
O Samsung Galaxy S26 Ultra foi anunciado a 25 de fevereiro de 2026 num Unpacked em São Francisco e chega agora ás lojas. O preço de partida mantém-se semelhante ao modelo anterior, o que é, de certa forma, a única surpresa positiva num lançamento que confirma aquilo que já se suspeitava: a Samsung continua a refinar em vez de reinventar.
Quem venha do S24 Ultra ou, especialmente, do S23 Ultra, vai notar diferenças concretas. Para os utilizadores do S25 Ultra, a equação é muito menos clara.
Design e construção
O S26 Ultra ficou ligeiramente mais fino, 0,3 mm menos, e perdeu 14 gramas face ao anterior. As diferenças são menores ao toque, mas a forma mais arredondada nas extremidades torna o telemóvel genuinamente mais fácil de segurar. A Samsung abandonou a moldura em titânio que usava desde o S24 Ultra e regressou ao alumínio, o que constitui um retrocesso em termos de material, ainda que na prática a construção continue a ser robusta e bem acabada.
O ecrã continua com 6,9 polegadas, resolução QHD+, AMOLED 2X com 120 Hz e suporte a 2600 nits de brilho de pico. A proteção frontal mantém o Gorilla Armor 2. As cores disponíveis são Cobalt Violet, Black, Sky Blue e White, e, ao contrário do que acontecia com o S25 Ultra, as cores mais apelativas não ficam reservadas para os modelos mais baratos da linha.
O S Pen continua presente. Mas continua sem Bluetooth, por isso o controlo remoto e os Air Actions continuam desaparecidos.

O grande destaque: o Privacy Display
A novidade mais falada do S26 Ultra é o Privacy Display, e é também a que mais divide opiniões. A ideia é simples e genuinamente útil, o ecrã usa dois tipos de pixels, uns que emitem luz em ângulo largo (como num painel normal) e outros que projetam a luz diretamente para a frente. Quando o modo de privacidade está ativo, os pixels largos são desligados, deixando apenas os direcionais a funcionar. O resultado é que quem olha de lado não vê nada, o ecrã parece apagado. Quem olha de frente, vê tudo normalmente.
É uma tecnologia que impressiona na teoria e nas primeiras demonstrações. O problema é o que fica por dizer na apresentação.
Quando o modo de privacidade está ativo
Com o modo ligado ao máximo, a perda de qualidade é imediata e óbvia. Ao desligar metade dos pixels do ecrã para criar o efeito de privacidade, a resolução efetiva cai para metade. O texto perde definição, os ângulos de visão ficam muito mais estreitos do que o habitual, e o brilho geral do painel diminui visivelmente. Em áreas com muita luz, como no exterior ou em locais com muito luz natural, o Privacy Display funciona melhor. Mas em ambientes mais escuros, ou mesmo em casa em iluminação normal, o efeito é muito menos eficaz.
Os ângulos a partir dos quais o ecrã fica completamente invisível são menos do que se esperaria, e na prática muita gente ao lado do utilizador ainda consegue ver o que está no ecrã.
Quando o modo de privacidade está desligado
Aqui é que o problema se torna mais preocupante. Mesmo com o Privacy Display completamente desativado, a presença física dos pixels direcionais no painel afeta a qualidade da imagem. Os pixels direcionais são permanentes no ecrã, e mesmo em modo normal a sua contribuição para a imagem varia consoante o ângulo de visão. O resultado é que o texto pode parecer ligeiramente mais granulado, as linhas finas mostram imperfeições nas arestas, e podem até provocar cansaço ocular após uso prolongado.
O revestimento anti-reflexo, historicamente um dos pontos fortes dos Ultra face à concorrência, também ficou ligeiramente pior nesta geração.
Para ser justo, a maioria dos utilizadores não vai olhar para o ecrã com um microscópio nem em ângulos extremos. Em utilização frontal e brilho moderado, o ecrã do S26 Ultra é excelente. Mas estamos a falar de um telemóvel que começa em mais de mil euros, e nesta faixa de preço um ecrã que regride em qualidade face ao modelo anterior, mesmo que subtilmente, é difícil de ignorar.

