
A Microsoft chegou a um acordo de 250 milhões de dólares para fechar o processo judicial movido por acionistas da Activision Blizzard no tribunal de Delaware, nos Estados Unidos. A notícia foi avançada pela Reuters esta sexta-feira, 22 de maio, com base num processo submetido no Delaware Chancery Court.
O caso ficou pendente durante anos à sombra de uma das maiores aquisições da história da indústria dos videojogos, a compra da Activision Blizzard pela Microsoft por 75,4 mil milhões de dólares, concluída em outubro de 2023.
O que estava em causa
A ação foi liderada pelo fundo de pensões sueco Sjunde AP-Fonden, conhecido como AP7, que acusou o antigo CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, de ter violado os seus deveres para com os acionistas. A argumentação central era que Kotick terá precipitado a venda à Microsoft a um preço artificialmente baixo, 95 dólares por ação, de forma a escapar às consequências dos escândalos de assédio sexual que assolavam a empresa desde 2021, e a garantir para si próprio cerca de 400 milhões de dólares em benefícios associados à mudança de controlo da empresa.
Os acionistas argumentavam que o preço aceite na transação subvalorizava claramente a empresa. Num processo paralelo, chegou mesmo a argumentar-se que os 95 dólares por ação representavam apenas um prémio de 1% sobre o valor a que a Activision era negociada antes de surgir o primeiro processo de discriminação na Califórnia, em julho de 2021.
Em outubro de 2025, a Chancellor Kathaleen McCormick do Delaware Chancery Court permitiu que o caso avançasse para julgamento, tendo considerado que havia fundamento suficiente para a alegação de que Kotick e outros membros do conselho de administração colocaram os interesses pessoais acima dos dos acionistas.
O que diz o acordo e o que a Microsoft quis deixar escrito
O acordo inclui uma declaração por parte da Microsoft que foi explicitamente incluída no texto do acordo. O comunicado da empresa diz o seguinte:
“Nenhum tribunal nem qualquer investigação independente substanciou qualquer alegação de que: existiu assédio sexual sistémico ou generalizado na Activision Blizzard [ou] que os quadros executivos sénior da Activision Blizzard ignoraram, aprovaram ou toleraram uma cultura de assédio sistémico, retaliação ou discriminação”.
O acordo resolve também contraprocessos que a Microsoft e Kotick tinham apresentado contra o próprio fundo AP7.

A versão de Bobby Kotick
O antigo CEO não ficou em silêncio ao longo deste processo. No início de 2026, Kotick respondeu publicamente às acusações, argumentando que o estado atual do mercado de videojogos, nomeadamente a queda nas vendas de Call of Duty e a retração nas vendas de consolas, demonstrava que tinha tomado a decisão certa ao vender a empresa, tendo conseguido o melhor preço possível para os acionistas.
Kotick foi além disso e acusou o próprio fundo AP7 de ter sido instrumentalizado pelo grupo sueco Embracer, um rival da Activision no mercado norte-americano, para enfraquecer a empresa através de litígios. Os advogados de Kotick chegaram a afirmar em tribunal que o caso era “um abuso do processo legal através do qual o AP7, reguladores e ativistas sindicais trouxeram alegações falsas e totalmente infundadas contra a Activision”. O Embracer Group negou qualquer envolvimento ou coordenação com o AP7.
Os escândalos que precederam tudo isto
Em 2021, a Activision Blizzard tornou-se alvo de investigações e processos relacionados com alegações de assédio sexual, discriminação e ambiente de trabalho tóxico. O estado da Califórnia processou a empresa citando uma cultura de “rapaziada” que se tornara um “terreno fértil para assédio e discriminação”. A empresa chegou a acordo nesse processo em dezembro de 2023 por 55 milhões de dólares.
Foi precisamente neste período, quando as alegações contra a empresa se tornavam públicas e Kotick enfrentava pressão crescente, que as negociações com a Microsoft se aceleraram.








