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10 animes da década de 2001 a 2010 que todos os fãs deviam conhecer

Houve uma altura em que o anime ainda era tratado como um produto menor, feito à pressa e sem grande investimento. Isso mudou nos anos 2000. As produtoras começaram a receber orçamentos à altura das suas ambições, e essa mudança abriu espaço para histórias mais arriscadas, personagens mais complexas e géneros que até aí não tinham grande visibilidade fora do Japão.

10
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Depois de uma tentativa fracassada de trazer a mãe de volta à vida através da alquimia, os irmãos Edward e Alphonse Elric perdem partes do corpo e passam a jornada inteira à procura da Pedra Filosofal, o único objeto capaz de os devolver ao que eram. A série foi produzida pelo estúdio Bones e estreou em 2009, substituindo a primeira adaptação de 2003, que tinha sido obrigada a afastar-se do mangá por falta de material publicado na altura.

O que distingue Brotherhood é precisamente essa fidelidade à obra de Hiromu Arakawa. Sem precisar de inventar desfechos, a série consegue construir uma história política sólida à volta da corrupção no exército de Amestris e da verdadeira origem dos homúnculos, sem nunca perder o fio à meada. É raro encontrar uma adaptação que consiga equilibrar tão bem a ação com perguntas filosóficas sobre o custo do sacrifício, e é por isso que continua, ano após ano, a aparecer no topo das listas de melhores animes de sempre.

9
Death Note

Death Note visual anime

A premissa é conhecida mesmo por quem nunca viu um episódio, um estudante encontra um caderno com o poder de matar qualquer pessoa cujo nome nele seja escrito e decide usá-lo para eliminar criminosos, tornando-se, aos próprios olhos, uma espécie de justiceiro divino sob o nome de Kira. O que torna a série tão marcante não é o conceito em si, mas a forma como acompanha a deterioração moral de Light Yagami ao longo dos episódios.

O verdadeiro motor da história é o confronto entre Light e L, o detetive excêntrico encarregado de o apanhar. Não há armas nem perseguições no sentido tradicional, tudo se resolve através de dedução e jogadas psicológicas, o que transforma cada episódio numa espécie de partida de xadrez em câmara lenta. Nenhuma das duas personagens sai ilesa moralmente, e é essa recusa em oferecer um herói perfeito que faz com que Death Note continue a ser discutido tantos anos depois de ter terminado.

8
Code Geass: Lelouch of the Rebellion

Code Geass anime visual

Lelouch Lamperouge é um príncipe exilado do império de Britannia que recebe um poder chamado Geass, capaz de obrigar qualquer pessoa a obedecer-lhe através de um simples olhar. Sob a identidade mascarada de Zero, torna-se na cara da resistência japonesa contra o mesmo império que o rejeitou em criança. A série foi produzida pela Sunrise e estreou em 2006, rapidamente tornando-se um fenómeno entre os fãs de mecha.

O que separa Code Geass de outros animes do género é a forma como cada vitória militar tem sempre um preço pessoal elevado. Lelouch vai sacrificando aliados, princípios e, aos poucos, a própria humanidade, para conseguir derrubar Britannia. As batalhas com robôs gigantes convivem lado a lado com um enredo de intriga política denso, sem que nenhum dos dois elementos ofusque o outro. O final da série continua a dividir opiniões até hoje, e é precisamente essa ambiguidade que mantém tantas discussões vivas nas comunidades de anime.

7
Monster

Volume 6 de Monster capa devir

Kenzo Tenma é um cirurgião respeitado que decide, numa noite decisiva, salvar a vida de um rapaz em vez da do presidente da câmara da cidade onde trabalha. Essa escolha custa-lhe a carreira, mas é só anos mais tarde que Tenma percebe o verdadeiro alcance do que fez, ao descobrir que esse mesmo rapaz, Johan Liebert, está ligado a uma série de crimes brutais espalhados pela Alemanha.

Baseada na obra de Naoki Urasawa e produzida pelo estúdio Madhouse, Monster troca as cenas de ação típicas do género por uma tensão quase inteiramente psicológica. Tenma abandona a medicina para perseguir um assassino cuja frieza parece quase desumana, e a série constrói os seus momentos mais perturbadores através de diálogo e de silêncios, não de violência explícita. É esse ritmo pausado, quase de thriller literário, que continua a atrair novos espectadores muito depois da estreia.

6
Samurai Champloo

Samurai Champloo visual

Fuu recruta dois espadachins completamente diferentes entre si, Mugen e Jin, para a acompanharem numa viagem pelo Japão à procura de um samurai com um cheiro característico a girassóis. Produzida pelo estúdio Manglobe, a série muda de tom praticamente a cada episódio, passando pela vingança, pela amizade e pelo romance sem nunca cair na repetição.

