Quando Granblue Fantasy: Relink chegou às lojas em fevereiro de 2024, poucos imaginavam que o longo e atribulado desenvolvimento terminaria com um dos melhores Action RPG japoneses dos últimos anos. Durante quase uma década, o projeto passou por sucessivos adiamentos, mudanças de direção e até pela saída da PlatinumGames do desenvolvimento que levantou sérias dúvidas sobre se a Cygames conseguiria concretizar a visão ambiciosa que tinha para a adaptação da sua popular série.

A resposta acabou por superar praticamente todas as expectativas. Granblue Fantasy: Relink conseguiu encontrar um equilíbrio raro entre a acessibilidade e a profundidade ao oferecer um sistema de combate extremamente dinâmico, personagens carismáticas, bosses memoráveis e uma direção artística que reproduzia na perfeição o charme do universo Granblue Fantasy. Mesmo para quem nunca tinha jogado o jogo mobile, a aventura funcionava como uma excelente porta de entrada para um mundo repleto de ilhas flutuantes, criaturas lendárias e heróis inesquecíveis.

O sucesso foi imediato. Além das críticas bastante positivas, o jogo ultrapassou rapidamente a marca de vários milhões de cópias vendidas e tornou-se num dos maiores sucessos da Cygames fora do mercado para smartphones. Mas, apesar de todos os elogios, existia uma crítica recorrente entre jogadores e imprensa especializada. O jogo base terminava relativamente depressa e, embora existisse bastante conteúdo pós-jogo, muitos jogadores sentiam que os céus de Zegagrande ainda tinha muito mais para oferecer. O sistema de combate revelava uma profundidade enorme, o elenco de personagens convidava constantemente à experimentação e o seu mundo parecia demasiado rico para ficar limitado a uma aventura com poucas dezenas de horas. Foi precisamente essa sensação de “querer mais” que acabou por moldar Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok.

É incrivelmente satisfatório o menu de personagens se moldar à nossa party, até mesmo o equipamento acompanha este processo

Há que reconhecer que esta expansão nasceu diretamente do entusiasmo da própria comunidade. A Cygames reconheceu que o sucesso inesperado de Granblue Fantasy: Relink alterou completamente os seus planos iniciais e decidiu investir numa expansão muito mais ambiciosa do que normalmente se espera de um DLC. Em vez de acrescentar apenas algumas missões ou novas personagens, o objetivo passou por expandir praticamente todos os pilares da experiência original. É precisamente isto que Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok transmite desde o primeiro momento, a sensação de ser muito mais do que uma expansão tradicional. O novo conteúdo introduz uma nova história, personagens adicionais, sistemas de progressão renovados, novas mecânicas de combate, um modo roguelike totalmente novo para jogadores no modo single player, dificuldades adicionais, raids inéditas e, finalmente, crossplay entre todas as plataformas.

A história decorre algum tempo após o desfecho da campanha original, mas para aceder à maior parte dos novos conteúdos será necessário cumprir vários requisitos. Na prática, os jogadores terão primeiro de se tornar suficientemente fortes para superar as missões de dificuldade Proud e, em seguida, enfrentar uma nova missão de promoção de classificação que desbloqueia as dificuldades Chaos. Depois da derrota da principal ameaça, a tripulação do Grandcypher volta a ser chamada para enfrentar um novo perigo que ameaça consumir todo o arquipélago de Zegagrande. Desta vez, a ameaça assume a forma dos Ragnalia, misteriosas entidades cuja simples presença parece distorcer a realidade. Mais do que simples monstros poderosos, estas criaturas funcionam como verdadeiros arautos do fim dos tempos. À medida que começam a surgir pelos céus, enormes fissuras dimensionais rasgam o espaço e criam zonas completamente instáveis onde as leis da natureza deixam de fazer sentido.

Estas novas regiões apresentam uma identidade visual bastante diferente da que vimos no jogo original. Ambientes fragmentados, ilhas parcialmente consumidas por energia primordial e fenómenos atmosféricos extremos sugerem que a própria estrutura do mundo está lentamente a colapsar. É uma premissa que encaixa perfeitamente na identidade narrativa épica de Granblue Fantasy. Ao longo dos anos, a série habituou os fãs a equilibrar momentos intimistas entre personagens com conflitos capazes de ameaçar toda a criação. Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok segue precisamente esta tradição, mas com uma escala ainda maior do que a que acompanhamos no jogo original.

