
A Honor deixou de se apresentar apenas como fabricante de smartphones. A marca chinesa revelou esta semana um novo logótipo e um novo slogan, um passo que resume uma estratégia que já vem sendo construída há mais de ano e meio, transformar-se numa empresa de ecossistemas de dispositivos com inteligência artificial, e não apenas numa fabricante de telemóveis.
O anúncio introduz o chamado Honor Ring, um símbolo circular e aberto, com duas quebras em pontos opostos, que substitui a antiga assinatura visual da marca. Ao mesmo tempo, a Honor abandona o slogan Go beyond, usado durante anos, e adota agora Dare to be. A paleta de cores também muda, entra um azul mais saturado e profundo, identificado como Pantone 2193C, em substituição do tom mais claro que acompanhava a marca até aqui.

O que está por trás da mudança
Segundo a própria Honor, esta renovação não é apenas cosmética. O diretor executivo da empresa, Li Jian, associou o novo logótipo ao percurso da chamada Estratégia Alpha, lançada há 508 dias e avaliada em milhares de milhões de dólares, que tem como objetivo integrar de forma mais próxima o hardware, o software e a inteligência artificial nos produtos da marca.
Na prática, a mudança de identidade acompanha uma série de apostas que a Honor tem vindo a apresentar ao longo dos últimos meses e que, no seu conjunto, sustentam o argumento de que a empresa já não pode ser resumida a mais um fabricante asiático de telemóveis:
- O Robot Phone, um smartphone com um sistema de câmara que se desdobra num braço robótico com estabilização em vários eixos, mostrado publicamente no MWC 2026 e, mais tarde, na WAIC 2026;
- O AiMAGE, um motor de imagem que combina processamento no próprio chip, no dispositivo e na cloud, apresentado juntamente com um laboratório conjunto de imagem criado em parceria com a ARRI, fabricante alemã de referência em equipamento de cinema;
- Um novo sistema operativo orientado a agentes de inteligência artificial, apresentado como um salto geracional face ao software tradicional dos smartphones da marca.

O Robot Phone deverá chegar ao mercado chinês já a 12 de agosto, ainda sem confirmação de preço, enquanto a estreia global do aparelho está prevista para este mês de agosto, sem data exata anunciada até ao momento.
A Honor faz questão de associar esta mudança de imagem a resultados financeiros concretos. No primeiro trimestre de 2026, a marca diz ter crescido 25%, um valor que a coloca como a única fabricante chinesa a apresentar crescimento positivo nesse período. As receitas obtidas fora da China já representam mais de metade do total faturado pela empresa, e os smartphones dobráveis da Honor mantêm o segundo lugar no ranking mundial da categoria.
Ainda assim, o cenário no mercado interno chinês é mais complexo do que este discurso sugere. Desde o regresso da Huawei ao segmento de smartphones, com novos chips Kirin lançados no final de 2023, a quota de mercado da Honor na China tem vindo a cair de forma consistente, a marca liderava o mercado chinês em 2023, com 17,1% de quota, segundo dados da IDC, mas desceu para uma partilha do quarto lugar em 2024 e caiu para fora do top cinco em 2025. No segundo trimestre de 2026, as vendas da Honor recuaram 9,5% face ao ano anterior, o que a coloca em sexto lugar no mercado chinês, enquanto Huawei e Apple cresceram 19,4% e 24,4%, respetivamente.
A subida generalizada do preço da memória tem penalizado sobretudo marcas de gama média, como a Honor, que têm menos margem para absorver os custos acrescidos sem os repercutir no consumidor final, ao contrário de concorrentes com maior escala.

Uma marca a falar para os mais jovens
Para além da tecnologia, a Honor está também a mudar a forma como se posiciona junto do público. A empresa tem vindo a associar-se a grandes eventos internacionais e a marcas de design de brinquedos colecionáveis, numa tentativa de se aproximar de um público mais jovem e de deixar de ser vista apenas como uma marca definida por fichas técnicas e especificações.
O objetivo, segundo a própria Honor, é ser reconhecida não como mais um gigante tecnológico distante, mas como uma marca próxima, disposta a arriscar em formatos diferentes do que é habitual no setor, uma tentativa de dar forma visual a uma ambição que, até agora, ultrapassava a imagem tradicional da marca.









