
Um veterano do submundo de Tóquio, reencarnado no corpo de uma princesa de um reino de fantasia, continua a conquistar leitores no Japão. Yakuza Reincarnation, mangá de Takeshi Natsuhara e Hiroki Miyashita, ultrapassou os 1,15 milhões de cópias em circulação, somando as edições em papel e digital dos primeiros 21 volumes.
A marca foi anunciada junto do lançamento do 21.º volume, previsto para chegar às livrarias japonesas a 19 de agosto. A progressão tem sido rápida, o volume 18, publicado em agosto de 2025, já assinalava a passagem do milhão de exemplares, e o volume 20, editado em abril de 2026, situava a tiragem acumulada nos 1,1 milhões.
A história segue Nagamasa Ryumatsu, um chefe yakuza da velha guarda que controla o seu território em Kabukicho, o bairro de diversões noturnas de Tóquio. Fiel a um código de honra cada vez mais raro no crime organizado contemporâneo, Ryumatsu acaba traído e morto por jovens rivais sem escrúpulos. Ao acordar, descobre-se transformado em Sanaria Ryu Lundberg, uma jovem princesa de um reino fantástico ameaçado por conspirações palacianas.
O contraste é o motor da história, por fora, uma nobre delicada; por dentro, um velho lobo do crime que não larga os hábitos de uma vida inteira. Ryu recusa comportar-se como se espera de uma princesa e enfrenta bandidos, monstros e nobres corruptos da mesma forma direta com que outrora resolvia problemas nas ruas de Tóquio, aplicando a ética yakuza, lealdade, justiça pelas próprias mãos, respeito pela palavra dada, a um mundo de magia e intriga política.
A obra combina por isso dois géneros que raramente se cruzam, o drama policial japonês centrado no universo yakuza e o isekai, o subgénero de fantasia em que a personagem principal é transportada para um mundo alternativo. Essa mistura pouco habitual tem sido apontada como um dos motivos do sucesso da série junto do público seinen, mais adulto, ao qual se destina.
Yakuza Reincarnation é publicada desde julho de 2019 na revista Monthly Sunday Gene-X, da editora japonesa Shogakukan. O argumento é da autoria de Takeshi Natsuhara, também conhecido por títulos como Kurosaki, e o desenho está a cargo de Hiroki Miyashita, ilustrador com outras séries de assinatura própria, como Tokyo Crow e Judicial Duel.
Nenhum dos dois é estranho ao imaginário do crime organizado japonês, Natsuhara construiu carreira sobretudo em narrativas ligadas ao mundo yakuza e a esquemas de vigarice, um universo que também explora, por exemplo, no mangá Densetsu no Kashira: Shou, entretanto adaptado para série live-action








