
Nas últimas horas, a página do Marathon no Steam transformou-se num campo de batalha. Depois de a Bungie confirma que Destiny 2 receberá a sua última atualização a 9 de junho, uma vaga de críticas negativas atingiu o extraction shooter, não pelo que o jogo é, mas pelo que ele representa aos olhos de uma comunidade que sente ter perdido a sua casa.
O fim de uma era
Destiny 2 foi lançado em 2017 e, ao longo de quase uma década, construiu uma base de jogadores profundamente fiel. O comunicado oficial da Bungie, intitulado “Destiny 2: Every Ending is a New Beginning”, reconhece “quase doze anos de história” e promete manter os servidores ativos, tal como acontece com o Destiny original, mas deixa claro que o desenvolvimento ativo chegou ao fim. Não há novos conteúdos planeados, não há expansões futuras, e não existe, pelo menos por agora, qualquer projeto Destiny 3 confirmado.
Segundo Jason Schreier, da Bloomberg, a Bungie enfrenta ainda um número “significativo” de despedimentos. A razão é simples, a equipa que trabalhava em Destiny 2 não tem, neste momento, nenhum projeto novo para o qual transitar e a Sony, que adquiriu o estúdio por 3,6 mil milhões de dólares em 2022, registou já perdas por imparidade de cerca de 765 milhões de dólares sobre os ativos da Bungie. Schreier acrescentou, numa publicação no Bluesky, que a razão pela qual a Bungie não avançou imediatamente para Destiny 3 depois de The Final Shape é, como tantas vezes acontece nesta indústria, uma questão de quanto dinheiro isso custaria.

Marathon como alvo
Marathon, lançado a 5 de março de 2026, chegou ao mercado com um orçamento de produção que terá ultrapassado os 250 milhões de dólares. O jogo recebeu críticas positivas, mas ficou aquém das expectativas comerciais da Sony. Ainda assim, o que está agora a acontecer na sua página no Steam tem pouco a ver com a qualidade do jogo em si.
A vaga de avaliações negativas que surgiu após o anúncio é reveladora, muitas delas nem sequer mencionam Marathon enquanto jogo. “Porque é que o Destiny teve de morrer para isto?”, escreveu um utilizador. “O Destiny parecia a minha casa, os amigos que fiz lá… as memórias de todos os momentos divertidos… Atiraram tudo ao lixo para quê? Para o Marathon? Porquê?”.
Outro jogador foi mais direto: “Estava dividido até matarem a franquia Destiny para se focarem neste buraco financeiro de centenas de milhões”.
Um tema recorrente nas avaliações é a ideia de que Destiny 2 foi “sacrificado” a favor de Marathon. Frases como “o Destiny morreu por causa de um extraction shooter mediano” ou “o Destiny 2 morreu por culpa deste jogo, não valeu a pena” multiplicam-se na página do jogo no Steam.
Há, no entanto, vozes na própria comunidade que defendem o Marathon desta onda de críticas. “Bom jogo, as pessoas estão a fazer review bombing porque o Destiny 2 acabou, ignorem-nas”, escreveu um jogador.
O que os dados revelam é que o fim de Destiny 2 tem raízes mais profundas, pressão financeira da Sony, um modelo de negócio de live-service que se foi desgastando, e decisões tomadas ao longo de anos que culminaram neste momento. O Marathon foi apenas o mensageiro visível, e acabou por pagar a conta.








