Cinco anos parecem pouco tempo, mas no mundo do anime já foram suficientes para mudar completamente aquilo que se espera de uma boa série de ação. Entre novos clássicos, que provaram que o género de fantasia ainda tinha muito por explorar, a ação viveu também um momento particularmente rico, com produções que redefiniram o que é possível fazer em termos de combate, ritmo e visual.
10Golden Kamuy
Um mapa tatuado na pele de 24 condenados fugidos. É esta a premissa improvável que sustenta Golden Kamuy, uma das séries de ação mais seguras de si mesmas dos últimos anos. Em vez de se limitar a uma dicotomia simples entre bem e mal, a história constrói uma guerra complexa entre várias facções, num Japão que ainda tenta recompor-se depois da Guerra Russo-Japonesa.
É a combinação entre história real, choque cultural e combate altamente táctico que dá à série uma atmosfera muito própria, simultaneamente credível e quase inacreditável. As temporadas finais arriscam bastante em termos narrativos, e é esse risco calculado que ajudou a consolidar Golden Kamuy como um clássico moderno do género, mesmo longe do alarido mediático de outras produções mais faladas.
9Solo Leveling
Antes de chegar ao ecrã pelas mãos da A-1 Pictures em 2024, Solo Leveling já era um fenómeno enquanto novel web e webtoon, e a versão animada só veio confirmar essa popularidade. A evolução de Sung Jin-Woo, de caçador fraco e ridicularizado a um dos combatentes mais poderosos do seu mundo, continua a dominar boa parte das conversas em torno de ação moderna.
A série apoia-se num sistema de progressão claramente inspirado em videojogos, com o protagonista a subir de nível e a acumular poder de forma quase constante. Não é a única série de ação a recorrer a esta fórmula, mas Solo Leveling celebra o exagero sem qualquer pudor, empurrando o protagonista para níveis de força cada vez mais absurdos.
8Dandadan
Ficção científica, terror, comédia romântica e ação. Poucas séries conseguem misturar géneros tão diferentes com a naturalidade de Dandadan. A história acompanha Momo Ayase, uma médium ainda em desenvolvimento, e Okarun, amaldiçoado por um yokai poderoso, enquanto os dois enfrentam alienígenas, espíritos e criaturas lendárias de todos os feitios.
Essa energia quase caótica conduz a batalhas cada vez maiores, capazes de surpreender mesmo quem já pensa ter visto de tudo dentro do género. O estúdio Science SARU constrói ainda uma linguagem visual muito estilizada para dar corpo a essa ação, do tipo que deixa o espectador frustrado sempre que pisca os olhos e perde um único frame do caos em ecrã.
7Bungo Stray Dogs
Poucos esperavam que a quarta e a quinta temporadas de Bungo Stray Dogs conseguissem superar tão claramente as expectativas, mas foi exatamente isso que aconteceu, tornando-as obrigatórias para quem gosta de ação dos últimos cinco anos. A série atravessa vários géneros com bastante à-vontade, centrando-se numa guerra total entre uma agência de detetives sobrenaturais e a máfia.
Elementos de mistério bem construídos, combinados com poderes sobrenaturais inspirados na literatura clássica, garantem que a série nunca se resume a espetáculo vazio. Os jogos psicológicos e os debates filosóficos entre personagens acrescentam camadas extra de tensão às guerras de território travadas.
6Demon Slayer
A narrativa de ação de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba está atualmente a fechar-se através de uma trilogia de longas-metragens, depois de anos a manter o público em suspense e a bater sucessivos recordes de bilheteira com a jornada de Tanjiro Kamado, empenhado em salvar a irmã, eliminar todos os demónios e tornar-se Hashira.
É frequente a série ser acusada de privilegiar a forma em detrimento do conteúdo, mas essa crítica torna-se fácil de esquecer perante uma coreografia de combate e um visual tão impressionantes. Demon Slayer não reinventa propriamente a narrativa, e assume abertamente uma estrutura mais formulaica, mas os combates continuam a ser feitos com tal cuidado que transformaram a ufotable numa das produtoras mais reconhecidas pelo público em geral.
