
Há um problema que persegue os telemóveis dobráveis desde que a categoria existe, o vinco no meio do ecrã. A Samsung acredita ter encontrado uma resposta mais convincente do que as anteriores e deu-lhe um nome que remete diretamente para o material usado: Flex Titanium.
A nova tecnologia foi apresentada esta semana e vai equipar a próxima geração de dobráveis Galaxy, ainda sem data de lançamento confirmada em Portugal, mas já associada ao evento Galaxy Unpacked marcado para 22 de julho, em Londres. É nesse evento que deverão ser apresentados o Galaxy Z Fold 8, o Galaxy Z Fold 8 Ultra e o Galaxy Z Flip 8, os primeiros modelos a estrear a nova estrutura de ecrã.
Ao contrário do que o nome possa sugerir, não se trata apenas de trocar uma peça por outra mais resistente. A Samsung explica que passou a integrar dois componentes distintos à base de titânio na construção do ecrã: uma película de liga de titânio, colocada por baixo do painel OLED, e uma placa de titânio que serve de apoio a toda a estrutura quando o telemóvel está desdobrado.
A película, segundo a marca, oferece uma rigidez mecânica 20 vezes superior à de uma película de polímero comum, apesar de ter uma espessura equivalente a cerca de um terço de um fio de cabelo humano médio. Já a placa de titânio recorre a um processo de perfuração avançado, com pequenos orifícios micropadronizados concentrados precisamente na zona de dobragem, o que permite eliminar espaços de ar entre o módulo do ecrã e o adesivo, dando mais estabilidade ao ecrã quando está esticado sem comprometer a flexibilidade necessária para dobrar repetidamente.
Bernardo Cunha, Head of Strategy and Product Marketing de Mobile da Samsung Portugal, resume a lógica por trás do investimento: “A força da Samsung na categoria dos dobráveis vem da capacidade de ligar as necessidades dos utilizadores às nossas tecnologias, que proporcionam benefícios concretos no dia a dia. Para a próxima geração de dobráveis Galaxy, a Samsung está a construir sobre anos de experiência para trazer inovações de ecrã a dispositivos que melhoram a experiência do utilizador, assentes em experiências de visualização excecionais”.
O titânio não é propriamente uma escolha ao acaso. É um material já testado em contextos bem mais exigentes do que um telemóvel, como antenas de satélites ou as rodas dos rovers que a NASA enviou para Marte. O desafio, do lado da engenharia, estava precisamente em conseguir aplicar um material tão rígido a uma estrutura fina e flexível, sem que essa rigidez se tornasse um obstáculo à própria dobragem.
Do lado da Samsung Display, responsável pelo desenvolvimento técnico do painel, Kyung-Jin Yoo, Vice-Presidente Executivo e Diretor da Equipa de Desenvolvimento de Produtos de Ecrãs Móveis, acrescenta outro detalhe relevante: “Ao introduzir orifícios micropadronizados sofisticados na zona de dobragem da placa de titânio, conseguimos garantir flexibilidade aliada a uma durabilidade robusta. Ao combinar uma arquitetura de ecrã de alta resolução com novos materiais orgânicos que maximizam a eficiência energética, iremos reforçar ainda mais a competitividade da próxima geração de dispositivos dobráveis Galaxy”.
Essa referência a novos materiais orgânicos não é um detalhe menor. Segundo a Samsung, a combinação entre a arquitetura de alta resolução e estes componentes permite manter uma imagem mais nítida enquanto reduz o consumo energético, algo que se traduz, na prática, em mais autonomia sem perda de qualidade visual.
Vale lembrar que este não é o primeiro capítulo da história da marca com ecrãs flexíveis. A Samsung foi pioneira na adoção em larga escala dos painéis AMOLED, ainda em 2007, e tem vindo a evoluir essa base tecnológica ao longo de sete gerações de dobráveis Galaxy, um percurso que a própria empresa descreve como moldado sobretudo pelo feedback direto dos utilizadores: ecrãs maiores, vincos menos visíveis, sem abdicar de durabilidade nem de portabilidade.
Falta ainda perceber se esta nova estrutura vai também traduzir-se num aumento da durabilidade certificada dos dobráveis, medida habitualmente pelo número de ciclos de dobragem que o aparelho suporta. Até agora, a marca não avançou nenhum número atualizado nesse campo, algo que deverá ficar mais claro apenas quando os novos modelos forem oficialmente apresentados a 22 de julho.








