
O futuro dos remakes de Final Fantasy pode não passar sempre por mundos abertos e sistemas de combate em tempo real. Foi essa a ideia que a Square Enix deixou implícita durante a sua 46.ª Reunião Anual de Acionistas, realizada a 24 de junho de 2026, ao responder a uma pergunta sobre o rumo que a editora japonesa pretende dar às futuras recriações de jogos clássicos da saga.
Desde o lançamento de Final Fantasy VII Remake em 2020, a Square Enix optou por transformar por completo a estrutura do RPG original de 1997, expandindo a história para uma trilogia inteira, introduzindo lore inédito e trocando o sistema de combate por turnos clássico por um formato de ação em mundo aberto. Essa trilogia chega ao fim em 2027, com o lançamento de Final Fantasy VII Revelation, mas nem todos os fãs querem que este seja o modelo a seguir para relançar outros títulos icónicos da franquia.
O que foi perguntado aos responsáveis da Square Enix
Segundo a tradução oficial da reunião de acionistas publicada no site da Square Enix, um dos acionistas questionou diretamente a empresa sobre essa tendência, notando que a saga parece ter-se inclinado, nos últimos anos, para gráficos de alta qualidade e jogabilidade orientada para a ação, pensada sobretudo para o mercado internacional. A pergunta foi direta, seria possível desenvolver remakes que atualizassem os gráficos mas mantivessem os sistemas de combate tradicionais, em vez de recorrer sempre a um formato de mundo aberto como aconteceu com Final Fantasy VII?
A resposta da editora, embora cuidadosamente diplomática, não fechou a porta a essa possibilidade. A Square Enix explicou o seguinte:
“Como parte da nossa abordagem market-in, envolvemo-nos em tentativa e erro para estabelecer o que é melhor para os clientes contemporâneos com base nas necessidades e tendências atuais do mercado. Ao fazê-lo, é extremamente importante para nós encontrar o equilíbrio certo entre a nossa abordagem e as expectativas dos jogadores que adoraram as obras originais. Embora títulos específicos possam exigir mecânicas específicas, continuaremos os nossos esforços de desenvolvimento avaliando aquilo que realmente ressoa no atual ambiente de mercado, tanto para os títulos originais como para os novos remakes”.
Na prática, a Square Enix recusou comprometer-se com uma fórmula fixa. Cada remake será avaliado caso a caso, tendo em conta o que resultar melhor junto do público de cada época, e não existe qualquer garantia de que projetos futuros repitam a escala e a ambição da trilogia de Final Fantasy VII.

Exemplos que já apontam para abordagens diferentes
A Square Enix já tem, atualmente, vários projetos que ilustram caminhos bem distintos dentro da própria franquia:
- Final Fantasy Tactics: The Ivalice Chronicles, lançado no ano passado, optou por preservar a estética isométrica clássica do jogo original em vez de o reinventar como um título de ação.
- Final Fantasy Resonance, anunciado mais recentemente, aposta num visual HD-2D, o mesmo estilo popularizado por títulos como Octopath Traveler, e adapta o primeiro arco narrativo do jogo para smartphones Final Fantasy Brave Exvius.
- Final Fantasy VII Remake e Rebirth, em contraste direto, apostaram tudo num formato de ação em mundo aberto, com produção de altíssimo orçamento.
A boa receção destes projetos mais pequenos e fiéis às raízes da saga, como Ivalice Chronicles, poderá influenciar a forma como a Square Enix aborda futuros relançamentos, ainda que a empresa não tenha confirmado nenhum novo remake em concreto durante a reunião.
Vale a pena sublinhar que, apesar de todo o debate gerado, a Square Enix não anunciou qualquer remake novo durante este encontro com acionistas. A resposta serviu apenas para esclarecer a filosofia da empresa relativamente ao tema, deixando em aberto se sagas como Final Fantasy VIII, IX ou X poderão um dia receber tratamentos mais discretos e fiéis aos jogos originais, em vez de reinvenções totais à semelhança do que aconteceu com Final Fantasy VII.