5Chainsaw Man
Como o próprio nome sugere, Chainsaw Man é uma explosão de violência que coloca um herói armado com uma motosserra frente a demónios igualmente extremos. Enquanto um dos grandes nomes do chamado Trio Sombrio da Weekly Shonen Jump, a série combina temas obscuros e uma narrativa centrada nas personagens com um caos praticamente descontrolado.
A primeira temporada, com 12 episódios, segue a doutrinação de Denji na equipa de Caçadores de Demónios da Segurança Pública de Tóquio, à medida que aprende a usar o novo poder para manter a paz. Antagonistas surrealistas, poderes criativos e uma coreografia de combate que desafia as leis da física, tudo assinado pelo estúdio MAPPA, ajudaram a série a impor-se rapidamente como referência do género. O filme seguinte, Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc, consolidou ainda mais esse estatuto, e a próxima etapa, o Assassins Arc, já está confirmada, com estreia prevista para 2027.
4Kingdom
Elementos de fantasia e sobrenatural têm o seu lugar dentro do género de ação, mas há algo de particularmente poderoso em séries como Kingdom, profundamente enraizadas em conflitos históricos reais. A acção decorre durante o período dos Reinos Combatentes na China antiga, numa altura em que a luta pelo trono desencadeia batalhas militares intermináveis, espionagem política e artes marciais brutais.
A ascensão militar de Xin, um jovem corajoso partido do zero, contrasta com estratégias bastante elaboradas, transformando a guerra numa autêntica batalha de vontades e inteligência. As batalhas entre exércitos massivos são fáceis de perder de vista pela escala, e as temporadas mais recentes conseguem finalmente unir várias histórias paralelas de forma coerente e emocionante.
3Vinland Saga
Já tinha conquistado grande parte da crítica logo na estreia, mas Vinland Saga continua a merecer destaque mesmo hoje, apesar de apenas a segunda temporada ter chegado dentro destes últimos cinco anos. É essa continuação que transforma a busca de Thorfinn por vingança numa luta bem mais silenciosa e interior sobre a natureza corruptora da violência, e sobre o motivo pelo qual o perdão pode ser mais poderoso do que qualquer arma.
Há ainda bastante acção e combate ao longo desta segunda temporada, mas cada confronto atinge com uma intensidade muito mais profunda, precisamente por causa de tudo aquilo que Thorfinn já viveu. Mais do que uma história épica sangrenta ambientada no mundo violento dos vikings, esta é uma meditação poderosa sobre trauma, que despe a brutalidade viking para reflectir sobre o verdadeiro significado de sobreviver.
2Bleach: Thousand-Year Blood War
Com mais de 365 episódios, o anime original de Bleach acabou por servir, durante anos, como um aviso sobre os riscos de más adaptações, arrastado por filler excessivo e por um afastamento cada vez maior do material original. A franquia regressou com força mais de uma década depois através de Bleach: Thousand-Year Blood War, uma saga em quatro partes que corrige praticamente todos os problemas do passado, com um ritmo mais apertado, apostas mais elevadas e sequências de combate e visuais muito superiores.
Thousand-Year Blood War mergulha num caos praticamente absoluto, com baixas massivas que fogem à crítica habitual tantas vezes atirada à série original. Personagens importantes morrem, o status quo continua a mudar, e o elenco é constantemente empurrado para fora da zona de conforto. O Studio Pierrot entrega aqui um dos seus melhores trabalhos, e é particularmente satisfatório ver este clássico da ação a receber, finalmente, a redenção que merecia.
1Jujutsu Kaisen
A primeira temporada de Jujutsu Kaisen, apesar de bem-sucedida, funcionou quase como uma introdução mais lenta ao complexo mundo dos feiticeiros de jujutsu e dos Espíritos Amaldiçoados. Foi precisamente essa paciência inicial que permitiu à série arriscar bastante mais nas temporadas seguintes e no filme prequela, transformando-a, de longe, na mais forte entre os três grandes nomes do Trio Sombrio do shonen.
A série equilibra um elenco extenso com uma narrativa bastante imprevisível, e a coreografia de combate, aliada aos visuais, está entre o melhor que o género tem para oferecer atualmente. O estúdio MAPPA foi ainda mais longe nas sequências de acção mais recentes, com vários confrontos a tornarem-se, literalmente, virais assim que estrearam.