Beatrix é uma integrante para a tripulação do Grandcypher que promete fazer as delicias dos jogadores com uma panóplia de movimentos rápidos e agressivos. Contudo a sua mecânica exclusiva Delta Clock exige ponderação

Uma das críticas mais frequentes dirigidas ao lançamento original dizia respeito à sua introdução. Embora os fãs da série compreendessem facilmente a relação entre Gran, a tripulação Grandcypher e o restante elenco, muitos novos jogadores sentiram que a narrativa assumia demasiado a conhecimento prévio ao ponto de intimidar porque este universo é tão vasto como um céu azul, e por isso a Cygames levou este feedback muito a sério. Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok introduz um prólogo completamente refeito e totalmente animado, concebido para contextualizar o jogador antes do início da sua aventura.

Este novo segmento explica com maior detalhe a origem da tripulação, a ligação entre o Capitão e Lyria, o papel das Primal Beasts e a importância do arquipélago de Zegagrande dentro do mundo da série, de salientar que este prologo não se cinge a um resumo de acontecimentos anteriores. O objetivo passa por criar um envolvimento emocional mais forte desde os primeiros minutos para permitir que quem nunca teve contacto com Granblue Fantasy compreenda melhor as motivações das personagens e o peso das suas relações. Embora seja um elemento aparentemente discreto, reforço que poderá levar o jogo para novos públicos. Curiosamente, esta preocupação com a acessibilidade parece refletir a filosofia geral da expansão.

Em vez de criar conteúdo exclusivamente pensado para veteranos, a Cygames procurou construir uma versão de Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok capaz de agradar tanto a quem regressa depois de centenas de horas como a quem vai iniciar agora a sua primeira viagem pelos céus. Esta abordagem torna-se ainda mais evidente quando analisamos as alterações introduzidas no sistema de combate, que continua a ser o maior feito de Granblue Fantasy: Relink na minha opinião, mas que recebe agora algumas das evoluções mais significativas desde o lançamento original. Se existe um aspeto em que Granblue Fantasy: Relink conquistou praticamente todos os adeptos de Action Rpgs foi nas mecânicas e dinâmicas de combate. Poucos jogos do género conseguem oferecer um equilíbrio tão eficaz entre acessibilidade e profundidade e permitem que qualquer jogador desfrute da ação desde os primeiros minutos, enquanto simultaneamente recompensa quem os que investem dezenas ou até centenas de horas a dominar cada personagem.

As novas batalhas vão colocar todos os vossos conhecimentos à prova

Cada personagem do vastíssimo elenco jogável possui uma identidade muito própria. Alguns privilegiam velocidade e esquivas perfeitas, outros assentam em combos longos, gestão de recursos ou ataques carregados. O resultado é um plantel variado onde trocar de personagem altera completamente a forma como é abordada cada batalha, algo que continua a distingui-lo da maioria dos Action RPG. A boa notícia é que Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok não tenta reinventar nem adulterar a sua fórmula. A Cygames percebeu que tinha criado uma base extremamente sólida e preferiu expandi-la em vez de a alterar radicalmente ao ponto de causar fragmentação. A maior novidade passa pela introdução das Invocações como parte integrante do sistema de combate. Os fãs de longa data reconhecerão imediatamente a importância desta decisão. As Primal Beasts sempre foram um dos pilares da identidade de Granblue Fantasy, quer no jogo original como na adaptação anime produzida pela A1-Pictures em 2017. Até agora, a sua presença em Granblue Fantasy: Relink era meramente narrativa, felizmente esta expansão transforma-as finalmente num elemento central da gameplay. Em vez de surgirem apenas como ataques cinematográficos, algumas Invocações podem agora ser controladas temporariamente pelo jogador, enquanto outras alteram completamente o campo de batalha através de efeitos de suporte, bónus de equipa ou habilidades especiais.

Em determinados momentos, assumir o controlo de uma Invocação permite evitar alguns dos ataques mais devastadores dos bosses para criar novas oportunidades ofensivas e defensivas sem interromper o contagiante ritmo frenético dos combates. O resultado é um sistema que acrescenta mais uma camada estratégica às batalhas. O posicionamento, a gestão dos tempos de recarga e o momento certo para recorrer a cada Invocação passam a desempenhar um papel ainda mais importante, sobretudo nos confrontos de maior dificuldade, que acreditem são imenso mesmo se transitarem a vossa equipa totalmente desenvolvida do jogo base de 2024. Como se fosse suficiente, a expansão introduz ainda uma nova mecânica denominada de Primal Burst.

