
Há uma pergunta que anda a circular entre fãs de anime há alguns anos, porque é que continuam a sair tantas adaptações de isekai, praticamente todas as temporadas, mesmo quando parte do público já demonstra sinais de saturação? Yusuke Onuki, presidente da Bushiroad Move e produtor com muita experiência na indústria, acredita ter uma resposta bastante direta, e ela tem menos a ver com criatividade e muito mais com contabilidade.
Onuki falou sobre isso num artigo de opinião para a revista económica japonesa Toyo Keizai, onde defende que a produção de anime atravessou uma mudança financeira estrutural nos últimos anos. Segundo o produtor, cerca de 90% da estrutura de receitas de um anime de horário noturno depende hoje de plataformas de streaming estrangeiras, com particular destaque para o mercado norte-americano.
De onde vem realmente o dinheiro de um anime
O raciocínio de Onuki assenta em números concretos. Uma série anime de horário noturno com as habituais 12 a 13 episódios custa, em média, cerca de 350 milhões de ienes a produzir. A grande maioria desse investimento tem de estar garantido antes de qualquer pessoa saber como o público vai reagir ao produto final.
Por essa razão, um projeto não avança apenas porque alguém dentro do comité de produção acredita que vai resultar num bom anime. Os investidores olham para outros fatores, potencial de merchandising, apelo nas redes sociais, mercados-alvo e, sobretudo, quanto é que os serviços de streaming internacionais estarão dispostos a pagar pelos direitos de distribuição.
Esta lógica financeira só se tornou possível com a ascensão do streaming, que substituiu grande parte da antiga dependência da indústria relativamente às vendas domésticas de DVD e Blu-ray, historicamente caras de produzir e distribuir. As plataformas internacionais podem oferecer aquilo a que a indústria chama Minimum Guarantee (MG), um valor mínimo garantido pago ainda antes da estreia de uma série. Este adiantamento dá aos comités de produção uma receita assegurada, capaz de cobrir uma parte substancial dos custos de produção, com títulos bem-sucedidos a gerarem depois receitas adicionais consoante o seu desempenho.
Para Onuki, isto alterou a pergunta fundamental que está por detrás da luz verde dada a qualquer projeto de anime. Em vez de perguntar quanto é que o público japonês vai gostar de uma determinada história, os comités de produção precisam cada vez mais de saber quanto é que as plataformas de streaming estrangeiras estão dispostas a pagar por ela.
Porque é que o isekai encaixa tão bem neste modelo
É aqui que entra o isekai. Segundo Onuki, as histórias de reencarnação e transporte para outro mundo adaptam-se particularmente bem ao mercado global precisamente porque a sua premissa básica atravessa fronteiras culturais com facilidade. Um protagonista inicialmente fraco, transportado para um novo mundo, subitamente dotado de um poder imenso e capaz de derrubar uma sociedade injusta, não exige do espectador qualquer conhecimento aprofundado sobre a vida escolar japonesa, convenções sociais locais ou nuances de relações interpessoais próprias do Japão.
Essa acessibilidade torna o género particularmente atrativo para as plataformas internacionais. E o raciocínio fecha-se sobre si mesmo, uma procura internacional forte traduz-se em ofertas de MG mais elevadas, ofertas de MG mais elevadas tornam os projetos investimentos mais seguros, e investimentos mais seguros incentivam os comités de produção a apostarem em ainda mais isekai.
As adaptações de web novels trazem ainda outra vantagem, essa puramente estatística. Obras populares em plataformas como a Shosetsuka ni Naro já chegam equipadas com rankings e contagens de visualizações públicas. Quando se pede a investidores para colocarem centenas de milhões de ienes num único anime, a frase “esta história já tem milhões de leitores” constitui uma evidência bem mais sólida do que a simples promessa de que um projeto original vai agradar ao público.