Câmaras
Nas câmaras, a contagem de megapixéis mantém-se igual: 200 MP na principal, 50 MP ultra-grande angular, 50 MP telefoto de 5x e 10 MP telefoto de 3x. O que muda, e de forma significativa, são as aberturas e o sensor.
A câmara principal passou de f/1,7 para f/1,4, com um sensor revisto, uma diferença que representa uma entrada de luz 47% superior, segundo a Samsung. A câmara telefoto de 5x também ganhou uma abertura mais larga, passando de f/3,4 para f/2,9, o que equivale a cerca de 37% mais luz nessa lente. Na prática, ambas as melhorias fazem-se sentir sobretudo em baixa luminosidade, menos ruído, mais detalhe em sombras e uma margem de exposição claramente maior. A câmara de 5x é uma das melhores surpresas, com uma profundidade de campo ainda mais reduzida que a torna útil para fotografias com grande detalhe. A ultra-grande angular, a telefoto de 3x e a câmara frontal de 12 MP ficaram iguais ao S25 Ultra. São mudanças modestas em comparação com o que marcas chinesas como a Xiaomi ou a Vivo anunciaram recentemente, mas na prática fazem diferença nos cenários em que mais importa.
O novo modo Super Steady Video usa dados de giroscópio e acelerómetro em tempo real para estabilizar o horizonte automaticamente e em vídeos de ação é notório. O formato APV (Advanced Professional Video) permite gravar em 8K a 30 fps, uma adição relevante para criadores de conteúdo que trabalham com material de alta resolução.
A câmara selfie de 12 MP recebeu melhorias de processamento de imagem, com melhores resultados em pele e cabelo em diferentes condições de iluminação.
Desempenho e bateria
O Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy é o chip do momento, mais rápido, mais eficiente, e com melhor gestão térmica. A Samsung redesenhou o sistema de arrefecimento para dissipar 20% mais calor, e o telemóvel mantém temperaturas significativamente mais baixas do que a concorrência em uso intensivo. É o chip Android mais rápido disponível atualmente.
A bateria continua com 5000 mAh. É o mesmo valor do S25 Ultra, do S24 Ultra, e do S23 Ultra. Numa altura em que a OnePlus, a Honor ou a Xiaomi chegam ao mercado com células de 6000 mAh ou mais, a Samsung mantém a mesma capacidade há quatro gerações. A carga rápida subiu de 45W para 60W por cabo, uma melhoria real, e sem fios passou para 25W. É progresso, mas a concorrência chinesa continua a oferecer 80W, 100W ou mais.
Dito isto, na vida real a autonomia é satisfatória. A eficiência melhorada do chip compensa parte da estagnação da bateria, e é difícil acabar um dia normal com o telemóvel sem carga.

Galaxy AI: muitas funcionalidades, utilização real incerta
O Galaxy AI é apresentado como o motor central do S26 Ultra, e há funcionalidades genuinamente úteis: a tradução de chamadas em tempo real funciona bem, o Photo Assist consegue agora adicionar elementos a fotografias (não apenas remover), o resumo de transcrições é prático, e o Now Nudge, que sugere ações com base no que está no ecrã, tem momentos de genuína utilidade.
O Now Brief, que resume o calendário, condições meteorológicas e informações do dia, e o Bixby com linguagem natural para ajustar definições são exemplos de como a IA pode reduzir fricção no uso diário.
Mas é honesto reconhecer que grande parte do que o Galaxy AI oferece cai numa categoria de funcionalidades que a maioria dos utilizadores vai explorar uma ou duas vezes e raramente vai usar no quotidiano. A geração de stickers, a transformação de esboços em imagens, o Creative Studio para criar convites e wallpapers, são recursos bem executados, mas o seu impacto no preço final do aparelho é questionável. Perguntar a alguém quanto vale uma funcionalidade que vai usar esporadicamente é sempre uma questão legítima quando se gasta mais de mil euros num telemóvel.

Vale a pena comprar?
O S26 Ultra é um excelente telemóvel. O Snapdragon 8 Elite Gen 5 é o melhor chip Android do mercado, as câmaras com aberturas mais largas melhoram onde importa, a construção é sólida, e sete anos de atualizações de software continuam a ser um dos melhores compromissos que a Samsung oferece no mercado Android.
Mas o Privacy Display, a única novidade verdadeiramente nova desta geração, é uma tecnologia em versão 1.0, com compromissos reais na qualidade do ecrã que a Samsung reconhece mas minimiza. A bateria não cresceu. A carga continua lenta. E o preço mantém-se no nível mais alto da gama.
Quem vem do S25 Ultra, a resposta é quase certamente não. Quem vem do S23 Ultra ou anterior, vai sentir uma diferença real. E quem está a comparar com a concorrência chinesa, cada vez mais presente e cada vez mais bem equipada, vai ter questões legítimas sobre se este preço premium pedido pela Samsung se justifica.