As Chain Bursts já eram uma das maiores recompensas para equipas bem coordenadas que culminam em ataques devastadores capazes de mudar completamente o rumo de uma batalha. Contudo, as Primal Bursts elevam a mecânica para um nível superior. Ao sincronizar corretamente as Invocações com uma Chain Burst completa e cumprir determinadas condições durante o combate, torna-se possível desencadear ataques cinematográficos de uma escala nunca antes vista, que não servem apenas para causar dano massivo, atuam também como o culminar da coordenação entre toda a equipa e total mestria de um sistema de combate dinâmico e variado que transforma qualquer batalha em verdadeiros momentos sakuga.

Outra novidade bastante interessante é já referida dificuldade Chaos. Uma parte significativa da comunidade dedicou centenas de horas ao pós-jogo de Granblue Fantasy: Relink e acabou por dominar praticamente todos os sistemas de combate existentes. Pois bem capitães veteranos, Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok vai colocar-vos verdadeiramente à prova! Nesta nova dificuldade, os bosses, alguns com palete swaps, tornam-se muito mais agressivos e passam a utilizar os chamados EX Burst, ataques capazes de eliminar uma equipa inteira caso não seja corretamente antecipada para um devastador movimento, e por isso já não basta decorar padrões de ataque, mas sim gerir cuidadosamente as Invocações, coordenar as Chain Bursts, utilizar esquivas perfeitas e tirar partido de todas as novas ferramentas introduzidas pela expansão.

Apesar de toda a atenção estar naturalmente centrada na nova história e nas Invocações, existe um modo que poderá acabar por ser o maior responsável pela longevidade de Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok, esse modo chama-se Conflux. Desenvolvido especificamente para jogadores que preferem enfrentar desafios a single-player, este novo modo inspira-se claramente na estrutura dos roguelikes modernos. Cada incursão gera mapas, modificadores, inimigos, bosses e recompensas diferentes, o que torna cada incursão numa partida diferente. CONTUDO, o mais interessante é a forma como o sistema de progressão funciona durante cada tentativa. Ao longo da exploração, os jogadores recebem melhorias temporárias, habilidades exclusivas e modificadores que podem alterar completamente o funcionamento das personagens, o que significa que builds impossíveis de reproduzir na história principal podem surgir naturalmente durante uma sessão de Conflux, esta é na minha opinião uma ideia extremamente inteligente porque uma das maiores críticas dirigidas ao pós-jogo do original prendia-se precisamente com a repetição constante de determinadas missões cooperativas para obter equipamento ou materiais de evolução, e o modo Conflux quebra completamente o ciclo. Cada tentativa representa uma nova experiência que obriga os jogadores a se adaptar constantemente a sua estratégia em vez de repetirem uma cadencia de ações.

Uma build otimizada pode fazer toda a diferença

Outros dos maiores trunfos de Granblue Fantasy; Relink foi a sua herança de personagens gacha, e Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok ainda ainda mais longe para capitalizar com este elemento. A expansão introduz Beatrix, Eustace, Fraux, Maglielle e Gallanza como novas personagens jogáveis, uma seleção que junta alguns dos nomes mais pedidos pela comunidade desde o lançamento do jogo original. Para quem acompanha o universo Granblue Fantasy há vários anos, esta não é apenas uma adição de conteúdo, é praticamente uma carta de amor aos fãs. O que destacou o jogo base foi a forma como cada personagem joga de maneira completamente diferente. Não existem simples variações do mesmo arquétipo. Cada possui mecânicas próprias, ritmos, e formas muito particulares de abordar cada encontro. Trocar de personagem significa praticamente aprender um novo sistema de combate, e é precisamente esta variedade que faz com que seja tão difícil largar o comando. As novas personagens seguem exatamente esta filosofia.

