InícioAnime5 animes quase perfeitos que, mesmo assim, foram cancelados

5 animes quase perfeitos que, mesmo assim, foram cancelados

Por muito que se goste de pensar no anime como uma forma de arte, a verdade é que, no fundo, continua a ser um negócio como qualquer outro. As decisões sobre continuar ou não uma série raramente têm a ver com qualidade ou com o carinho dos fãs, e quase sempre se resumem a uma única pergunta: o projeto deu ou não deu lucro suficiente para justificar mais um investimento.

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Stars Align

Stars Align já tem tema de encerramento

Stars Align chegou em 2019 como um dos grandes segredos bem guardados da temporada de outono, uma série centrada no ténis que usava o desporto como pretexto para falar de temas muito mais pesados, como abuso doméstico, bullying e traumas de infância. Ao longo de doze episódios, a produção conseguiu equilibrar cenas de jogo tecnicamente competentes com um retrato bastante cru da vida destes adolescentes, o que rapidamente lhe angariou uma legião de fãs fora do Japão.

O problema é que aqueles doze episódios nunca foram pensados para ser o produto final. A série tinha sido originalmente encomendada com vinte e quatro episódios, divididos em duas partes, e já estava em produção avançada quando a emissora decidiu, de última hora, reduzir a encomenda para metade. O diretor Kazuki Akane optou por não comprimir a história para caber no novo formato e preferiu manter a estrutura pensada para a versão completa, terminando a primeira parte a meio da história e com um final propositadamente inacabado.

Nos anos seguintes, Akane foi sendo bastante transparente sobre a situação em entrevistas e nas redes sociais, explicando que gostaria muito de terminar a história, mas que produzir uma segunda parte exigiria um investimento na casa das centenas de milhões de ienes, um valor que nenhum estúdio ou emissora se mostrou disposto a arriscar. Até hoje, os episódios treze a vinte e quatro continuam apenas no papel.

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Yuri!!! on Ice

Yuri!!! on Ice estreia em Outubro

Yuri!!! on Ice estreou em 2016 e tornou-se rapidamente um dos maiores êxitos originais do estúdio MAPPA, muito antes de a produtora se tornar sinónimo de nomes como Jujutsu Kaisen ou Chainsaw Man. A série seguia a recuperação psicológica de um patinador artístico japonês depois de uma derrota humilhante, e conquistou o público tanto pela sensibilidade com que tratava saúde mental como pela relação central entre as duas personagens principais, algo pouco comum no género na altura.

Terminada a temporada com doze episódios, foi anunciado em 2017 um filme intitulado Ice Adolescence, que serviria de continuação direta à história. O que se seguiu foram sucessivos adiamentos ao longo de vários anos, com a produtora a justificar cada atraso com a necessidade de aprofundar o conteúdo do filme. Depois de um longo silêncio, a produção acabou por ser oficialmente cancelada em abril de 2024, numa nota que se limitou a falar em circunstâncias diversas sem entrar em detalhe.

Só mais tarde, em entrevistas posteriores, o produtor Hideo Katsumata viria a esclarecer que a razão por trás do cancelamento tinha sido de ordem criativa e não financeira, um caso relativamente raro numa indústria onde a esmagadora maioria dos cancelamentos está associada a fracas vendas. Ainda assim, é do conhecimento público que o retorno financeiro da série ficou muito aquém do sucesso que teve junto do público, o que levou a MAPPA a redirecionar os seus recursos para franquias mais previsíveis em termos de receita.

3
Baccano!

Baccano! anime visual

Baccano! destaca-se de grande parte do catálogo anime pela forma como é contado, alternando entre diferentes décadas, personagens e pontos de vista sem nunca perder a coerência da narrativa. A série segue um elenco alargado de gângsteres, imortais e alquimistas ao longo de várias linhas temporais que só fazem sentido quando juntas, um exercício narrativo pouco comum para os animes da mesma época.

A adaptação, baseada nas light novels escritas por Ryohgo Narita, ficou-se pelos dezasseis episódios, cobrindo apenas os primeiros volumes da obra original. Isto significa que, quando a série terminou, ainda existia bastante material literário por adaptar, o suficiente para pelo menos uma segunda temporada.

Apesar disso, e mesmo com a receção positiva que teve junto da crítica e dos fãs, nunca chegou a ser produzida qualquer continuação. Sem vendas de discos suficientemente fortes para justificar o investimento numa nova temporada, Baccano! ficou congelado no tempo como uma obra fechada em si mesma, algo que continua a frustrar quem conhece o material original.

2
Ouran High School Host Club

Ouran High School Host Club conquistou o público ao pegar num cliché muito repetido em comédias românticas, o de um grupo de rapazes ricos que se apaixona por uma colega de origem humilde, e transformá-lo em paródia constante. As personagens têm plena consciência do próprio absurdo, o que ajuda a série a equilibrar momentos de comédia com instantes de romance genuíno.

Com vinte e seis episódios, a adaptação chega a um desfecho fechado e coerente em si mesmo. O problema é que esse final foi escrito de raiz para o anime, uma vez que, na altura da produção, o mangá ainda estava muito longe de terminar e não havia material suficiente para seguir a história original até ao fim.

Quando o mangá foi finalmente concluído, anos mais tarde, o anime já não recebeu qualquer atualização, spin-off ou segunda parte que alinhasse as duas versões da história. O resultado é que, para grande parte dos fãs que leram a obra original, o final da adaptação acaba por parecer bastante mais fraco do que aquele que os personagens mereciam.

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Deadman Wonderland

Deadman Wonderland vol 13 cover

Deadman Wonderland distinguiu-se de outros animes de ação pelo seu sistema de poderes original, em que as personagens aprendem a controlar e a transformar o próprio sangue numa arma. A combinação entre um cenário prisional distópico, combates brutais e uma sensação constante de perigo iminente ajudou a série a conquistar rapidamente os fãs de thriller e de ação mais sombria.

Produzida pelo estúdio Manglobe, a adaptação ficou-se pelos doze episódios transmitidos em 2011, cobrindo apenas uma parte relativamente pequena do mangá e deixando de fora vários arcos e revelações importantes sobre o passado das personagens principais. Na altura, as vendas de discos não foram suficientes para justificar uma segunda temporada, algo comum a muitas adaptações dessa altura.

O que fechou definitivamente qualquer hipótese de continuação foi o encerramento da própria Manglobe, que declarou falência em 2015 depois de anos de dificuldades financeiras. Com o estúdio responsável pela série extinto, Deadman Wonderland ficou sem qualquer via óbvia para receber uma continuação, mesmo que outra produtora quisesse eventualmente pegar no projeto.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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