe confere qualquer capacidade de combate direto. Longe de se deixar abater por isso, Noel recorre à manipulação, à astúcia e a decisões frias para construir aquele que pretende ser o clã mais poderoso do mundo.
A obra distingue-se por adotar uma abordagem mais sombria e cínica ao sistema de caçadores e masmorras, explorando a política interna das guildas e a forma como o poder pode ser conquistado longe da linha da frente. Essa proposta mais calculista contrasta com o heroísmo mais direto de outras séries do género, o que poderia ter funcionado como um trunfo diferenciador.
O problema surge quando essa ambição narrativa esbarra em limitações orçamentais evidentes. A série recorre com frequência a imagens estáticas e a monólogos internos prolongados precisamente nos momentos em que se esperaria mais dinamismo visual, o que acaba por esvaziar o impacto de confrontos que, no papel, prometiam muito mais.
1Tomb Raider King
Estreado em julho de 2026 sob produção do estúdio sul-coreano EEK, este anime é a adaptação do manhwa da Redice Studio e acompanha Joo-Heon Seo, um caçador de relíquias traído pelos próprios aliados e enviado quinze anos para trás no tempo. Com o conhecimento antecipado dos acontecimentos futuros, o protagonista usa essa vantagem para conquistar tumbas amaldiçoadas, reunir artefactos extraordinários e construir um império de proporções globais.
O facto de partilhar a mesma produtora responsável pela adaptação de Solo Leveling gerou expectativas particularmente elevadas em torno deste projeto, que chegou a ser apontado como um possível sucessor natural. As semelhanças estéticas são evidentes, desde os traços marcados das personagens até às interfaces de progressão em tons de azul que dominam o ecrã durante os combates.
Apesar disso, a receção do público ficou marcada por uma sensação recorrente de já ter visto tudo aquilo antes. Muitos espectadores apontaram falta de originalidade narrativa e uma excessiva dependência de fórmulas testadas noutras adaptações de manhwa, o que impediu Tomb Raider King de se afirmar como algo verdadeiramente novo dentro do género.








