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Bastidores da temporada 2 de One Piece revelam a produção mais ambiciosa da Netflix

Do estômago de uma baleia a uma cidade pintada de cor-de-rosa: o conteúdo de making-of da segunda temporada mostra até onde a Tomorrow Studios foi para criar a Grand Line

Uma semana depois do lançamento da segunda temporada de One Piece na Netflix, a plataforma cumpriu o que tinha prometido e disponibilizou hoje, 17 de março, uma série de cinco episódios de conteúdo de bastidores dedicada à produção de Into the Grand Line. O que fica desta viagem pelo interior da máquina é uma ideia mais clara do que custou, em tempo, esforço e escala, fazer funcionar uma das adaptação live-action mais bem-sucedidas da história do streaming.

Cenários que ninguém alguma vez vai ver por completo

Tom Hannam, o designer de produção da série, partilhou no conteúdo de bastidores as referências que guiaram a construção dos cenários desta temporada. Loguetown foi inspirada na cidade italiana de Florença. Whisky Peak, que no mangá original tem raízes na arquitetura de Taos Pueblo, no México, foi pintada de cor-de-rosa para ganhar presença visual e transformada num porto de escala recheado de armadilhas para piratas incautos, precisamente como os agentes da Baroque Works queriam.

Para o Pequeno Jardim, a equipa foi ainda mais longe nos detalhes da casa de cera do Mr. 3, tornando-a deliberadamente mais ornamentada do que a versão do mangá, de forma a sublinhar o caráter artístico e excêntrico da personagem. E depois há o estômago de Laboon. O ator Taz Skylar, que interpreta Sanji, descreveu o cenário construído para o interior da baleia como um edifício de cinco andares. As filmagens nesse cenário específico exigiram cerca de 15 noites de rodagem.

Há ainda outro nível de detalhe, partes dos cenários que foram construídas mas que nenhuma câmara alguma vez captou claramente. A produção manteve esse grau de rigor mesmo sabendo que os fãs não iriam notar.

Chopper não é apenas um efeito especial

Mikaela Hoover emprestou a voz e fez captura facial para Tony Tony Chopper, mas a personagem envolveu duas outras pessoas que raramente aparecem em destaque: N’Kone Mametja e Gavin Gomes. N’Kone, atriz sul-africana, foi a substituta física de Chopper durante as filmagens, fornecendo ao elenco uma presença concreta com quem interagir, a sua imagem e likeness foram depois substituídas em pós-produção. O ator que interpretou o Dr. Hiriluk elogiou publicamente o seu trabalho.

Gavin Gomes ficou responsável pela versão Heavy Point de Chopper, a transformação humanoide da personagem. Ao contrário do que acontece com a forma habitual do médico-rena, não há CGI envolvido nesta versão, Gomes usou um fato de corpo inteiro e maquilhagem extensiva para criar uma performance fisicamente presente.

Um mês a coreografar uma única cena

A segunda temporada exigiu mais dos atores em termos físicos do que a primeira. Emily Rudd confirmou nos bastidores que o elenco realizou a maior parte das suas coreografias de combate. Taz Skylar, já conhecido por partilhar os seus treinos nas redes sociais, continuou a treinar depois da primeira temporada ter terminado, preparando-se especificamente para as exigências físicas de Sanji. Iñaki Godoy começou a aprender ginástica para melhorar a fisicalidade do papel de Luffy. Julie Rehwald, que interpreta Tashigi, aprendeu esgrima de raiz com o mestre de espadas da produção, Koji.

A cena mais exigente de toda a temporada, de acordo com o que foi revelado nos bastidores, foi a luta no salão de Whisky Peak, um cenário construído em vários andares para que Mackenyu (Zoro) fosse eliminando agentes da Baroque Works enquanto subia. A coreografia demorou um mês inteiro a ser desenvolvida em palco antes de passar para a equipa de pré-visualização e depois para os duplos. O coordenador Franz Spilhaus foi claro, tudo o que se vê no ecrã é o próprio Mackenyu.

Oda no set e em japonês

Uma das revelações mais interessantes do conteúdo de bastidores diz respeito à relação entre Iñaki Godoy e Eiichiro Oda. O ator mexicano, que interpreta Luffy, aprendeu japonês durante a produção e conduziu ele próprio a entrevista com o criador do mangá na língua nativa de Oda. A visita de Oda ao set da Tomorrow Studios na Cidade do Cabo, na África do Sul, foi descrita pelo próprio como uma experiência que quase não queria que terminasse.

Quando Godoy lhe perguntou como tinha criado a personagem de Luffy, Oda respondeu: “Luffy é uma criança ideal para mim. Quando te tornas adulto e entras numa empresa, nem sempre podes fazer o que queres. Entrar na sociedade muitas vezes significa perder a liberdade. Luffy tem o coração de uma criança, por isso faz o que quer. Esse aspeto é provavelmente, para os adultos que já trabalham na sociedade e para as crianças que estão prestes a entrar nela, o que torna o Luffy tão apelativo”.

A terceira temporada, que deverá adaptar o arco de Alabasta, está atualmente em rodagem em Cape Town desde novembro de 2025.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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