Beatrix privilegia um estilo extremamente ofensivo e explosivo ao recompensar os jogadores agressivos que gostam de manter uma pressão constante sobre os inimigos. Eustace aposta num controlo de campo muito mais técnico enquanto recorre às suas armas de fogo para controlar distâncias e criar oportunidades para o restante grupo. Fraux introduz uma abordagem mais centrada em magia e efeitos contínuos, enquanto Maglielle e Gallanza oferecem estilos completamente diferentes e modelares que aumentam ainda mais a diversidade do elenco. Mas tão importante como as novas personagens são os novos desafios que as aguardam que deixarei o prazer de descobrirem, uma deste tem a forma de um confronto há muito aguardado. Outro dos sistemas altera profundamente a experiência dos jogadores veteranos são as novas Master Traits. À primeira vista podem parecer apenas mais uma camada de progressão de personagens. Em vez de aumentar simplesmente atributos ou limites de dano, as Master Traits permitem modificar o comportamento de habilidades, alterar sinergias entre ataques e desbloquear novas possibilidades de construção para cada personagem. É precisamente aqui que reside o verdadeiro potencial do sistema.

Grande parte da comunidade de Granblue Fantasy: Relink dedica centenas de horas à criação de builds, otimização de equipamentos e descoberta de novas combinações de Sigils. As Master Traits acrescentam uma dimensão completamente nova a este processo, acredito que não vão tardar a surgir publicações nas redes sociais de novas e melhores combinações para cada personagem, que são especialmente importantes nas raids de elevado nível, desenhadas especificamente para tirar partido destes sistemas, onde os bosses são verdadeiras esponjas de HP e libertam ataque devastadores. No entanto, Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok conta com uma novidade que considero ter um impacto ainda maior do que qualquer nova personagem ou sistema de progressão. Finalmente, Granblue Fantasy: Relink recebe crossplay completo. Pode parecer uma funcionalidade banal em 2026, mas a verdade é que a ausência desta opção foi uma das críticas mais recorrentes desde o lançamento do jogo.

A comunidade encontrava-se dividida entre PC e Consolas PlayStation, o que dificultava o matchmaking e impedia muitos grupos de amigos de jogarem juntos, pois bem em Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok esta barreira desaparece completamente. Independentemente da plataforma escolhida, todos os jogadores poderão formar equipas, participar em raids e enfrentar os desafios mais difíceis lado a lado. É uma alteração que talvez não gere tantas manchetes como as novas personagens ou as Invocações, mas poderá revelar-se a decisão mais importante para garantir a longevidade do jogo durante os próximos anos. No departamento técnico a expansão não oferece novidades significativas, apenas alguns ajustes na UI. No entanto, e embora Granblue Fantasy: Relink não ofereça suporte nativo para NVIDIA DLSS, é possível adicionar suporte para NVIDIA DLSS 4.5 e até AMD FSR 3 através da Luma Framework, uma ferramenta desenvolvida pelo modder Izueh. Além destas tecnologias de upscaling, o mod introduz suporte para HDR, escalonamento de resolução ATÉ 200% além da possibilidade de alterar a ordem do pós-processamento para ocorrer após a aplicação do TAA (Temporal Anti-Aliasing) o que resulta numa melhoria significativa da qualidade visual do jogo. Também com o mod GBFRelinkFix de Lyall é possível melhorar a qualidade das sombras e o campo de visão. Os

Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok é muito mais do do que uma simples expansão. Ao longo dos últimos dois anos, a Cygames ouviu atentamente a comunidade e procurou responder, praticamente ponto por ponto, às principais críticas dirigidas ao jogo original. Quem queria uma aventura mais longa recebe agora uma nova campanha, quem pedia mais personagens vê chegar alguns dos nomes mais desejados pelos fãs, quem procurava um pós-jogo mais rico encontra no Conflux, nas Master Traits, na dificuldade Chaos e nas novas raids motivos de sobra para continuar a explorar os céus de Zegagrande. Até os jogadores que preferem jogar a solo passam finalmente a contar com uma alternativa credível ao grind cooperativo, enquanto o tão aguardado crossplay elimina uma das maiores limitações do jogo original e une toda a comunidade independentemente de sistemas.

O mais impressionante é que nenhuma destas novidades comprometeu a identidade que tornou Granblue Fantasy: Relink num dos melhores Action RPG da atualidade. Pelo contrário, todas as adições parecem evoluir naturalmente uma fórmula que já era extremamente sólida. São precisamente estes valores que elevam Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok a uma versão definitiva de um jogo que já era uma referência dentro do género.

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