Um problema que a própria indústria já reconhece
O resultado deste modelo é que muitos dos títulos mais bem classificados na Narou já foram adaptados. À medida que as produtoras continuam a disputar entre si o material-fonte com maior probabilidade de agradar às plataformas internacionais, Onuki afirma que a indústria enfrenta aquilo que alguns profissionais do meio já descrevem como um problema de esgotamento de material-fonte, o conjunto de propriedades já validadas e desejáveis está, segundo o produtor, a ficar cada vez mais reduzido.
Onuki, que além do cargo na Bushiroad Move já trabalhou como produtor em animes como As a Reincarnated Aristocrat, I’ll Use My Appraisal Skill to Rise in the World, The 100 Girlfriends Who Really, Really, Really, Really, Really Love You e The Holy Grail of Eris, defende por isso que a atual onda de adaptações com premissas tão semelhantes entre si não resulta simplesmente de uma falta de ideias por parte dos criadores, nem de uma procura insaciável do público japonês por mais isekai. Trata-se antes, na sua leitura, do resultado previsível de uma indústria cada vez mais financiada por distribuição internacional e de um sistema de investimento que privilegia projetos com evidências mensuráveis de que vão vender.










Os animes atualmente são, em 90% dos casos péssimos…esses gêneros de Isekai, escolares, harém são intragáveis. Por isso o pessoa busca os antigos, os ovas mais desconhecidos, pq além de qualidade de animação, apresentam histórias mais profundas, conflitos que te forçam a buscar uma compreensão maior da obra. Volta e meia, quando quero assistir anime, acabo retornando para animes antigos que jà assisti, pq os novos vc não consegue assistir 10 capitulos
Saudades de quando animes da temporada de 12 episódios eram verdadeiras peças raras… Tinham um quê de especial, produções que você realmente se investia e se apaixonava. Por mais que a internacionalização desse mercado tenha sido benéfica em alguns aspectos, oque o público atual tem acesso hoje em dia sob distribuição periódica é simplesmente sem alma (um fast-food de animes, basicamente). Fica difícil não resistir ao apelo artístico de conteúdos mais antigos, como hataraku maou-sama, charlotte, death parade… e esses nem são tão antigos assim kkkkk
Até os animes estão a ser contaminados pelo ocidente.
Eu detesto isekais, fiquem com eles.
Não gosto quando falam que qualquer coisa ruim no Japão é culpa do ocidente. Especialmente quando “ocidente” é literalmente apenas os ESTADOS UNIDOS. Eu detesto isekai, nunca mais assisti nenhum depois de SAO (que já era horrível mesmo na época em que era novidade). Os japoneses decidiram fazer isekai por ser rentável, mas eles devem assumir primeiro que o mercado doméstico deles está falindo, não adianta só apontar o dedo pro “ocidente” e dizer que produzem porcarias comerciais e sem alma por nossa culpa.
Antes os isekais eram legais,mais com o tempo parece que os produtores estão só focando nisso,não é atoa que tem vários animes assim,eles não focam em algo novo,algo chato é que eles só tem isso de focar em namoro,parece que não focam em lutas e coisas do tipo(que é a próposta do anime) Kill Blue tinha essa próposta de luta e etc,ai colocou a personagem “Noren Mitsuoka” que é japonesa-Canadense ai ela é bonita só por ter parte do “sangue canadense”,ai o protagonista “Juzo Ogami” que antes era um assasino impecável vira um adolescente qualquer (não vou mentir na primeira temporada achei legal) ai colocou que vários caras queriam namorar a Noren,ai ficou chato,e tem até um cara que usa “chupeta” com a história de que isso foi a última coisa que sua “falecida mãe” deu a ele (eu achei meio paia),ai só em descobrir que o Onuki foi produtor de 100 namoradas que te amam muito mesmo,deu aquele nojo pq anime ruim,o cara tem até relação com a mãe de uma das meninas e ainda tem personagens que parece criança😐 que problemática essa bosta,e eles ainda vão investir na mesma coisa novamente o “isekai”.