InícioAnimeAniGo, um dos maiores sites de pirataria de anime, acaba de ser...

AniGo, um dos maiores sites de pirataria de anime, acaba de ser desligado

Site pirata de anime AniGo é encerrado após ordem judicial

Treasure of Oblivion pirata screenshot

A onda de encerramentos que tem varrido a pirataria de anime nos últimos meses ganhou mais uma vítima. O AniGo, um dos maiores portais ilegais de streaming de anime em atividade, teve o seu domínio suspenso na sequência de uma ordem judicial emitida na Índia, tornando-se o mais recente nome de peso a desaparecer deste ecossistema.

A história do AniGo já vinha a dar que falar antes deste desfecho. O site tinha ficado inacessível ainda em maio, com os responsáveis pela plataforma a justificarem a interrupção com um incêndio no centro de dados que alegadamente alojava o serviço. Na altura, essa explicação levou muitos utilizadores a acreditar que se tratava de um problema temporário e que o AniGo voltaria a funcionar mais tarde.

Não foi isso que aconteceu. Registos WHOIS vieram entretanto revelar que o domínio do AniGo foi colocado em estado clientHold, uma designação técnica que, na prática, significa que o site foi suspenso ou congelado. A medida surge em resposta a uma ordem do Supremo Tribunal de Deli, na Índia, e chega apenas dias depois de terem sido conhecidas as detenções dos responsáveis por outro gigante da pirataria de anime, o HiAnime.

HiAnime: sete detidos no Vietname por operarem o maior site de pirataria de anime

Como Tonga deixou de ser um refúgio seguro para a pirataria

O caso do AniGo é também revelador de uma mudança estrutural mais ampla. O domínio do site estava associado ao Reino de Tonga, responsável pela gestão da extensão .to, historicamente conhecida como um verdadeiro refúgio digital para operações de pirataria devido à ausência de mecanismos de controlo eficazes.

Durante décadas, o registo dos domínios .to esteve nas mãos da empresa norte-americana Tonic Domains Corporation, que operava sem qualquer serviço WHOIS e sem capacidade para aplicar os chamados códigos de estado EPP, o que tornava extremamente difícil qualquer ação legal contra sites infratores. Essa realidade mudou depois de a empresa canadiana Tucows ter assumido a gestão técnica do registo dos domínios .to, introduzindo pela primeira vez a possibilidade de suspender domínios. Foi essa nova capacidade técnica que permitiu ao governo de Tonga aplicar o estado clientHold ao AniGo, desativando efetivamente o portal.

De acordo com a mesma fonte, o mesmo fim de semana viu outros domínios .to ligados a sites pirata serem colocados no mesmo estado, incluindo yflix.to, watchflix.to e 24drama.to, o que confirma que se trata de uma ação coordenada relacionada com a decisão judicial indiana.

A decisão que agora atingiu o AniGo remonta, na verdade, a dezembro de 2025, quando o Supremo Tribunal de Deli emitiu a ordem original a pedido da Alliance for Creativity and Entertainment e da Motion Picture Association. Tanto o Reino de Tonga como o próprio site AniGo constavam como réus nesse processo. Apesar de o tribunal indiano não deter autoridade jurisdicional direta sobre o país, este acabou por cumprir a determinação e desativar o portal principal do AniGo.

Vale a pena notar que, apesar de já enfrentar problemas técnicos desde maio, o AniGo continuava a atrair um número considerável de visitantes, segundo dados da SimilarWeb o site somou cerca de 1,5 milhões de visitas só no mês de junho. Ainda assim, embora o domínio .to tenha sido efetivamente derrubado, continua ativo um site espelho com a extensão .ro.

O desaparecimento do AniGo insere-se numa tendência que já se vinha a desenhar ao longo do ano. Por volta da mesma altura em que o AniGo ficou inacessível, também o Animekai e outros sites de streaming de anime de grande dimensão interromperam as suas operações, invocando exatamente a mesma justificação de um incêndio no centro de dados.

Para além do Animekai, 2026 tem sido um ano particularmente difícil para a pirataria de anime, com o encerramento também do HiAnime, da aplicação Anime Play e de várias réplicas do site 9anime. O impacto não se ficou pelos portais de streaming, também do lado da leitura de mangá pirata, plataformas de peso como o Bato e o TuMangaOnline deixaram de estar disponíveis este ano.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
- Publicidade -

Notícias

Populares