
Um dos detalhes mais reveladores do memorando publicado esta semana por Asha Sharma, CEO da Xbox, não tem a ver com despedimentos nem com estúdios vendidos. Tem a ver com o Game Pass, o serviço de subscrição que durante anos foi apresentado como o futuro da empresa e que, segundo a própria Sharma, simplesmente não cresceu ao ritmo que a Microsoft esperava.
A confirmação surge no mesmo documento extenso em que a CEO explica a reestruturação que vai atingir cerca de 15% da força de trabalho da Xbox até ao final do ano fiscal, com quatro estúdios a saírem da empresa.
Uma aposta que não deu o retorno esperado
No memorando, Sharma explica que a indústria dos videojogos atravessa um momento difícil, algo que, segundo ela, não deveria surpreender ninguém a esta altura. A CEO refere que a Xbox está a operar com margens três a dez vezes inferiores às de negócios de plataformas e de publicação equivalentes, um cenário que levou a empresa a tentar diversificar a forma como gera receita.
Foi nesse contexto que a Xbox decidiu apostar fortemente no Game Pass, além de uma estratégia multiplataforma e de um portefólio de conteúdos mais alargado. Segundo as palavras exatas de Sharma, essas áreas “criaram valor significativo”, mas, como a própria admite, “não cresceram ao ritmo que esperávamos”.
É uma frase curta, mas que tem um peso enorme vindo da própria liderança da Xbox, sobretudo depois de anos em que o Game Pass foi apresentado publicamente como um dos maiores trunfos da empresa face à concorrência.
O impacto no negócio principal da Xbox
Segundo o memorando, esta aposta que não correu como planeado acabou por ter um efeito direto no núcleo do negócio da Xbox. À medida que estas novas áreas não geravam o crescimento esperado, a base tradicional da empresa foi enfraquecendo, mesmo com mais equipas, mais investimento e mais tempo dedicados a tentar reverter a situação.
Sharma soma a este cenário aquilo que descreve como a crise de hardware mais grave de sempre na indústria, um fator que, segundo a CEO, tornou ainda mais urgente o reset que agora está a ser aplicado a toda a Xbox.
O que isto significa para o futuro do Game Pass
Esta confirmação chega numa altura particularmente sensível para os subscritores do serviço. O Game Pass reduziu recentemente o preço do plano Ultimate, ao mesmo tempo que alguns dos novos jogos de Call of Duty deixaram de chegar ao catálogo logo no dia de lançamento, uma mudança que já tinha gerado dúvidas entre os jogadores sobre o rumo do serviço.
Com esta admissão direta de que o crescimento ficou aquém do previsto, torna-se difícil não questionar se este é apenas o primeiro de vários ajustes que ainda vão acontecer no Game Pass. Vale ainda recordar que esta reorganização de prioridades surge ao mesmo tempo em que a Xbox reforça o investimento noutras áreas do negócio, como a Activision, a Bethesda ou a Blizzard, o que sugere uma redistribuição mais ampla de recursos dentro da empresa.
Por agora, fica a confirmação, nas palavras da própria CEO da Xbox, de que uma das apostas mais faladas dos últimos anos não trouxe os resultados que a Microsoft ambicionava.








