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Nova líder da Xbox quer acertar na estratégia de exclusivos, mesmo que demore

Asha Sharma admite que a questão da exclusividade é uma das mais complexas que enfrenta

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Asha Sharma tem pouco mais de dois meses no cargo de CEO de gaming da Microsoft, substituiu Phil Spencer, que se reformou em fevereiro de 2026 após 38 anos na empresa, e já enfrenta uma das perguntas mais difíceis de toda a história recente da Xbox, os jogos da Microsoft vão continuar a sair na PlayStation 5, ou não?

A resposta que deu ao Game File, numa entrevista de 28 minutos conduzida por Stephen Totilo no dia 24 de abril, foi simultaneamente honesta e inconclusiva. Ainda não há decisão. E não há prazo para a haver.

“Decisões com impacto de uma década”

A entrevista aconteceu um dia depois de Sharma e Matt Booty, promovido a vice-presidente executivo e diretor de conteúdo da Xbox, terem enviado uma carta aberta às equipas da divisão de gaming da Microsoft. Nessa carta, comprometeram-se a “reavaliar a abordagem à exclusividade, ao windowing e à IA”. Era a primeira vez que a palavra “exclusividade” aparecia em comunicações oficiais da Xbox desde que Sharma foi anunciada no cargo.

Quando pressionada a elaborar a CEO foi clara quanto à complexidade do que está em causa. “Estas são decisões de longo alcance, decisões com impacto de uma década”, disse. “Vamos adotar uma abordagem baseada em dados e uma abordagem estratégica, e depois vamos analisar os nossos princípios e tomar algumas decisões. Por isso, partilharemos mais quando estivermos prontos. Sabemos que é uma discussão importante a ter”.

Quando questionada sobre um prazo concreto, a resposta foi direta: “Nada a que estejamos prontos a comprometer-nos”. E acrescentou: “Estou há 60 dias. Estas são decisões de uma década tomadas antes de eu chegar. São decisões muito consequentes. Quero tomar a decisão certa, não a mais rápida”.

Uma estratégia que já existe mas não tem regras claras

Matt Booty foi mais específico sobre o que tem acontecido até agora. Desde 2024, a Xbox tem lançado progressivamente jogos first-party na PS5, mas sem uma política coerente, alguns títulos chegam simultaneamente nas duas plataformas, outros chegam depois, com meses de diferença. Fable, por exemplo, está previsto para lançamento simultâneo na PS5. Forza Horizon 6 chegará á PS5 depois da versão Xbox e PC, a mesma abordagem que foi usada com Forza Horizon 5, que gerou mais de 300 milhões de dólares só na PS5.

Booty sugeriu que a abordagem título a título poderá continuar, pelo menos enquanto não há uma nova política definida. “Uma grande abordagem às coisas, que tem sido excelente para se alinhar com a forma como a Asha pensa sobre isto, é simplesmente a intencionalidade”, disse. E acrescentou: “Cada título tem o seu próprio público, a sua própria abordagem, o seu próprio modelo de negócio. Não existe realmente um fio condutor único”.

Sharma afirmou também ter “ouvido todo o feedback” dos fãs históricos da plataforma que expressaram a sua deceção com o fim dos exclusivos. “Estamos a ouvir todo o feedback e estamos a analisar muitas coisas”.

Microsoft baixa o preço do Xbox Game Pass, mas corta Call of Duty no lançamento

O Game Pass também está em revisão

A questão da exclusividade está longe de ser o único dossier que a nova liderança tem em cima da mesa. A 21 de abril, a Xbox anunciou uma descida de preço do Game Pass Ultimate com uma contrapartida, os novos jogos de Call of Duty deixam de estar disponíveis no lançamento, passando a chegar ao serviço um ano depois. O PC Game Pass também baixou de preço..

Na entrevista Sharma explicou a lógica por detrás desta decisão em duas fases. “Estivemos a pensar no Game Pass em dois passos. Um é simplesmente: vamos garantir que é acessível, o que abordámos. O segundo é: como é que o valor se parece oito anos depois do advento do Game Pass e com o mundo a mudar à nossa volta e a próxima geração a entrar?”.

A CEO deixou ainda a ideia de que os novos assinantes atraídos pelo lançamento de Call of Duty: Black Ops 6 em 2024 podem simplesmente não ter ficado no serviço o tempo suficiente para justificar o modelo anterior. Quem fica, fica por mais do que um jogo.

Booty sintetizou a ambição que a nova equipa tem para as suas produções: “Cadência previsível, roadmap robusto, aposta na qualidade”. E citou o prémio Peabody conquistado por South of Midnight nessa semana como exemplo do tipo de resultado que quer replicar.

O Xbox Games Showcase está marcado para 7 de junho, e é aí que parte destas questões, sobre exclusivos, sobre Game Pass e sobre a nova identidade da plataforma, poderão começar a ter respostas mais concretas.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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