
A ASUS apresentou esta semana, na maior feira de tecnologia da Ásia, uma nova geração de computadores da linha ProArt. Os portáteis ProArt P16 e P14, assim como o ProArt Mini PC, chegam equipados com o RTX Spark, o mais recente superchip da NVIDIA que une pela primeira vez uma GPU Blackwell e uma CPU Grace numa única arquitectura unificada para PCs com Windows.
O anúncio aconteceu a 1 de junho de 2026 na Computex, em Taipei, e posiciona estes dispositivos como os primeiros computadores Windows concebidos especificamente para agentes de IA pessoais, ou seja, sistemas capazes de executar modelos de linguagem avançados directamente no hardware, sem depender da cloud.
O que é o RTX Spark e por que razão importa
O RTX Spark não é apenas uma nova GPU. Trata-se de um superchip ARM desenvolvido pela NVIDIA em colaboração com a MediaTek e a Microsoft, que funde num único pacote uma GPU NVIDIA Blackwell com 6.144 núcleos CUDA e Tensor Cores de quinta geração com precisão FP4, ligada através da interligação NVLink-C2C a uma CPU Grace com 20 núcleos. A memória unificada LPDDR5X pode atingir os 128 GB, partilhada dinamicamente entre processador e placa gráfica.
O resultado prático é considerável, 1 petaflop de desempenho de IA em FP4, capacidade para correr modelos de linguagem com 120 mil milhões de parâmetros e janelas de contexto até 1 milhão de tokens, tudo localmente, sem enviar dados para servidores externos. A largura de banda de memória chega a 300 GB/s.
Em termos de desempenho criativo, a ASUS e a NVIDIA indicam que estes sistemas conseguem renderizar cenas 3D com mais de 90 GB, editar vídeo em 12K 4:2:2 e gerar vídeo 4K com IA. Em gaming, o chip suporta jogos AAA a 1440p acima dos 100 fotogramas por segundo com ray tracing e DLSS 4.5.
Não é coincidência que o número de núcleos CUDA do RTX Spark coincida com o da GeForce RTX 5070 de secretária, uma referência que dá escala ao que a NVIDIA conseguiu empacotar num formato portátil.
NVIDIA entra no mercado de processadores de PC com o RTX Spark
ProArt P16 e P14: menos peso, mais capacidade
Os portáteis ProArt P16 (modelo H7607) e ProArt P14 (modelo H7407) representam uma revisão significativa em relação à geração anterior. São até 13% mais finos e 18% mais leves do que o ProArt P16 H7606 que os precedeu, um feito que a ASUS atribui diretamente à eficiência energética do RTX Spark.
Os dois modelos estão equipados com ecrãs ASUS Lumina Pro OLED com precisão de cor Delta E inferior a 1. O P16 sobe até resolução 4K a 120Hz com VRR e NVIDIA G-Sync, enquanto o P14 oferece até 3K. O brilho máximo chega a 1.600 nits, com revestimento antirreflexo.
Do ponto de vista térmico, o P16 está disponível em duas configurações, a versão H7607BA recorre ao sistema Ambient Cooling com câmara de vapor e saída de ar discreta, mais silenciosa; a versão H7607IA usa duplas entradas laterais para maior dissipação sob carga. Ambas utilizam metal líquido Thermal Grizzly na CPU.
Quanto ao design, chegam em dois acabamentos, Nano Black e Neo White, com superfícies suaves ao toque e tratamento antimanchas. A bateria tem capacidade até 99,9 Wh, pensada para autonomia de um dia completo de trabalho.
ProArt Mini PC: potência de workstation num formato compacto
O ProArt Mini PC representa outra aposta da ASUS nesta linha. Com um chassis de apenas 150 × 150 × 51 mm, concentra 1 petaflop de desempenho de IA e até 128 GB de memória unificada com alocação dinâmica. A margem térmica chega aos 140 W, pensada para cargas de trabalho prolongadas e exigentes.
Em termos de conectividade, inclui rede com fios de 10 GbE e expansão M.2 PCIe Gen 5 x4, especificações orientadas a estúdios profissionais e ambientes de IA de proximidade onde o espaço físico é uma restrição.
Adobe reconstrói o Photoshop e o Premiere para este chip
Um dos aspectos mais relevantes do ecossistema é o envolvimento da Adobe. A empresa está a redesenhar o Photoshop e o Premiere Pro de raiz para o RTX Spark, com o objectivo declarado de duplicar o desempenho de IA e gráficos face às versões actuais. O Photoshop está a tornar-se numa aplicação 100% acelerada por GPU nesta plataforma, com novos fluxos de trabalho generativos, edição em alto alcance dinâmico e pinceladas mais naturais. O Premiere, por seu lado, recebe um novo motor de vídeo orientado à edição em tempo real e correcção de cor acelerada por GPU.
Os dispositivos ProArt incluem ainda uma subscrição de três meses da Adobe Creative Cloud. O ecossistema de software estende-se a mais de mil aplicações e jogos acelerados, incluindo Blender, Blackmagic Design, CapCut, ComfyUI e OTOY, entre outros.
A ASUS integra também ferramentas próprias, o ProArt Creator Hub para optimização de recursos do sistema, e o MuseTree e StoryCube para produção de conteúdos assistida por IA. A plataforma inclui ainda integrações com Goodnotes e GoPro Cloud.
Vale a pena ter em conta que o RTX Spark não é exclusivo da ASUS. A primeira vaga de dispositivos com este superchip incluirá também equipamentos da Dell, HP, Lenovo, Microsoft Surface e MSI, com Acer e GIGABYTE a seguirem em datas posteriores. A Microsoft já apresentou o Surface Laptop Ultra com RTX Spark, o que reforça o peso estratégico desta plataforma para o futuro dos PCs Windows.
Do lado do software de base, a NVIDIA desenvolveu em parceria com a Microsoft o OpenShell e o Agent Toolkit, ferramentas destinadas a correr agentes autónomos locais com segurança nativa no Windows, um passo concreto para transformar o sistema operativo numa plataforma agêntica.
Os novos ProArt P16, P14 e Mini PC estarão disponíveis a partir do outono de 2026 em mercados seleccionados. Os preços não foram ainda divulgados, mas dada a natureza das especificações, é previsível que se posicionem claramente no segmento premium.









