Caligula — Ep. 2: Mantendo o que já estava bom!

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Estruturado de uma maneira um pouco similar ao seu anterior, o novo episódio de Caligula dá procedimento direto do primeiro episódio e nos mostra um pouco mais da mesma dosagem em relação a como esse mundo realmente é, os perigos que os protagonistas correm porém em pequenas parcelas dado que nós acompanhamos, principalmente, alguns deles se adequando a esse novo cenário ao redor deles. A Queda é inevitável e muito do que nos é mostrado é apenas um grande build-up para uma construção de arco que não setou seu verdadeiro clima no primeiro episódio – o que me fez gostar bastante dele, devido o tempo que ele se permitiu para desenvolver o ambiente, os personagens ao seu redor com foco no protagonista para de repente, ele transformar aquela realidade ao redor deles e mostrar que algo está errado naquele lugar.

Muito dos elementos que resgatam a essência do escritor Tadashi Satomi durante suas histórias anteriores em Revelations: Persona, Persona 2: Innosent Sin e Persona 2: Eternal Punishment já foram citadas no artigo relatando um pouco das minhas opiniões em torno não somente do jogo mas também do primeiro episódio do anime, por tanto, muito das comparações serão mais realizadas durante o Veredito ao término do anime, mas até lá, acompanharemos episódio os analisando como uma obra própria e revelando pequenas curiosidades aqui e ali quando eu achar necessário, mas no momento, não temos muito o que falar do segundo episódio além de que: Ele se manteve bom!

O Ritmo se manteve bem gostoso de se acompanhar, as doses de emoções se mantiveram no “crescendo”, não tivemos piadas fora de lugar – além da aparição da personagem que eu mais detesto na história de The Caligula Effect, a maldita da Aria… minha nossa senhora, como eu odeio essa personagem! No jogo ela é INSUPORTÁVEL! – e tiveram momentos que conseguiram ajudar a construir ainda mais o suspense e um pouco, principalmente, do drama pessoal de cada personagem que serviria de build-up para a surpresa e impacto emocional que todos teriam no encerramento do episódio.

Cenas bem dirigidas, eu gostei bastante como eles intercalaram eventos do jogo que não são mostrados dentro de cutscenes, mas sim nas nossas explorações e que encaixaram bem através dos momentos que acrescentaram um pouco a inserção de tensão – principalmente na reta final do Episódio 2. Uma coisa que eu estou notando cada vez é a ausência de referências e inserções de diálogos e focos de câmera diferentes que dão um ar de algo mais “novo”, um toque diferente do que eu estava acostumado a ver no jogo e que a adaptação conseguiu me passar um sentimento de conseguir reacompanhar essa história com novos olhos.

O Desenvolvimento acabou seguindo bem, conseguimos ter uma boa continuidade da cena anterior que encerrava o primeiro episódio, tivemos uma cena de fuga que intercalou com um momento de comédia que apesar de parecer deslocado, contribuiu para a construção de que o protagonista está cada vez mais se sentindo descolado dessa realidade, nem mesmo aquele que o salvou possuí o suficiente para que possa ser atrativo e sinônimo de segurança, buscando ficar sozinho e procurar soluções que acabou gerando a adaptação da cena que no jogo não é tão boa assim, mas que no anime acabou ficando interessante sobre ele conseguir sentir que através das músicas da “nyu” as pessoas estavam se tornando cada vez mais alteradas, gerando os estranhos surgimentos de camadas obscuras em seus corpos e comportamentos violentos – até mesmo capacidades sobre-humanas.

Acima disso, os questionamentos que estão cada vez mais se interligando com as perguntas realizadas pelo protagonista no começo se mantêm, porém ligados mais fortemente ao descobrimento de uma camada adicional dessa cidade que eles acreditavam ser “segura”. Essa poderia ser uma resposta direta ao questionamento de uma das amigas do protagonista sobre você não querer conhecer camadas que não gostaria de obter respostas sobre si mesmo ou algo ao seu redor e a maneira como isso permeou os dois primeiros episódios e se encaixaram tão bem, sem cuspir informação mas ao mesmo tempo que mostrando hints o bastante para que o telespectador possa juntar as duas peças facilmente, tornou a experiência bem agradável de se ver ao menos sob meu ponto de vista.

Alinhado a isso, nós temos a progressão do sentimento de que cada vez mais os sentimentos de perseguição, perigo e risco estão em um “crescendo”. A Trilha Sonora acompanhada com a ambientação que mesmo sendo a mesma instância, o sentimento que passa é de que – justamente, mais uma vez, interligando com o tema em torno das camadas – descobrimos camadas dessa região que durante tanto tempo nos sentimo seguros. Cada vez mais, através não somente do protagonista mas das pessoas ao seu redor que mesmo em pouco número, possuem as mesmas sensações e questionamentos, presenciam uma mudança gradual e mesmo quando buscando por uma fuga, se deparam com uma situação de risco e aumento de terror absurdo em seus corações ao descobrirem sobre o que se trata aquilo ao seu redor verdadeiramente.

Tem sido uma experiência verdadeiramente agradável acompanhar Caligula, estou feliz dele ter recebido uma adaptação e que até o momento, tem se mantido fiel, contando bem a história contida no jogo, fazendo as concisões corretas que estão me agradando verdadeiramente e trazendo aquilo que será o mais próximo de Persona 2 que veremos nas televisões japonesas. Espero que mais pessoas possam dar uma chance a esse anime, porque ele definitivamente não somente quer entreter mas ele possuí coisas excelentes a se dizer, então está mais do que recomendado.

Espero que tenham gostado e que as minhas opiniões tenham complementado para o compreendimento ou o incentivo do que vocês poderiam encontrar nesse anime, procuro sempre não entrar em spoilers, apenas mencionar e dar uma palinha por cima, sem influenciar muito e apenas dizendo quais minhas impressões sobre o episódio para que as discussões nos comentários seja mais agradável. Obrigado por lerem.

Até a Próxima.