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Viram o trailer do remake de One Piece? Já há quem queira cancelá-lo

A Netflix revelou esta semana o primeiro teaser oficial de The One Piece, o remake do anime produzido pelo Wit Studio, o estúdio por detrás de Attack on Titan, Spy x Family e Vinland Saga, e a reação da comunidade foi, no mínimo, mista. O vídeo de 50 segundos foi apresentado no Festival Internacional de Animação de Annecy, onde o projeto marcou presença em duas apresentações distintas da plataforma, sinal claro de que a Netflix está a apostar forte neste lançamento.

A série anime estreia em fevereiro de 2027, exclusivamente na Netflix, com os sete episódios da primeira temporada disponíveis todos de uma vez. Cada episódio deverá rondar os 42 minutos, num total de aproximadamente 300 minutos, suficiente para cobrir os primeiros 50 capítulos do mangá de Eiichiro Oda, culminando no encontro de Luffy com Sanji no restaurante flutuante Baratie. A produção conta com a colaboração da Shueisha, da Fuji Television e da própria Toei Animation, o estúdio responsável pelo anime original que continua em emissão há mais de 25 anos.

Junto com o teaser, foi confirmado que Mayumi Tanaka regressa ao papel de Monkey D. Luffy, voz que ocupa desde a estreia do anime original em 1999. A atriz, com 71 anos, comentou no comunicado oficial: “Fiquei um pouco ansiosa em começar algo novo nesta idade, mas quando realmente tentei, fiz novas descobertas e consegui interpretar o Luffy com uma sensação fresca.” A sua participação foi aliás uma decisão do staff de produção, que recusou um pedido da própria atriz para ceder o papel a uma voz mais jovem.

O teaser apresenta sequências de ação, cores vibrantes e uma estética claramente diferente do anime de 1999. O diretor Masashi Koizuka, responsável por trabalhos como Attack on Titan, é o nome por detrás desta adaptação no WIT Studio, o mesmo estúdio que assina Spy x Family e Vinland Saga.

O que está a dividir os fãs

As reações ao trailer não foram uniformes, e as críticas agrupam-se em alguns temas recorrentes.

O estilo de animação é o ponto mais discutido. Muitos elogiam a fluidez, os planos de ação e a paleta de cores, em particular, a forma como a cor azul do oceano foi trabalhada. O próprio WIT Studio destacou que “a escala e a majestade do oceano é essencial, pelo que o diretor Koizuka e a equipa de 3D refinaram o seu aspeto com cuidado e atenção ao detalhe extraordinários”. Mas há também quem sinta que a estética geral perde a identidade visual característica da série, sobretudo nos segmentos em CGI, que parte do público considera excessivos.

A banda sonora é outro ponto de tensão. O One Piece original tem uma identidade musical muito forte, e a mudança de compositor não passou despercebida, vários fãs de longa data notaram a ausência da sonoridade a que estão habituados em momentos icónicos da série.

Há ainda uma questão mais estrutural, a necessidade do remake enquanto o anime original continua em emissão. Uma publicação que circulou nas redes sociais resume bem esse ceticismo: “Com estúdios anime como o WIT e o MAPPA a lutar para lançar novas IPs, isto ainda parece a produção mais desnecessária de todos os tempos, enquanto a série literalmente já existe e continua a lançar episódios”.

Do lado positivo, há reconhecimento generalizado da qualidade visual da produção e, sobretudo, do regresso de Mayumi Tanaka, um elemento de continuidade que muitos fãs valorizaram. A ideia de ter uma versão sem fillers, com ritmo mais próximo do mangá e acessível a novos espectadores, também recolhe simpatia, à semelhança do que aconteceu com a série live-action da Netflix, cujas duas temporadas estão disponíveis na plataforma.

O criador original, Eiichiro Oda, está envolvido no projeto. O CEO e co-fundador do WIT Studio, George Wada, explicou em março que a razão para refazer One Piece vem do próprio Oda: “Ele disse que One Piece se tornou muito longo e cheio de detalhes, pois começou há tanto tempo. A nova geração que vê produções modernas pode não sentir o mesmo entusiasmo pela animação antiga”.

A primeira temporada cobre até ao Arco Baratie, o que significa que há ainda muitos outros arcos do ciclo East Blue por adaptar em temporadas seguintes. O diretor Koizuka referiu na apresentação que está a encarar isto como uma “série longa”, se correr bem.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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