
Quem está a pensar montar ou atualizar um PC nos próximos meses talvez deva repensar os planos, ou antecipar a compra. Segundo a empresa de análise de mercado chinesa Minutes Logic Society a Intel estará a preparar uma nova subida de preços nos processadores para o mês de maio. Seria a terceira em 2026, depois de aumentos já registados em fevereiro e março.
O acumulado dos três aumentos aponta para uma diferença de cerca de 30% face aos preços praticados em 2025, dependendo do segmento e do modelo em questão. O aumento previsto para maio deverá abranger processadores de secretária e portátil Core Ultra, assim como chips Xeon para servidores.
A justificação é conhecida, a explosão da procura por infraestrutura de IA. Os centros de dados que alimentam sistemas de inteligência artificial precisam de cada vez mais processadores, e a capacidade de produção não consegue acompanhar esse ritmo. A Intel confirmou que está a atualizar os preços para os fabricantes de equipamentos (OEMs), tendo o responsável global de canais da empresa, Dave Guzzi, reconhecido que a escassez está a afetar todos os segmentos de forma transversal, desde fornecedores de serviços cloud até construtores de sistemas.
A situação não é exclusiva da Intel. Tanto a Intel como a AMD notificaram os seus clientes de subidas de preços em março e abril de 2026, com aumentos na ordem dos 10% a 15% a afetar tanto produtos de servidor como de consumo. A AMD, que utiliza a capacidade de produção da TSMC, tem tentado resistir à pressão no segmento de consumo, mas o espaço de manobra está a estreitar-se à medida que a procura empresarial continua a crescer.
Uma crise que vai além dos processadores
O problema é mais amplo e já se está a fazer sentir noutros componentes. A RAM e o armazenamento NAND enfrentam uma escassez severa, com analistas a preverem subidas de 58% a 63% nos preços de DRAM convencional no segundo trimestre de 2026.
A Lenovo é um dos exemplos mais visíveis do impacto desta crise no produto final. O modelo Legion Go 2, portátil de gaming da marca, subiu de preço de forma silenciosa, a versão com AMD Ryzen Z2 e 16 GB de RAM passou de 1.099,99 dólares (lançamento em outubro de 2025) para 1.499,99 dólares, um aumento de 36%. A versão mais equipada, com Ryzen Z2 Extreme e 32 GB de RAM, saltou de 1.349,99 para 1.999,99 dólares, o que representa uma subida de 48%. Ambos os modelos estão atualmente sem stock disponível.
No setor das placas gráficas, a Nvidia optou por uma decisão que diz muito sobre as prioridades da indústria, a empresa não irá lançar nenhuma nova placa gráfica para consumidores em 2026, incluindo a atualização planeada da série RTX 50 Super. O foco está nos chips para centros de dados, onde as margens de lucro rondam os 65%, comparadas com cerca de 40% nas GPUs de gaming. Em 2022, o segmento de gaming representava 35% das receitas da Nvidia; em 2025, esse valor tinha caído para 8%.
O efeito nos consumidores
Para quem compra hardware no mercado a retalho, o impacto já é visível. Os últimos seis meses foram particularmente penalizadores para os fabricantes de PC, com os preços da memória a empurrar o custo dos sistemas para cima. Fabricantes como a HP, Dell e ASUS registaram um fosso crescente entre a procura de CPUs e as entregas disponíveis desde o final de fevereiro de 2026.
Em janeiro, a Intel já tinha admitido que a empresa foi apanhada de surpresa pela procura por processadores de servidor. O CFO David Zinsner tinha alertado que o primeiro trimestre de 2026 seria o período mais difícil para satisfazer a procura, com os stocks a esgotarem-se precisamente nessa altura.
É estimado que a pressão sobre a oferta e procura de CPUs possa começar a aliviar na segunda metade de 2026, à medida que os nós de processo avançados libertem mais capacidade. Até lá, compradores individuais e construtores de sistemas continuarão a competir com os centros de dados pelo mesmo hardware.









