O Mundo Obscuro das Idols

O Mundo Obscuro das Idols

Nos últimos anos infelizmente noticiamos vários casos insólitos envolvendo idols e os seus grupos, desde perseguições, a ataques violentos e até conspirações entre integrantes do mesmo grupo. Esses casos são algo comuns em nos grupos mais populares, no entanto isso é apenas a ponta de um enorme iceberg envolvendo idols. Existe todo um mundo de idols clandestinas chamadas de chika idols, basicamente elas são idols amadoras que sonham um dia poderem conseguir um contrato com uma agência e atingir o estrelato no mundo das idols ou até dar o “salto” para outras carreiras paralelas como a de atriz, cantora ou até dubladora.

No ano passado, teve um caso em que o pior aconteceu mesmo que foi a morte de uma jovem adolescente de 16 anos que se cometeu suicídio após ser sujeita a trabalhar 12 horas por dia durante 20 dias sobre a ameaça de uma multa elevada caso ele quebra-se o contrato. A mãe da vítima ainda tentou processar a agência, mas existe um grande impedimento no julgamento de agências que se aproveitam de jovens que são os chamados “contratos cinza”.

Contratos desses tem o intuito de tirar proveito de jovens adolescentes que muitas vezes não têm a noção ou maturidade de julgar um contrato antes de o assinar e todas as suas condições.

Esses contratos “cinzas” geralmente não têm condições especificas e direitos das agências, mas sim deveres das jovens em contrato, alguns até não possuem um pagamento fixo o que significa que mesmo que um grupo de idols ou uma idol vender cd’s, bilhetes para os seus concertos, mershadising etc.

Eles podem muito bem não receber nem 1% do lucro obtido. Devido a esses contratos serem tão “vagos” torna-se quase impossível julgar tal agência por um crime que tecnicamente nunca cometeram.

Numa entrevista ao The Japan Times duas antigas integrantes do grupo amador Nijiiro Fanfare contaram as condições precárias e inumanas a que foram sujeitas. Nijjiro Fanfare foi um grupo que ganhou a sua popularidade através de transmissões ao vivo, mas que devido as condições já intoleráveis a que eram sujeitas as quatro integrantes deram um “basta!” e deixaram o grupo.

Uma deles revelou ainda que numa reunião com a sua manager foi lhe dito que ele nunca mais iria encontrar trabalho nessa indústria.

 

“Nem sequer tentes em singrar nesta indústria. Eu irei esmagar-te com tudo o que tenho.”

De acordo a uma antiga integrante, as quatro assinaram contratos de 7 anos de duração que em nenhum caso poderiam quebrar. Mesmo após todas as deduções e taxas seu salário por mês era cerca de apenas 343 dólares, e todos os encargos no vestuário usado em concertos, transportes e gerência das suas redes socias era tudo em sua própria conta.

Ãya Kotobano de 23 anos, uma das ex-integrantes entrevistadas revelou que uma amiga dela a tinha dito que o seu contrato parece a de um escravo, mas na altura negou porque pensava que era normal.

Por mais que elas pedissem por um melhor tratamento, eram sempre ignoradas e eventualmente pararam as suas atividades como grupo de fez. As quatro então decidiram avançar para o tribunal contra a sua agência para a nulificação de seus contratos e pagamento de seus salários e mais tarde o julgamento se sucedeu, não revelado o resultado final mas ambas disseram que estavam satisfeitas com o resultado. Mesmo integrantes de grupos mais populares são sujeitas a esse tipo de contratos e condições.

“É um trabalho esgotante”, diz uma integrante de um grupo popular. Ela diz também que seria uma sorte se tiver um dia de folga por mês, já que existem eventos praticamente todos os dias, afinal ela tem de vender mershadinsing do grupo e atender a seções de “cumprimento” também além dos concertos por isso ela só deverá chegar a casa depois das 23h. E por causa do calendário muito pesado, ela diz que muitas vezes fica dias sem tomar banho.

Mesmo com o relativo sucesso de seu grupo, ela em média apenas recebe pouco mais de 300 dólares por mês e por cima disso os transportes até aos eventos são por conta dela. Ela diz também que apenas consegue sobreviver por causa das suas poupanças de seu emprego anterior como secretária, ela está praticamente presa ao seu contrato de 3 anos com a sua agência e no caso de quebra terá uma penalização legal bastante pesada.

Ela diz que normalmente vê jovens menores a terem aulas de dança à noite, observou até um caso em que uma jovem idol feria o pulso, e outras que já tinham indícios de depressão. Apesar de toda esta situação ela diz que não achava estranho na altura, alias ela tornou-se insensível a isso.

A sua agência de produção até a impôs a deixar todas as suas redes socias deixando-a afastada de todos em sua volta. Ela diz:

 

“Eu só desejava que estivesse em um ambiente em que pudesse receber um conselho de alguém, mesmo que seja só para desabafar.”

A indústria de idol hoje em dia é enorme, só para perceberem a sua dimensão na economia japonesa a indústria representa mais de 1 bilhão de dólares por ano. Todos querem lucrar na maioria sem sequer se preocuparem pelos bens estar das jovens, desde máfias, a pequenos empresários ou grandes agências de recrutamento todos querem ter a sua parte do negocia.

Agora pensamos, quem serão os verdadeiros culpados desta situação? Os pais que deviam ter mais atenção? As agências que apenas se preocupam com os lucros? Ou até as jovens, umas menores outras não que muitas vezes negligenciam os seus contratos em prol de um sonho?

Para terminar em um “tom” mais positivo queria partilhar duas histórias do melhor que se pode encontrar neste mundo das idols/artistas.

A primeira é uma história comovente que já tivemos a oportunidade de noticiar, é sobre uma chika idol chamada Emi Arisaka que teve o gesto bonito de organizar um concerto em memória de um fã falecido que a acompanhou a praticamente todos os seus concertos. A história fica ainda mais comovente quando sabemos que Okkyan, seu fã de longa data, não teve o seu merecido funeral por não ter nenhum familiar ou relativos próximos.

No seu blog Emi Arisaka escreveu:

 

“É muito triste para o falecido não ter pessoas próximas que se juntassem para o lembrar.”

A segunda história tem como grande figura a dubladora e também antiga idol Sora Tokui (Nico Yazawa em Love Live!) que no mês de dezembro no ano passado lançou um livro de ilustrações chamado “Panda no Oshigoto!” em dedicação a todos os fãs que a apoiaram durante toda a sua carreira. Atualmente Sora Tokui também tem uma manga em serialização chamado “Makeruna!! Aku no Gudan!”.