
Glen Schofield, o nome por trás de Dead Space e de The Callisto Protocol, anunciou que se está a afastar do trabalho diário na indústria dos videojogos, pondo fim a uma carreira com mais de três décadas.
A notícia foi partilhada através de um vídeo publicado no LinkedIn, onde Schofield agradece à família, aos amigos e aos fãs que o acompanharam ao longo do percurso. “Depois de 35 anos a fazer jogos, a dirigi-los e a liderar equipas, chegou a altura de me reformar oficialmente do trabalho diário”.
Aos fãs, deixou uma mensagem de gratidão: “Vocês apoiaram-me, deixaram entrar em vossas casas os jogos feitos por mim e pela minha equipa, disseram-me quando eu estava bem e disseram-me quando não estava assim tão bem, mas isso tornou-me melhor”.
O percurso de Schofield na indústria arrancou em 1991, com jogos licenciados como Barbie: Game Girl, antes de passar pela THQ. Ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000, continuou ligado a adaptações de licenças, incluindo o jogo de The Lord of the Rings: The Return of the King para a EA, além de uma passagem como vice-presidente na Crystal Dynamics, onde dirigiu títulos como Gex 3D: Enter the Gecko e Blood Omen 2: Legacy of Kain.
Foi, no entanto, com Dead Space, lançado em 2008 pela Visceral Games sob a chancela da EA, que o seu nome se tornou verdadeiramente conhecido do público, consolidando-se ainda mais tarde através do trabalho na série Call of Duty, já como cofundador da Sledgehammer Games junto de Michael Condrey, estúdio responsável por três títulos principais da franquia da Activision.
Olhando para trás, Schofield resumiu assim o que viveu: “Tive um lugar na primeira fila para uma das maiores explosões criativas da história”. E acrescentou, dirigindo-se diretamente às editoras com quem trabalhou: “À EA, obrigado por me deixarem fazer Dead Space. À Activision, deram-me as chaves de três jogos Call of Duty, e agradeço mesmo a vossa confiança”.
O último jogo assinado por Schofield foi The Callisto Protocol, considerado, em vários aspetos, um sucessor espiritual de Dead Space. O título recebeu críticas divididas quando chegou ao mercado em dezembro de 2022, um mês antes de a EA lançar um remake de Dead Space muito bem recebido pela crítica, e terá ficado aquém das expectativas de vendas da Krafton, editora do jogo. Schofield deixou a Striking Distance Studios, estúdio que tinha cofundado para desenvolver o título, em setembro de 2023.
Já em 2025, admitiu estar a ter dificuldades em encontrar financiamento para um novo projeto, um problema que descreveu como transversal a toda a indústria. Nessa altura, chegou a dizer que sentia que voltar a trabalhar num jogo AAA “parece estar muito longe” para si, e que estaria disposto a regressar à arte visual.
No ano passado, Schofield tinha também dado que falar ao afirmar-se “100% a favor da inteligência artificial” no desenvolvimento de jogos, comparando os receios em torno da tecnologia eliminar postos de trabalho a episódios semelhantes vividos no passado com a captura de movimento ou o Photoshop.
“Lembro-me de quando se dizia que a captura de movimento ia acabar com empregos. Olho agora para os departamentos de animação e podem ter 30 pessoas. Isto está sempre a subir a fasquia. Está a subi-la agora para mim, quando estou a criar ideias e mundos. Quem me dera conseguir prever que empregos vão surgir disto. Oiço pessoas a dizer que vamos precisar de prompt engineers. E provavelmente vamos precisar”.
Schofield foi ainda mais longe, recordando outros momentos de mudança tecnológica que já tinha testemunhado: “Estive presente em muitos destes momentos. Estava lá no início da internet, quando diziam que toda a gente ia ter um site. E agora toda a gente tem. A IA está aqui, é só trabalhar com ela”.









