
Passaram mais de seis anos desde que a pandemia global levou milhões de pessoas a passar mais tempo em casa e, com isso, a redescobrir os videojogos. Esse período marcou de forma duradoura a indústria, e uma das consequências mais visíveis foi o crescimento acentuado do PC como plataforma de jogo. Agora que a normalidade regressou ao dia a dia de grande parte dos jogadores, a Sony está a ser confrontada com uma pergunta incómoda, como recuperar quem trocou a consola pelo computador durante esse período.
O tema foi colocado diretamente à liderança da Sony Interactive Entertainment numa reunião com investidores realizada em junho, cuja transcrição traduzida foi entretanto divulgada. Participaram na sessão o presidente e CEO Hideaki Nishino, o CEO da área de estúdios Hermen Hulst, e a vice-presidente sénior de finanças e desenvolvimento corporativo Lynn Azar. Além da questão sobre a fuga de jogadores para o PC, os responsáveis foram também confrontados com dúvidas sobre limitações de curto prazo ao crescimento dos lucros e sobre a possibilidade de mudanças relevantes na próxima geração de hardware.
Sem identificar qual dos três respondeu especificamente, a Sony deixou claro que não pretende posicionar a futura PlayStation como mais uma alternativa aos computadores pessoais, mas sim reforçar aquilo que consideram ser a identidade própria da marca. Uma das ideias centrais da resposta é a de que a associação histórica da PlayStation à sala de estar já não reflete os hábitos atuais de muitos jogadores, que têm vindo a privilegiar o uso de monitores pessoais em detrimento da televisão familiar.
Segundo a transcrição, disponível no site oficial de relações com investidores da Sony, a resposta da empresa foi a seguinte:
“A PlayStation esteve, durante muito tempo, fortemente associada à ideia de jogar na sala de estar. No entanto, nos últimos anos, mais utilizadores em todo o mundo têm vindo a usar monitores pessoais. Em resposta a isso, estamos a vender periféricos como monitores e colunas para nos afastarmos da perceção fixa de que ‘PlayStation é igual a sala de estar’ e para alargar os cenários de utilização. Para a plataforma de próxima geração, em vez de servir simplesmente como alternativa aos PC, pretendemos oferecer um valor que seja exclusivo da PlayStation. Isto inclui não só avanços tecnológicos, mas também uma expansão dos estilos de utilização, permitindo uma experiência contínua que possa ser desfrutada naturalmente para além da sala de estar”.
Esta estratégia já é visível em decisões recentes da empresa, como o lançamento de monitores próprios e das colunas PULSE, apresentadas anteriormente pela marca. A ideia, segundo a resposta dada aos acionistas, é usar estes acessórios como ponte para preparar o terreno da próxima geração de consolas, sem que isso signifique transformar a PlayStation num computador disfarçado.
Esta abertura sobre o futuro da marca surge poucas semanas depois de a Sony ter anunciado que vai deixar de produzir discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de 2028, uma medida que sinaliza igualmente uma reformulação mais ampla da forma como a empresa pensa o ecossistema da consola.
Para já a Sony não avançou pormenores técnicos sobre a próxima geração de hardware, nem confirmou datas ou nomes para um eventual sucessor da PlayStation 5. O que fica claro é a intenção de afastar a marca da ideia de ser apenas uma alternativa ao PC dentro de uma sala de estar, e de construir uma proposta que os responsáveis descrevem como única, capaz de acompanhar os jogadores para além do espaço tradicional da consola.