A grande assinatura de Samurai Champloo está na forma como Shinichiro Watanabe mistura a cultura hip-hop com o período Edo, sem que essa fusão pareça artificial ou forçada. A banda sonora de Nujabes, com temas como Battlecry, continua a ser lembrada como uma das aberturas mais reconhecíveis do género, e a faixa Obokuri Eeumi, usada numa das cenas mais marcantes da série, mostra como a música consegue carregar sozinha o peso emocional que normalmente ficaria a cargo apenas da imagem.

5
Mushishi

Mushishi Zoku Shou: Suzu no Shizuku

Ginko é um viajante que percorre um mundo situado entre os períodos Edo e Meiji, sempre atraído para onde surgem mushi, formas de vida primitivas e quase invisíveis à maioria das pessoas. Produzida pela Artland, a série apresenta cada episódio como um encontro isolado entre humanos e mushi, com Ginko a funcionar mais como observador e mediador do que como protagonista de ação.

O ritmo é propositadamente contemplativo. Em vez de conflitos resolvidos à base de confronto direto, Mushishi prefere explorar temas como a ligação entre o ser humano e a natureza, ou a fragilidade da vida, através de pequenas histórias quase independentes entre si. É um anime que pede paciência, mas que recompensa quem se deixa envolver pelo tom melancólico e pela animação cuidada.

4
The Tatami Galaxy

Um estudante do terceiro ano na Universidade de Quioto vê a sua vida repetir-se em várias linhas temporais, cada uma determinada pelo clube estudantil que decide integrar no primeiro ano. Produzida pelo estúdio Madhouse e estreada em 2010, a série usa essa estrutura pouco convencional para mostrar como cada nova escolha promete uma vida melhor e, invariavelmente, acaba por desiludir.

Apesar das diferentes versões da mesma história, há duas constantes: Ozu, o colega manipulador que reaparece em todas as linhas temporais, e Akashi, cuja relação com o protagonista se vai aprofundando independentemente do caminho escolhido. A ambição visual da série, com um estilo de animação muito próprio, ajuda a vender essa ideia de repetição sem nunca se tornar cansativa, o que a tornou uma referência de originalidade dentro do próprio estúdio.

3
Hikaru no Go

Hikaru_no_Go_Live_Action_na_China_01

Hikaru Shindo encontra, por acaso, um antigo tabuleiro de go manchado de sangue, possuído pelo espírito de Fujiwara no Sai, um instrutor da era Heian que apenas deseja voltar a jogar depois de séculos preso ao objeto. Produzida pelo Studio Pierrot, a série acompanha a forma como a obsessão de Sai pelo golpe divino acaba por contagiar Hikaru, transformando um miúdo completamente desinteressado numa pessoa verdadeiramente dedicada ao jogo.

O que torna Hikaru no Go especial é o cuidado que a narrativa dedica às personagens secundárias, tratadas com a mesma profundidade que o protagonista. A rivalidade que se desenvolve com outro jovem jogador sustenta grande parte da tensão da série sem nunca precisar de recorrer aos clichés mais óbvios do shonen, provando que é possível fazer um anime de competição sem lutas nem poderes especiais.

2
Durarara!!

Durarara!!×2 vai ter 3 cours

Em Ikebukuro, um dullahan que trabalha como estafeta clandestino cruza-se com um grupo anónimo da internet chamado Dollars, e os caminhos de ambos acabam por arrastar as figuras mais perigosas da cidade para o mesmo emaranhado de acontecimentos. Produzida pelo estúdio Brain’s Base, a série muda de narrador quase a cada episódio, alternando entre cerca de onze personagens que oferecem perspetivas diferentes sobre os mesmos factos.

Mais do que um simples cenário, Ikebukuro funciona quase como uma personagem à parte, alimentando tanto a acumulação lenta de histórias paralelas como os momentos de violência súbita que pontuam a série. O início pode parecer disperso, com pistas e sub-histórias que parecem não ter ligação entre si, mas é precisamente essa construção paciente que torna a segunda metade da série tão satisfatória, quando todos os fios finalmente se cruzam.

1
Nana

Nana Komatsu e Nana Osaki conhecem-se por acaso num comboio a caminho de Tóquio, e o simples facto de partilharem o nome acaba por unir duas vidas completamente opostas debaixo do mesmo teto. Baseada na obra de Ai Yazawa e produzida pelo estúdio Madhouse, a série constrói-se em torno desse contraste, de um lado, o romantismo dependente de Komatsu; do outro, a ambição reservada de Osaki, vocalista de uma banda punk à procura de sucesso na cidade.

A amizade entre as duas personagens atravessa desilusões amorosas, os primeiros sinais de fama e as complicações trazidas por Ren Honjo, guitarrista da banda rival Trapnest. É essa recusa em transformar qualquer uma das Nanas num simples contraponto da outra que torna a série uma das relações de amizade mais bem escritas de todo o género, ainda hoje citada como referência sempre que se fala de dramas com personagens femininas complexas.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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